REFLEXÕES SOBRE O EXERCÍCIO DA CIÊNCIA E A IDEOLOGIA.

Ideologia é um conjunto de crenças e valores normativos que um indivíduo ou grupo defende por razões que não são puramente epistemológicas. Muitas vezes limita nosso modo de pensar.

Pela definição dada pelo Oxford English Dictionary nem a ciência nem o naturalismo podem ser consideradas uma ideologia. Em sua definição, o significado moderno de “ideologia” é um esquema sistemático de ideias, geralmente de ordem política, econômica ou social que forma a base da ação ou de posturas políticas, ou seja, um conjunto de crenças que regem a conduta.

Se compararmos essa definição de “ideologia” com a ciência e com o naturalismo perceberemos que a ciência é um conjunto de procedimentos metodologicamente cuidadosos que visa investigar empiricamente o mundo e validar logicamente hipóteses sobre como os fenômenos ocorrem.

A ciência forma então, um conhecimento garantido com classificações de fenômenos observáveis, confirmações de leis da natureza, explicações para eventos em termos de relação causa-efeito, condições prévias e teorias sobre entidades difíceis de serem observadas (escalas muito pequenas, eventos rápidos, distâncias ou tempo imensamente vastos, o passado distante etc) responsável por processos naturais observáveis. Por exemplo: a partir das investigações empíricas da radiação cósmica de fundo e da expansão acelerada do Cosmo foi possível compreender que o passado do Universo é finito e que ele começou de algum ponto, o Big Bang; a dinâmica molecular de grafenos e fulerenos em escala nanotecnológica; e na exobiologia quando estuda a possibilidade da origem e/ou existência de microrganismos em outros planetas.

O naturalismo é uma cosmovisão filosófica erguida sob os pilares do conhecimento científico que exemplifica um bom modo de construir conhecimento para compreender fenômenos naturais.

A ciência em si não pode fornecer todo conhecimento que desejamos e existem outras formas de conhecimento prático e confiáveis obtidos a partir da aprendizagem amplamente experimental. No entanto, muito conhecimento alegado que cai em contradição contra a ciência pode ser rejeitado. Outras fontes de conhecimento prático devem ser diretamente traduzíveis e redutíveis em conhecimento científico. Por exemplo, como um remédio tradicional pode ser confirmado como eficaz pela endocrinologia? Poderia ser analisado coerentemente pelo método científico. A ciência então traz uma métrica interessante para confirmar se há uma correlação mais significativa entre o uso de um determinado medicamento e a redução/cessar de um quadro patológico.

Algumas ciências abordam a ideologia sem se tornarem ideológicas e outros podem ser utilizadas – ou deturpadas – para justificar ideologias. Por exemplo, teorias sociológicas confirmadas sobre o comportamento de grupos políticos competindo por recursos econômicos em uma democracia são esquemas de ideias relacionadas à política, economia e sociedade. Mas a definição de ideologia do Oxford English Dictionary é bastante correta ao trazer dois elementos à sua definição: um esquema sistemático de ideias que geralmente relacionado a política, economia ou sociedade e; a formação da base de ação ou política que é um conjunto de crenças que regem a conduta.

A ciência não tem compromisso em formar ou fomentar um conjunto de ideias de ordem política e no máximo pode nos dar um vislumbre sobre tomar certas decisões. Quando ela é usada para justificar posicionamentos político-ideológicos ou as explicações dos fenômenos são reduzidas a, por exemplo, uma biologização da conduta efeitos catastróficos podem acontecer. O conhecimento científico serve para encantar o mundo e produzir tecnologias variadas, mas em última instância depende sempre do homem apertar ou não o gatilho de uma bomba nuclear.

Uma teoria sociológica sobre como os grupos políticos se comportam em uma democracia dificilmente é a mesma coisa que uma receita de como um grupo político, ou uma democracia, deve se comportar. A sociologia – no máximo, como qualquer ciência – pode oferecer prescrições hipotéticas e ferramentas sobre como estudar a dinâmica das sociedades e oferecer os meios inteligentes para atingir determinados objetivos. Max Weber, Émile Durkheim e Karl Marx se destacam justamente por terem oferecido ferramentas de estudo sociológicas. A sociologia pode permanecer em silêncio sobre quais objetivos devem ser perseguidos.

Os sociólogos de vez em quando se tornam vozes ideológicas para a reforma social? Claro que sim! Karl Marx, Herbert Spencer ou Du Bois são exemplos de como o conhecimento sociológico lhes dá algo útil para começar. Mas os objetivos finais desses reformadores (como a justiça social ou a paz mundial) têm uma origem que transcende a sociologia ou de qualquer uma das ciências. E naturalmente, quando alguma outra ideologia se baseia em premissas que são descartadas por uma ciência, essa ideologia tende a reagir mal, acusando a fonte dos fatos contrários de erigir uma ideologia rival. Por exemplo, se alguma ideologia sobre como o capitalismo deveria funcionar emerge, certamente é descartada pelo conhecimento da economia de que um sistema financeiro proposto nunca poderia realmente funcionar, então essa ideologia tem a tendência em denunciar a economia como oferecendo uma ideologia rival.

