SARS-CoV-2 ESTÁ LONGE DE SER UMA ARMA BIOLÓGICA.

Há muito tempo surtos epidemiológicos são atribuídos a bodes expiatórios convenientes, desde os tempos das 10 pragas do Egito, epidemias medievais que costumavam ser atribuídas a judeus ou hereges e até conspirações mais recentes. Toda vez que algo desconhecido surge à primeira impressão que o homem cria é negativa, desconfiada e pautada no medo. Nos tempos atuais, qualquer agente patogênico que surge nosso senso-comum recorre a este mecanismo e antes mesmo de entender cria conclusões que podem se cristalizar como verdades absolutas e tornam-se ignorância. Antes mesmo do SARS-CoV-2 e da COVID-19 serem nomeados, grupos conspiracionistas mergulhados no senso-comum cristalizaram a identificação de arma biológica e a estabeleceram como uma auto-verdade se fechando para o mundo.

Na metade final de março de 2020 destaquei que o momento que vivenciaríamos dali em diante representaria um tempo de ciência e razão. A ciência é a nossa melhor ferramenta disponível para entender a natureza do vírus SARS-CoV-2. E na medida em que tivemos um rápido sequenciamento do genoma do SARS-CoV-2 teríamos medidas epidemiológicas eficazes.

Evidentemente a ciência passou por problemas em sua trajetória. Uma delas foi não desenvolver a tempo uma vacina desde o primeiro surto de coronavírus em 2003 com a SARS. A resposta global ao SARS-CoV-2 apresentou uma enorme falha de política científica de nossa geração. Os sinais eram claros com as zoonoses do Hendra em 1994Nipah em 1998, SARS em 2003, MERS em 2012 e Ebola em 2014. O fato de os sinais de alerta não serem ouvidos não é surpreendente. Poucos de nós sofreram com uma pandemia e somos todos culpados por ignorar informações que não refletem nossa própria experiência do mundo.

Nesta crise tanto o público quanto os políticos se voltam contra especialistas. E não houve erros apenas dos especialistas, no que diz respeito às modelagens e suposições que se mostraram equivocadas, mas do mundo anticiência que vivemos.

Das falhas científicas tivemos o Reino Unido imaginando que a pandemia seria muito parecida com a gripe. Ainda em 2019 ouvi epidemiologistas dizerem que o número de infectados e mortos pelo SARS-CoV-2 seria inferior ao da SARS, devido sua baixa taxa de letalidade. Claramente todos erraram.

Mas o maior erro de todos é que muitos líderes políticos não alinham seus planos de ação ouvindo o que a ciência tem a dizer sobre áreas em que ela é competente. Mesmo com suas limitações, a nossa melhor ferramenta é quem mostra dados importantes aos líderes políticos: índice de letalidade, índice de transmissividade (R0), virulência e patogenicidade.

Vivemos uma onda de anticiência e pseudociência bastante escancarada mundialmente e potencializada pelas redes sociais e as lideranças políticas. O que vimos no caso do novo coronavírus foram exemplos contrastantes: de competência e incompetência de liderança. Vimos nações como o Brasil, EUA, Reino Unido e Itália menosprezarem o potencial da COVID-19 e os alertas da Organização Mundial da Saúde. O menosprezo se manifestou na forma de mortes nesses países, fruto da postura anticiência.

Para exemplificar, trago um estudo recente que indicou que se os EUA tivesse adotado as medidas de distanciamento social 2 semanas antes da data em que começou teria salvado a maioria das pessoas hoje mortas. Em 16 de março, a Casa Branca emitiu diretrizes iniciais de distanciamento social, incluindo o fechamento de escolas e a evitar grupos com mais de 10. Porém, estima-se que 90% das mortes acumuladas nos Estados Unidos pela COVID-19, pelo menos desde a primeira onda da epidemia, poderia ter sido evitada com a aplicação de políticas de distanciamento social duas semanas antes, em 2 de março, quando havia apenas 11 mortes em todo o país. O efeito teria sido substancial se as políticas tivessem sido impostas uma semana antes, em 9 de março, resultando em uma redução de aproximadamente 60% nas mortes. Não que nesses países não tenha ocorrido morte. O sucesso desses países vem de aspectos sociais. Por exemplo, na Alemanha a taxa de jovens morando com os pais e idosos é baixa devido a boa situação financeira. A boa economia permite que os filhos tenham suas próprias residências ainda muito cedo, o país desfruta de um sistema de saúde excelente e os principais centros de pesquisa do mundo. Na Nova Zelândia assim como alguns países orientais tem uma população pequeno o que permite a testagem de todos, processamento rápido e isolamento daqueles infectados. Temos então, situações onde há países que tem liderança política fortemente respeitosa a ciência. Nos países em que a ciência ficam em segundo plano ou que carecem de desenvolvimento científico as situações foram mais graves.