Com a ciência acontece muitas vezes a mesma coisa. As pessoas acusam a ciência de diversas coisas: “religião secular”, “Ideologia darwinista”, “ciência é uma ideologia ateísta materialista” etc.

No relacionamento da religião com a ciência isto é mais evidente. Se o pressuposto básico da religião se baseia em uma premissa sobre a sobrevivência pessoal da mente após a morte e é questionado pela ciência, essa religião tende a denunciar a ciência como um rival ideológico. Mas a fonte científica do conhecimento factual não é, por si só, uma ideologia, mesmo que outras ideologias pensem que só podem detectar um novo rival. O fato é que não há evidência alguma e que os experimentos sobre experiência de quase-morte indicam que a mente vive sem uma estrutura física nervosa.

Da mesma forma, o naturalismo não pode ser uma ideologia. Não porque o naturalismo é a fonte do novo conhecimento factual (a ciência em si tem esse trabalho), mas porque o naturalismo é essencialmente neutro em relação à política, economia e sociedade. O naturalismo por si só descreve sobre como as pessoas devem proceder para estabelecer um conhecimento confiável sobre o mundo. Em outras palavras, o naturalismo preenche a segunda parte – mas não a primeira parte – da definição de ideologia do Oxford English Dictionary: um conjunto de ideias que regem a conduta. Porque o naturalismo encoraja todos a basear suas convicções sobre como o mundo realmente funciona na ciência, ele oferece um elenco de conhecimento sobre como as pessoas se comportam.

No entanto, o guia de conduta do naturalismo se estende apenas ao aumento do conhecimento, não à organização adequada da política, economia ou sociedade. Mais uma vez, o conhecimento da ciência deve ser invocado para fornecer os meios de perseguir de forma inteligente alguns objetivos políticos, econômicos ou sociais, mas esses objetivos estão além da ciência e do naturalismo. Como o que acontece com a ciência, o naturalismo é acusado de ser ideológico quando alguma outra ideologia encontra no naturalismo apenas verdades inconvenientes. As religiões, por exemplo, adoram acusar o naturalismo de ser uma ideologia rival aos seus sobrenaturalismos, porque as religiões não querem confiar na ciência – ou porque a ciência não está mais a serviço da religião. Mas tais religiões estão apenas erguendo falsos ídolos rivais de sua própria criação.

Nem a ciência nem o naturalismo podem ser uma ideologia, de acordo com a ampla definição fornecida pelo Oxford English Dictionary. E certamente não podem ser de acordo com a noção popular de ideologia como um sistema de pensamento perigoso sustentado pela propaganda, pelo controle da mente do pensamento de grupo e pela ignorância sustentada.

Como um exercício, imagine pensar em por que o humanismo secular satisfaz a definição de ideologia do Oxford English Dictionary, com seu casamento de naturalismo científico e ética humanista. Certamente tem a ver com o fato dos humanistas seculares querem mudar o mundo!

Nem toda ideologia é má ideologia. No mundo humano, só é preciso ter cautela com qualquer um que afirme viver sem ideologia. Todos nós temos a responsabilidade de descobrir melhores ideologias para o benefício de todos (Center for Inquiry, 2011). Ideias são princípios norteadores da vida e portanto movem o mundo, a questão é: vamos mover para frente ou para trás?

Contudo, a ciência não é exceção e pode ser utilizada para apoiar ideologias particulares e como as ideologias influenciaram os processos e interpretações da investigação científica.

Quando um ideólogo com más-intenções quer agir e se for competente o suficiente vai subverter tudo ao seu redor para apoiar seus desejos absolutistas. Da mesma forma com que a ciência foi subvertida no racismo científico, darwinismo social e principalmente na eugenia no regime nazista, este último também usou a religião e distorceu conceitos de filósofos para apoiar sua ideologia de dominação. Lembremos que o conceito de Super-Homem do filólogo Nietzsche foi deturpado pelo regime nazista para sustentar uma leitura de supremacia racial.

No início dos anos do século XX, a teoria da evolução foi usada para apoiar o socialismo e o capitalismo laissez-faire. Essas duas ideologias concorrentes foram justificadas pelo apelo às reivindicações biológicas sobre a natureza da evolução. As justificativas podem parecer intrigantes. Se a ciência afirma gerar apenas um conjunto limitado de fatos sobre o mundo – como é o caso dos mecanismos da diversificação biológica – não está claro como eles poderiam informar qualquer coisa tão distante quanto a teoria econômica. O fato das espécies competirem naturalmente pela sobrevivência não nos diz nada sobre as pessoas dentro de uma sociedade ignorarem a razão, consciência de seus atos e a empatia e agirem de modo egoísta e competitivo com o colega de trabalho.

O uso de teorias para sustentar ideologias tão opostas pode ser explicado pelo processo de interpretação e aplicação de teorias científicas que pode gerar resultados divergentes. Apesar da competência da ciência em apresentar alguns casos centrais extremamente claros e bem verificados, seus usos mais amplos podem se entrelaçar com afirmações, valores e ideologias de conhecimento separadas. Assim, os resultados aparentemente claros das ciências naturais foram aproveitados para endossar visões concorrentes. Muitas vezes nós temos setores ideológicos conservadores que tradicionalmente negam a teoria da evolução, mas adotam uma versão distorcida dela com aplicações sociológicas para justificar seus pressupostos ideológicos. Isto quer dizer que na mesma medida que um determinado ideológico rejeita a teoria da evolução por questões religiosas, ele distorce-a para justificar um estado de luta do homem contra o homem em que só sobrevivem aqueles com certos diferenciais diluindo a natureza humana a uma natureza genérica e perversa. Neste caso há um reducionismo do homem a condição homo homini lupus (O homem é o lobo do próprio homem) e ignora o fato e que também pode ser solidário, ser altruísta, tem consciência de seus atos, tem valores morais que direcionam ele a empatia e a caridade.

As ideias de Darwin são tiradas fora do contexto quando os ideólogos tentando atribuir valores morais á aspectos científicos mesmo quando os cientistas deixam claro que as alegações científicas explicam fenômenos naturais e não justificam os atos e julgamentos das pessoas. Dizer que a tese de Darwin fundamenta comportamentos imorais é um equívoco triplo da tese porque: 1) dilui a especificidade da natureza humana a uma natureza genérica, desconsiderando o fato de que somos natureza com atributos próprios que nos definem como espécie (cultura, trabalho, história e etc) 2) acaba forçando o ideológico discurso de que é natural para a evolução a eliminação dos mais fracos, ou seja, que é eticamente válido a desigualdade socioeconômica e a miséria. Geralmente os ideólogos não sabem – ou sabem, e agem mal intencionadamente – o que Darwin quis dizer com evolução por seleção natural e levam as suas alegações para um discurso contra a ética e descontextualizado; e 3) ignora o contexto histórico em que Darwin formula os paradigmas dominantes naquele momento de expansão do capitalismo, cultura europeia (eurocentrismo) como a única válida e de afirmação das abordagens positivistas cartesianas. Cria-se então uma distorcida biologização da política e politização da biologia como foi no nazismo, prescrevendo um uso tendencioso da antropologia para justificar a existência de raças ou de desigualdades (Loureiro, 2009).

Protesto conduzido por grupos de extrema-direita em 2017 na cidade de Charlottesville, Virgínia, Estados Unidos. Os manifestantes eram supremacistas brancos, nacionalistas brancos, neo-confederados, neonazistas, milícias e membros do grupo Alt-Right. Eles carregavam rifles semiautomáticos, suásticas, bandeiras confederadas e bandeiras antissemitas.

Muitos dos progenitores modernos da ciência natural esperavam que a ciência se aplicasse a grandes áreas da vida humana. Eles acreditavam que a ciência poderia informar e melhorar a política, a religião, a educação, as humanidades e muito mais.

Esta visão é a reprodução de uma versão fictícia criada por Francis Bacon no século XVII, que imaginava os cientistas como as elites políticas, dominando a natureza através do conhecimento de suas leis e governando o mundo porque estavam mais bem equipados para moldar a sociedade. Em alguns setores tais esperanças vivem hoje defendendo a ingênua ideia de que a tecnologia pode salvar a humanidade diante de sua crise identitaria e civilizatória de despertencimento do homem ao mundo natural – algo que começa na Idade Média com o homem sendo posto como imagem e semelhança de deus, superior aos animais e domesticador de uma natureza criada para nos servir.

Não é apenas em suas aplicações que a ciência pode se tornar ideológica pelas mãos do homem, mas as ideologias também podem fazer parte da formação das ciências.

Se as ciências naturais não são hermeticamente fechadas da sociedade, e se de fato são permeáveis ​​a valores sociais, as relações de poder ou normas dominantes de uma época, então é possível para a ciência reflita as ideologias de seus praticantes, e isto pode ter um efeito ambíguo.

Quando é perigoso, isto se dá pelo fato de que as ideologias que entram na ciência são então consideradas resultados derivados da ciência. Essas ideologias, agora “naturalizadas”, às vezes receberam credibilidade adicional, um status de “fato porque foi cientificamente comprovado” na tentativa de legitimação por causa de sua derivação supostamente científica. A concepção eurocêntrica favoreceu o pensamento do darwinismo social, da eugenia fomentadas pela pseudociência do racismo científico trazendo análises enviesadas e muitas vezes imprecisas para suportar discursos antropológicos.

Contudo, nem todas as ciências parecem igualmente suscetíveis à influência ou apropriação ideológica. As ideologias parecem ter conexões mais estreitas com as ciências que investigam tópicos mais próximos das preocupações humanas. As ciências que alegam ter implicações nas restrições à imigração, governo, comportamento e sexualidade humana encontram públicos e disputas mais amplas do que as conclusões científicas limitadas à morfologia das asas de borboletas ou à gravidade quântica.