No Brasil, os discursos de pseudociência, notícias falsas e movimentos anticiência cresceram em um momento em que mais as pessoas deveriam ser racionais e alinhar-se com a ciência. No momento em que mais precisamos da razão vemos pessoas ignorando as orientações de permanecer na quarentena, utilizando a máscara de proteção individual de forma inadequada, discursos afirmando que a pandemia não existe, manifestações políticas anti-democráticas durante a quarentena e a notícia falsa de que o SARS-CoV-2 seria uma arma biológica.

O objetivo o presente texto é justamente tratar de desmentir essa última afirmação: a ideia de que o coronavirus é uma arma biológica.

Não há evidência alguma disto. De fato, aqui vem a calhar à afirmação do grande astrônomo Carl Sagan que dizia que “Alegações extraordinárias exigem evidências extraordinárias”. Devemos olhar para o que a ciência coletou de evidências e agora sabe sobre a origem deste vírus. Podemos olhar científica e criticamente a questão das armas biológicas para entender porque nem de longe o SARS-CoV-2 é uma arma biológica.

A análise dos dados públicos da sequência do genoma de SARS-CoV-2 e outros relacionados não encontrou evidências de que o vírus tenha sido produzido em laboratório ou manipulado de outra forma. Quando comparados os dados disponíveis da sequência do genoma para cepas conhecidas de coronavírus, foi possível determinar claramente que o SARS-CoV-2 se originou através de processos naturais. O genoma de SARS-CoV-2 que rapidamente foi sequenciado por pesquisadores chineses consiste em uma molécula de RNA de cerca de 30.000 bases contendo 15 genes, incluindo o gene S, que codifica a proteína Spike localizada na superfície do envelope viral.

Os coronavírus são uma grande família de vírus que podem causar doenças que variam amplamente e no que diz respeito a sua gravidade na saúde dos acometidos. A primeira doença grave conhecida causada por um coronavírus surgiu com a SARS, Síndrome Respiratória Aguda Grave em 2003 na China. Um segundo surto de doença grave começou em 2012 na Arábia Saudita com a Síndrome Respiratória no Oriente Médio (MERS).

Em 31 de dezembro de 2019, as autoridades chinesas alertaram a Organização Mundial de Saúde sobre a origem do surto da nova cepa de coronavírus causando doença grave, que foi posteriormente denominada SARS-CoV-2. Os cientistas chineses sequenciaram o genoma do SARS-CoV-2 e disponibilizaram os dados para pesquisadores de todo o mundo. Os dados resultantes da sequência genômica mostraram que as autoridades chinesas detectaram rapidamente a epidemia e que o número de casos de COVID-19 aumentou por causa da transmissão de humano para humano após uma única introdução na população humana.

Várias instituições de pesquisa e pesquisadores que sequer eram chineses coletaram esses dados de sequenciamento para explorar as origens e a evolução do SARS-CoV-2, concentrando-se em vários recursos reveladores do vírus.

Os cientistas analisaram o modelo genético das proteínas Spike, utilizada para a infecção viral na célula sadia. Mais especificamente, eles se concentraram em características importantes da proteína spike: o domínio de ligação ao receptor (chamado de RBD) que atua como um abridor de lata molecular que permite que o vírus invada as células hospedeiras. Os cientistas descobriram que a porção RBD das proteínas do pico de SARS-CoV-2 atua efetivamente como um recurso molecular no exterior das células humanas chamado enzima conversora da angiotensina 2 (ACE2), um receptor envolvido na regulação da pressão arterial. A proteína spike do SARS-CoV-2 foi tão eficaz na ligação às células humanas, de fato, que os cientistas concluíram que era o resultado da seleção natural e não o produto da engenharia genética.

Este dado é importante, porque ele começa a desconstruir a ideia de que o coronavírus SARS-CoV-2 é uma arma biológica intencionalmente projetada. Se alguma pessoa tentasse projetar um novo coronavírus como arma biológica teria de ter construído a partir da espinha dorsal de um vírus conhecido por causar doenças. Mas os cientistas descobriram que esta espinha dorsal do SARS-CoV-2 diferia substancialmente dos já conhecidos coronavírus e se assemelhava principalmente a coronavírus relacionados encontrados em morcegos e pangolins. Isto já traz um indicativo forte de uma origem natural, semelhanças com a versão de um animal silvestre que ocorre na região e que é conhecida por dar a origem a doenças zoonóticas.