O potencial para a ciência se entrelaçar com a ideologia não necessariamente enfraquece as afirmações científicas ou diminui o valor epistemológico e cultural da ciência. Isso dificilmente torna a ciência vulgar, ou apenas uma visão entre outras. A ciência deve ser usada bem e levada a sério para resolver os desafios do mundo real e não para exaltar distanciamentos antropológicos. Parte de levar a ciência a sério envolve uma análise criteriosa de como as ideologias podem influenciar processos e aplicações científicas.

Cientificismo

Quando a ciência é creditada, seus membros argumentam que ela é a única forma pela qual a humanidade tem de descrever a realidade, então essa epistemologia restritiva pode se transformar em cientificismo. Segundo nos é apresentada, o cientificismo seria a única racionalidade, a racionalidade científica. Então, a poesia, literatura, música, arte, religião ou ética não podem ser consideradas fontes de conhecimento, de acordo com essa visão, porque não são geradas por métodos científicos (Internet Encyplopedia of Philsophy).

Esta é a visão vendida pelas pessoas a respeito do que seria o cientificismo: uma fidelidade exclusiva com a ciência, especialmente à custa de outras formas de conhecimento. Portanto, as pessoas conectam o cientificismo com alguma forma ideológica de visão do mundo. Não demora muito para as pessoas associarem o cientificismo com o “Positivismo Lógico” do Círculo de Viena, na qual considerava fato somente aquilo que puder ser constatado por fatos verificáveis. Daí se deduz que enunciados somente podem ser assumidos como verdadeiros depois de comparados com fatos objetivos. Para determinar quais enunciados poderiam ser aceitos como científicos, propuseram o princípio de demarcação ou de verificabilidade. O programa destes Neo-positivistas aprofundava-se em assuntos tão diversos como a psicologia, a análise lógica (seguindo a filosofia de Gottlob Frege (1848-1925), do Wittgenstein dos primeiros tempos, de Whitehead e outros), a metodologia das ciências empíricas (baseada em Georg F. B. Riemann e Albert Einstein, por exemplo) ou a sociologia positivista (com influências que iam de Epicuro e Jenemy Bentham a John Stuart Mill e Karl Marx).

Enquanto o entusiasmo pela ciência tem sido parte da essencial iluminista, o pensamento cientificista iria além do entusiasmo, na sua insistência de que o que quer que esteja fora do escopo da ciência não é conhecimento. Alternativamente, o cientismo é usado às vezes para se referir mais especificamente ao uso da ciência para informar políticas. Se as questões políticas são enquadradas como científicas, de modo que apenas a evidência científica possa julgar as políticas certas, constitui um movimento fortemente tecnocrático para substituir a política pela ciência.

O uso do rótulo “cientificismo” normalmente implica um julgamento negativo sobre uma fidelidade problemática à ciência, mas alguns teóricos adotaram o rótulo também. Não existe uma relação simples entre ciência e cientificismo. Muitos cientistas rejeitam o cientificismo, enquanto alguns especialistas em humanidades o promovem. Quando os humanistas decidem que devem trabalhar dentro de uma metafísica que imaginam ser científica, eles podem se sentir compelidos a adotar uma estrutura materialista que rejeite categorias tradicionais de investigação humanística. Na medida em que as ciências naturais podem não reconhecer essas categorias, alguns estudos humanísticos foram transformados pela perda de tais conceitos (Pfau 2015).

Como é muito conturbada a questão do cientificismo talvez seja interessante clarear certos pontos. Embora o termo “cientificismo” seja usado de modo pejorativo para referir-se a expressão de cientistas e filósofos como Bacon, Descartes e Locke podem ser considerados os seus precursores ao defender que o enfoque científico fosse o melhor meio para obter conhecimento do mundo, mas não fica claro se atais concepções filosóficas eram invariavelmente cientificistas (Lugg, 2001).

Basicamente, os cientificistas defendem que a investigação científica é o melhor modo de assegurar-se um conhecimento preciso acerca do mundo (Bunge 2007), mas não que seja o único. Portanto, o cientificismo é uma posição filosófica e não científica. Quando o filosofo Charles Sanders Peirce afirma que não devemos bloquear o caminho da investigação em nenhum assunto do conhecimento, podemos observar uma promoção precoce do pensamento cientificista (Peirce, 1955).

A partir de Wittgenstein, que é a referência usada pelo Círculo de Viena (Neo-Positivismo ou Positivismo lógico) não se fala em ciência e centraliza-se mais na sua linguagem, uma vez que deixaram de interessar-se pelos problemas autênticos colocados pelas teorias científicas para refletir sobre o uso de expressões (Bunge 2008). Portanto, o cientificismo endossa a natureza da atividade científica, mas isso não evitou que ele fosse considerado equivalente ao “positivismo”, ao “reducionismo”, ao “materialismo”, a uma “atitude dogmática”, levando as pessoas a apresentar o empreendimento científico como uma forma de “religião secular”, embora desde a revolução científica, a pseudociência, a magia ou superstição sejam consideradas opostas a perspectiva científica (Dilworth 2006). Equivoca-se então quem defende que o cientificismo demanda a proliferação do domínio da ciência natural ao ponto de pontificar sobre as demais áreas. A ciência é um modo de construir conhecimento, um bom método, talvez o melhor para compreender os fenômenos naturais, mas não o único.

Supondo que o cientificismo compreenda a “competência universal” da ciência sobre o resto dos assuntos, naturalmente incorre-se em uma contradição dado que o cientificismo não é um assunto científico, mas sim filosófico, ou, gnoseológico. De maneira igual, termina sendo confundido como um conjunto de programas reducionistas.

Podemos identificar desafios para o cientificismo. Um deles é a própria expressiva lealdade à ciência e a certa dificuldade que ainda existe em separar ciência de pseudociência com critérios definitivos. Ainda é incrivelmente difícil especificar exatamente o que torna uma abordagem científica do mundo já que há críticas também a demarcação popperiana. Veja o caso da psicanalise bastante criticada por Popper e pelo próprio Carl Sagan e o caso do criacionismo/design inteligente. No caso do criacionismo notamos que não há produção científica, publicações, experimentações e aquelas alegações que eram passivas de serem verificadas foram falseadas e concluíram que esta postura era pseudocientífica. Mas no caso da psicanálise há ainda uma relação forte com a psicologia, há produção de conteúdo acadêmico publicado embora seja muito criticada especialmente pelas não constatações das ideias de Freud.

Outro problema para o cientificismo é que se a ciência consiste em uma variedade de práticas distintas, respondendo a uma diversidade grande de questões com múltiplas abordagens metodológicas diferentes, então pode acabar ofuscando questões importantes sobre no que a ciência está sendo incluída, o que ignorou e como ela é analisada. Isso é importante porque diferentes estudos e metodologias geralmente não se alinham para fornecer resultados diretos e assim, em certos casos as análises separadas dos mesmos dados podem produzir conclusões notavelmente divergentes (Stegenga, 2011).

Outro problema é que a perícia científica não implica automaticamente em uma perícia em outras áreas, de tal modo que é relativamente fácil para, por exemplo, alguns biólogos fazerem pronunciamentos filosóficos e teológicos sem treinamento ou mesmo ter apreciação por aqueles outros campos de estudo.

E por último, o uso do cientificismo como um substituto para a política. Os debates políticos geralmente não são esgotados por suas dimensões científicas. Questões como mudança climática ou relações raciais, por exemplo, envolvem mais do que resultados científicos; eles envolvem concepções de justiça, liberdade, economia e até religião, que são infundidas com preocupações éticas. A política não pode ser reduzida a problemas técnico-científicos, e assim a tentativa de converter debates essencialmente ideológicos em hipóteses científicas diretas pode interpretar mal o que está em jogo e ignorar questões importantes em debate (Oakeshott 1962, Bernstein 1976, Seliger 1976). Por exemplo: apesar da nossa condição tecnológica atual permitir a reciclagem, a produção árvores artificiais para retirar o excesso de carbono na atmosfera fruto da queima de combustíveis fósseis não muda o fato de que há uma crise civilizatória ocorrendo e não vai ser a tecnologia que solucionará. O consumismo depende de uma mudança de postura global e plenamente alinhado com posturas ideológicas. Ou ainda, situações como inocentar um estuprador sob a alegação de que no passado da espécie humana era natural a espécie humana invadir, sequestrar e estuprar mulheres de aldeias ou grupos rivais, ou, inocentar um criminoso sob a alegação de que um mero desbalanço químico dos neurotransmissores leva uma pessoa a cometer crimes.

Na medida em que os poderes da ciência estão enraizados em métodos destinados a estudar a natureza independentemente de quaisquer ideologias, isso também representa um limite para sua aplicação. Embora a investigação científica possa contribuir para quase qualquer problema que enfrentamos, a ciência normalmente não pode determinar as soluções para esses problemas por conta própria; pensar de outra maneira é cair no cientismo – o uso da ciência para determinar as decisões políticas.

A maioria dos problemas reais envolve mais do que apenas aplicar resultados científicos, portanto, a ciência tem o potencial somente de indicar ou sinalizar e não determinar obrigatoriamente uma decisão. A decisão envolve também juízos filosóficos e éticos complexos, sejam ou não explicitamente articulados.

O potencial para células tronco é uma realidade e pode ajudar a decidir se embriões deveriam ser liberados para a pesquisa; a questão da liberação do uso de canabis para pesquisa cientifica depende de diversos fatores sendo um deles o potencial farmacológico do canabidiol e de tetrahidrocanabinoides; o levantamento científico para construir um Atlas da Violência no Brasil indica alto números de mortes de mulheres vítimas por arma de fogo e pode entrar na discussão sobre a facilitação ou não do porte de arma. Todos estes são exemplos de como a ciência contribui com conhecimento, mas não devem por si só ser o motivo para a liberação ou não de suas atividades. Há outros elementos que entram na discussão em que a ciência pode participar da decisão.