As origens mais prováveis ​​para o SARS-CoV-2 seguiram um dos dois cenários possíveis. O primeiro parte da ideia de que o vírus evoluiu para seu estado patogênico atual através da seleção natural ainda em um hospedeiro não-humano (como o morcego) e depois pulou para nossa espécie. Foi assim que surgiram os surtos anteriores de coronavírus, com humanos contraindo o vírus após exposição direta a civetas (SARS) e aos camelos (MERS). Os pesquisadores propuseram os morcegos como o reservatório mais provável para o SARS-CoV-2, pois é muito semelhante a um coronavírus de morcego. Contudo,há semelhanças também com pangolins, o que deixa uma incerteza sobre quem foi o doador do vírus.

Não há casos documentados de transmissão direta de morcego-humano. Nesse cenário, as características distintivas da proteína spike do SARS-CoV-2 – a porção RBD que se liga às células e o local de clivagem que abre o vírus – teriam evoluído para seu estado atual como um tipo de “pré-adaptação” antes da entrada nos seres humanos. Nesse caso, a epidemia atual provavelmente teria emergido rapidamente assim que os humanos fossem infectados, pois o vírus já teria desenvolvido todas as características que o tornam patogênico.

No outro cenário proposto, uma versão não patogênica do vírus saltou de um hospedeiro animal para o homem e depois evoluiu para seu atual estado patogênico na população humana. Por exemplo, alguns coronavírus de pangolins, mamíferos semelhantes ao tatu encontrados na Ásia e na África, têm uma estrutura RBD muito semelhante à do SARS-CoV-2. Um coronavírus de um pangolim poderia possivelmente ter sido transmitido a um ser humano, diretamente ou através de um hospedeiro intermediário, como civetas ou furões (saiba mais aqui).

Então, a outra característica distinta da proteína Spike do SARS-CoV-2, o local de clivagem, poderia ter evoluído dentro de um hospedeiro humano, possivelmente através de circulação não detectada limitada na população humana antes do início da epidemia. Os cenários ainda estão abertos, mas de qualquer forma o coronavírus estava no local e no momento certo para pular em nossa espécie.

O segundo aspecto importante é a contribuição humana para adquirir um vírus. Os vírus que afetam humanos não surgem por geração espontânea. Eles vêm de formas naturais e isoladas de vírus que existem em alguma área silvestre infectando animais selvagens. Ele passa a atuar em humanos na medida em que o contato é estabelecido. Geralmente pelo desmatamento e expansão territorial de centros urbanos ou áreas rurais em que o homem entra em contato direta ou indiretamente com essas partículas que outrora estavam isoladas. A infecção pode ocorrer pelo contato direto entre o homem e um animal silvestre que serve como vetor da partícula (como foi o caso recente da febre amarela) ou o animal silvestre entra em contato com o animal de estimação que então é infectado e descarrega a carga viral em seu dono.

É neste ponto que está uma das graves falhas dos líderes políticos não ouvir o que a ciência diz. Quando a ciência indica os riscos do desmatamento e eles são ignorados, epidemias podem desencadear. O Brasil é um país que tem potencial para escancarar uma extensa diversidade viral em suas áreas silvestres uma vez que são bastante biodiversas.

Nas últimas duas décadas, houve acúmulo de evidências científicas indicando que o desmatamento, inicia complexas cadeias de efeitos, estabelecendo condições para que se espalhe entre os humanos uma vasta gama de microrganismos e promova a disseminação doenças infecto-contagiosas como os vírus Nipah, a febre de Lassa, os parasitas causadores da malária e da doença de Lyme (borreliose). A história da humanidade é cheia de exemplos da sua relação com os vírus e hospedeiros silvestres.

O estilo de vida agricultor Neolítico era sedentário e as pessoas viviam em meio aos seus próprios rejeitos, o que acabava atraindo roedores transmissores de doenças ou ainda, a produção agrícola atraia roedores devido excesso de grãos armazenados. Clareiras abertas pelos agricultores também ofereciam um habitat propício à proliferação de mosquitos transmissores, como o da malária. Com o desenvolvimento das grandes cidades, populações ficaram ainda mais aglomeradas e a facilidade das infecções se tornou maior diante de condições sanitárias precárias – especialmente na Europa da Idade Média. Com o desenvolvimento de rotas de comércio principalmente na Era Romana acabaram unindo populações de toda a Europa, Ásia e norte da África, e foi nesse momento que a varíola chegou a Roma, com a peste do Antonino que matou milhões de cidadãos romanos entre 165 e 180.

Cerca de 60% das novas doenças infecciosas manifestadas em seres humanos (como o HIV, o Ebola e o Nipah) se originaram em animais silvestres e foram transmitidas por uma gama de outros animais até alcançar nossa espécie. Em um estudo publicado em 2015, pesquisadores da Ecohealth Alliance – organização sem fins lucrativos de Nova York que acompanha as doenças infecciosas no mundo todo – junto a outros pesquisadores, descobriram que cerca de um em cada três surtos de doenças emergentes (que se manifestam pela primeira vez e ainda é desconhecida pela ciência) está relacionado à mudança no uso da terra, como o desmatamento.