Um elemento fundamental da participação da ciência para decisão deveria ter sido no caso da fosfoetanolamina. Neste sentido, é preciso haver equilíbrio e bom senso: temas como a fosfoetanolamina dependem mais especificamente de uma posição científica e é esperado que o pronunciamento da ciência tenha um peso considerável na proibição ou liberação de tal medicamento que no caso, não havia sido testado. Contudo, no Brasil, a pratica de consultar a ciência foi descartada e uma decisão jurídica permitiu a comercialização. Neste caso, a rejeição das competências da ciência permitiu que um produto sem qualquer validação medicamentosa (logo, pseudocientífica) entrasse me circulação sem qualquer acompanhamento clínico – um grande risco.

É lamentável sim que a ciência seja politizada, mas muitas vezes o conhecimento científico tem sido entrelaçado com preocupações sociais e políticas mais amplas. A história não implica que tal politização seja aceitável ou inevitável, de fato, a história sugere que este processo não é nada novo. Enquanto acreditarmos que a ciência será importante para as coisas com as quais mais nos preocupamos, devemos esperar que essas contestações continuem no futuro. Visto dessa maneira, os debates ideológicos sobre a ciência ilustram como a ciência está no mundo moderno.

A ciência contestada ideologicamente não é um sinal de que deixamos de valorizar a ciência; ao contrário, mostra-nos o quanto todos os partidários concordam que a ciência é central para sua defesa. Naturalmente, isso pode ser problemático se a ciência for deturpada para justificar interesses particulares, como foi o caso da biologização da política em tempos passados para confirmar pressupostos antropológicos no racismo científico, na eugenia e no darwinismo social.

Os ideólogos costumam afirmar que a ciência está do seu lado. Isso não é surpreendente, dado o status cultural da ciência, e dado que as ideologias são geralmente informadas por algumas afirmações factuais, supostamente científicas. Assim, a ciência tem sido usada para apoiar várias ideologias.

No Ocidente, a ciência tem sido muitas vezes moldada por ideologias dominantes que privilegiaram o branco, europeu, macho, heterossexual ao mesmo tempo em que patologizam não-europeus, mulheres e homossexuais. Um dos exemplos mais recentes foi do descobridor da estrutura tridimensional do DNA, o bioquímico James D. Watson que pronunciou que negros são intelectualmente inferiores – em 2007 e no início do ano de 2019. Isto levou a punições e perda de honrarias.

Para o biólogo evolucionário Lewontin (1992) é evidente que os cientistas às vezes usam crenças sociais amplamente compartilhadas quando estão fazendo ciência, e que tais ideologias podem influenciar sua ciência. Assim, é problemático quando esses resultados científicos são então citados como evidência independente para as próprias ideologias. Mesmo Lewontin é alguém que tem sua produção científica influenciada por um viés ideológico. No caso, acabou contribuindo positivamente para quebrar um pouco da visão deterministas sobre comportamentos.

Também é possível que a ciência seja usada como uma barreira contra as ideologias desumanas, como a luta de Darwin contra o tráfico de escravos ou os argumentos de Dobzhansky contra a eugenia. Desse modo, as disputas ostensivamente científicas também podem ser locais de conflito ideológico, embora tal julgamento necessariamente também se baseie em mais do que apenas dados científicos.

Se as ideologias podem ser equiparadas à ciência, a ciência também desafiou crenças e ideologias tradicionais. “A ciência antiga é desde o início fortemente marcada pela interação entre, um lado, a assimilação de pressupostos populares e, por outro, sua análise crítica, exposição e rejeição. Isto foi uma característica da ciência até o fim da antiguidade e para além dela (Lloyd, 1983).

A ciência e as ideologias podem se ajustar umas às outras. Esse processo está em andamento e um olhar mais atento na história da ciência faz com que qualquer divisão clara entre ciência e ideologia pareça artificialmente imposto.

A história da ciência, ao contrário, gera um sentido para o complexo arranjo e rearranjo de ideias que podem problematizar qualquer isolamento direto do científico e do ideológico. De fato, a maioria dos historiadores e sociólogos contemporâneos da ciência dá sentido às mudanças científicas, em parte reconhecendo a permeabilidade da ciência às pressões culturais. A história da ciência mostra isto quando componentes esotéricos e místicos do império árabe faziam parte da sua produção intelectual, quando a ciência formalizada na Europa cristã surge abarca noções do cristianismo, da alquimia e astrologia que ao longo do tempo e da maturidade do método científico vão sendo separados. A ciência foi influenciada por elementos que não eram propriamente científicos, seja em hipóteses seja na própria inspiração para se fazer ciência. Durante muito tempo a filosofia naturalista aceitava que as espécies eram criações divinas. A ciência foi profundamente influenciada por elementos da sociedade e a sociedade por movimentos científicos: Descartes que histórica e filosoficamente oferece parte da base intelectual da ciência também influencia a Revolução Francesa futuramente; o pensamento científico que se tornou protagonista na tecnologia da Revolução Industrial também revoluciona o pensamento sociológico e econômico levanto a leitura do capitalismo do século XIX por Karl Marx.

Estruturas políticas e religiosas podem influenciar as questões que os cientistas fazem, quais pesquisas elas consideram significativas, como elas avaliam sua importância e até mesmo quanto tempo determinados problemas valem a pena ser estudados.

Neste sentido “As linhas entre ciência, ideologia e visão de mundo raramente são bem desenhadas” (Center for Inquiry, 2011). O ponto é que a ciência tem sido historicamente enredada com tendências e crenças sociais que incluem ideologias (Young, 1971).

Enquanto os casos históricos envolvendo racismo cientifico e eugenia são bem documentados, as conclusões filosóficas que podemos extrair deles permanecem contestadas. Por exemplo, uma visão é que eles são exemplos infelizes de ciência que deram errado. Outra é que talvez sejam casos em que a ciência é corrompida ou a objetividade é comprometida – por um viés eurocêntrico. De maneira otimista, podemos aprender com eles e tentar permanecer mais ideologicamente neutros no futuro. Talvez a autoconsciência sobre nossos valores sociais e políticos ajude a garantir uma ciência mais objetiva.

Contudo, é possível que continue a ser difícil reconhecer exatamente como padrões mais amplos de pensamento influenciam a teorização científica. Estudos cognitivos recentes de viés implícito indicam que os seres humanos operam com vieses que muitas vezes não reconhecem e que são difíceis ou impossíveis de eliminar. Resta saber como tais preconceitos podem influenciar a teorização científica. Muitas vezes é difícil reconhecer as ideologias – especialmente em si mesmo -, mas sua análise crítica é importante não apenas para a política, mas também para a ciência.

Como as ideologias são mantidas por todos, incluindo os cientistas, elas podem explicar por que algumas hipóteses científicas não são buscadas, enquanto outras são perseguidas ou aceitas sem críticas. Em seus escritos publicados, pelo menos, Darwin parece ter rejeitado de imediato a hipótese de que as mulheres poderiam ser cognitivamente iguais aos homens; tal igualdade pareceria extremamente implausível, dadas as normas de gênero vitorianas que Darwin compartilhava. Para outros cientistas, hipóteses como a determinação genética da inteligência foram aceitas sem crítica porque se encaixam em uma narrativa ideológica e antropológica preferida (Richardson, 1984). Mesmo no caso da pesquisadora Alice Lee que no século XIX criticou os métodos dos craniometristas – com a própria craniometria – que concluíram a inferioridade da mulher acabou aceitando a inferioridade intelectual de povos não-europeus. Ao mesmo tempo que cientificamente combateu o sexismo na época de Darwin acabou fomentando o racismo científico em uma posição ambígua característica da época em que viveu (Smithsonian, 2019). Lembremos que todos estes são fruto de uma época vitoriana com a ideologia eurocentrista em vigor e influenciador socialmente por tal falácia.

É possível que ideologias encontrem seu caminho na ciência de forma mais eficaz entre grupos homogêneos de cientistas. Exemplos como o programa de pesquisa de longa data de homens brancos perguntando por que as mulheres e as minorias eram muito menos inteligentes são, no mínimo, sugestivos. Quem está fazendo a ciência pode muito bem influenciar como as perguntas científicas são feitas, o que obviamente se refere a quais conclusões são alcançadas. Alguns filósofos argumentam que grupos mais diversos de questionadores podem fomentar a objetividade. Seria interessante, por exemplo, que o saber não-científico e científico de povos africanos, latinos asiáticos fossem considerados, ouvidos, estimulados e democratizados para o bem de todos e o próprio bem da ciência.

Nesta perspectiva, a falta de diversidade na ciência não é um mero problema político ou moral, mas um problema epistemológico. Na medida em que as ciências modernas não são mais primariamente a busca de indivíduos, mas um empreendimento coletivo a ser analisado no nível da comunidade, então a objetividade poderia ser melhor alcançada entre grupos com diferentes origens ou experiências de vida (Longino, 1990). Na mesma medida que vemos a pseudociência de cunho ideológico nacionalista tomando conta de países como a índia defendendo noções que são profundamente não científicas temos histórica e contemporaneamente contribuições valiosíssimas de cientistas astrônomos e cosmólogos Indianos.

Análises da relação entre posição social e conhecimento científico foram iniciadas por filósofos(as) feministas, mas desde então se tornaram modismo (Richardson, 2010). Algumas evidências empíricas sugerem que a diversidade étnica e geográfica entre os pesquisadores pode melhorar os resultados científicos (Adams 2013)

Para Karl Popper

A famosa distinção de Popper entre ciência e pseudociência – ou ideologia – depende de seu igualmente famoso princípio de falsificação. Ele argumenta que, se uma teoria está, em princípio, aberta a ser refutada ou “falsificada” pelos fatos do mundo, então é científica. Se não está aberta a ser falsificado pelos fatos do mundo, então é pseudociência ou ideologia. Por exemplo, a afirmação “Nada pode viajar mais rápido que a velocidade da luz”, em que a Teoria da Relatividade Especial depende crucialmente, pode, em princípio, ser falsificada observando algo no mundo real que faz viajar mais rápido que a velocidade da luz. Mas a afirmação “Deus está no céu” não pode ser científica, porque não está claro que tipo de evidência no mundo contaria como falsificá-lo. Portanto, deve ser pseudociência ou ideologia.

Assim, para Popper, a marca da pseudociência ou ideologia é que ela nunca se permitirá ser falsificada por nenhuma evidência. Ele sempre reinterpretará o que é proposto como evidência contra ele, interpretando essa evidência em seu próprio favor.

Kuhn e Feyerabend são tão frequentemente citados como exemplos de pessoas que não acreditam em andamento na verdade científica. Kuhn, por exemplo, acredita no progresso da verdade científica não apenas dentro de um paradigma (“ciência normal”), mas também entre paradigmas (“ciência revolucionária”).

A maioria das defesas contemporâneas do realismo científico é de natureza pragmática, seguindo as linhas estabelecidas por filósofos como Peirce e Popper.

Para eles, o fato de que nossas tecnologias funcionarem com base no que a ciência produziu é uma forte evidência de que as teorias científicas são verdadeiras ou, pelo menos, estão cada vez mais próximas da verdade. O que eles querem dizer com “verdade” é a correspondência – isto é, nossas teorias correspondem ao modo como o mundo realmente é. Poucos críticos sérios seriam tão irracionais a ponto de negar isso, mas alguns gostariam de modificar tais alegações adicionando que os vocabulários científicos funcionam e fornecem ‘uma descrição precisa da realidade’ em relação a um certo propósito. Mude os propósitos humanos e você simultaneamente muda a ideia de “o que funciona” e do que fornece “uma descrição precisa da realidade” em relação a esse propósito diferente.

A ciência é portanto, um método de obter conhecimento sobre o mundo natural; toda atividade humana procede baseada em suposições, atitudes e crenças, então sim, nesse aspecto, ela poderia ser vista como um tipo de ideologia não de forma pejorativa, mas simplesmente pela realidade de como as mentes humanas trabalham. Os cientistas, é claro, não costumam examinar a filosofia por trás do que fazem, já que a absorveram em sua mentalidade. No entanto, a filosofia moderna da ciência está em um constante esforço filosófico pois sempre está tentando falsear e verificando ideias, afirmar explicações de resultados de pesquisas em periódicos revisados ​​por pares; apresenta um caráter empírico, apresenta uma metafísica e ontologia pautada no materialismo; tem um compromisso ético com a honestidade e transparência dos resultados; tem uma linguagem de trabalho que é a lógica, como a matemática e todos os humanos têm uma mentalidade ideológica, aceitemos sua existência ou não (Center for Inquiry, 2011).

Victor Rossetti

Palavras chave: NetNature, Rossetti, Filosofia da Ciência, Ideologia, Política, Biologia, Sociologia, Evolução, Popper, Cientificismo.

 

Referências

Adams, Jonathan. 2013. “Collaborations: The fourth age of research.” Nature 497: 557-560.
Bernstein, Richard J. 1976. The Restructuring of Social and Political Theory. New York: Harcourt Brace Jovanovich.
Bunge, M. (2007), A la caza de la realidad. La controversia sobre el realismo, Barcelona: Gedisa.
Bunge, M.  (2008), Epistemología. Curso de actualización. Barcelona: Ariel
Center for Inquiry – John Shook. 2011
Dilworth, C. (2006), The Metaphysics of Science. An Account of Modern Science in Terms of Principles, Laws and Theories. 2nd ed. Netherlands: Springer.
Lewontin, R. C. 1992. Biology as Ideology. New York: HarperCollins.
Lloyd, G. E. R. 1983. Science, Folklore and Ideology. Cambridge: Cambridge University Press.
Longino, Helen. 1990. Science as Social Knowledge. Princeton: Princeton University Press.
Loureiro, C.F.B. Trajetória e Fundamentos da educação Ambiental. Editora Cortez. São Paulo 2009.
Lugg, A. (2001), Pseudociencia, racionalismo y cientismo, Lima: AERPFA.
McNei, L. The Statistician Who Debunked Sexist Myths About Skull Size and Intelligence. Smithsonian Magazine. 2019
Oakeshott, Michael. 1962. Rationalism in Politics and Other Essays. London: Methuen & Co Ltd.
Peirce, C. (1955), Philosophical writings of Peirce. New York: Dover.
Richardson, Robert C. 1984. “Biology and Ideology: The Interpenetration of Science and Values.” Philosophy of Science 51 (3): 396-420.
Richardson, Sarah S. 2010. “Feminist philosophy of science: history, contributions, and challenges.” Synthese 177 (3): 337–362.
Pfau, Thomas. 2015. Minding the Modern. Notre Dame: University of Notre Dame Press.
Seliger, Martin. 1976. Ideology and Politics. Lonon: George Allen & Unwin Ltd.
Stegenga, Jacob. 2011. “Is meta-analysis the platinum standard of evidence?” Studies in History and Philosophy of Biological and Biomedical Sciences 42 (4): 497–507.
Universo Racionalista – Conceitos errôneos em torno do “cientificismo”. Douglas Rodrigues Aguiar de Oliveira. 2016
Young, Bob. 1971. “Evolutionary Biology and Ideology: Then and Now.” Science Studies 1: 177-206.