Além disto, o alastramento de doenças infecciosas para os humanos é facilitado nos trópicos porque a diversidade geral da fauna e dos microrganismos de grande patogenicidade é maior. Nessas regiões, já se estabeleceu uma relação causal entre o desmatamento e diversas doenças transmitidas por uma vasta gama de animais que vão desde insetos hematófagos a moluscos. Além das doenças conhecidas, os cientistas sempre tiveram consciência de que diversas doenças ainda seriam desconhecidas e estão concentradas em florestas, aguardando a invasão do homem.

Há muito tempo os surtos epidemiológicos são atribuídos a bodes expiatórios convenientes, desde os tempos das 10 pragas do Egito, as epidemias medievais que costumavam ser atribuídas a judeus ou hereges e até teorias de conspiração mais recentes. Ora, na Idade Média vivíamos em uma atmosfera de ignorância científica onde as pessoas acreditavam nas doenças e pragas como manifestações divinas e não em uma origem microscópica material. Embora ainda sejamos ignorantes em muitos aspectos da ciência, não faz mais sentido acreditar que doenças são punições divinas. Essa mesma capacidade que temos hoje de estudar os microrganismos e entender uma doença surgem deve ser utilizada para saber separar o componente real das ilusões que o senso-comum cria a respeito das doenças.

Toda vez que algo desconhecido surge à primeira impressão que o homem cria é negativa, desconfiada e pautada no medo. Nomear é uma forma de tornar conhecido algo desconhecido que nos mete medo. É assim que as pragas foram identificadas como manifestações divinas de castigos. Nos tempos atuais, qualquer agente patogênico que surge nosso senso-comum recorre a este mecanismo e antes mesmo de entender cria suas conclusões que podem se cristalizar na mente humana como verdade absoluta e tornam-se ignorância. Antes mesmo do SARS-CoV-2 e a COVID-19 ser nomeada grupos sociais conspiracionistas mergulhados no senso-comum criaram uma identificação, origem do vírus e estabeleceram-nas como auto-verdades. Para estes grupos pouco importa o que a ciência vai dizer sobre o vírus, a forma da terra, mudanças climáticas ou teoria da evolução. Para estes grupos a ciência é parte de um teatro global que omite a verdade em uma conspiração muitas vezes ideológico-religiosa que somente profetas do youtubers e internautas do facebook sabem desmascarar e revelar a verdade. A partir daí se a ciência descobrir algo que pode ser utilizado para a crença conspiratória será usada. A pseudociência nasce assim: as conclusões científicas são ajustadas ao que o senso-comum conspiracionista precisa para fortalecer a crença pessoal e o que estiver desalinhado a ela é simplesmente farsa criada para enganar a todos. Foi dessa maneira que o SARS-CoV-2 saiu da científica categoria de doença zoonótica e se tornou uma arma biológica conspiranóica.

Podemos olhar científica e criticamente a questão das armas biológicas no caso do coronavírus e novamente, as evidências correm no sentido oposto. Por mais equivocada ou absurda que essa especulação tenha sido, a guerra biológica é um assunto real e as nações se interessaram pelo desenvolvimento de armas biológicas, mas o SARS-CoV-2 está longe de ser uma arma biológica.

A atual crise de saúde que vivemos começou ainda em outubro/novembro de 2019 quando incluiu acusações de guerra biológica. A existência de um laboratório avançado de virologia em Wuhan alimentou algumas teorias e acusações de que a China havia desencadeado a pesquisa de origem e ataque mundial. Enquanto isso, alguns comentaristas chineses e iranianos afirmaram que foi justamente o oposto, um ataque americano. Mais adiante, surgiram alegações de que é uma arma dirigida contra muçulmanos ou Israel. De repente, o coronavírus deixou de ser uma doença zoonótica e virou bode expiatório. Chegou ao bizarro caso de chamarem o coronavírus de “comunavírus” por ter surgido na China (Washington Post, 2020).

Nenhum deles está certo por diversos motivos especialmente científicos e práticos. Começando pelo que biológica e geneticamente já sabemos sobre o vírus e pelos fatos básicos a respeito dos motivos e competências na criação da suposta arma biológica.

O fato básico é que existe sim um laboratório de nível de biossegurança quatro (BSL-4) situado em Wuhan, China, a cidade onde todo o surto começou. E de fato, o laboratório abrigou alguns tipos de coronavírus entre outros patógenos. Mas existir um laboratório de biossegurança que possuía coronavírus não indica por si só que o patógeno foi fabricado lá. Como você provavelmente sabe, a proximidade por si só não deve implicar culpa.

As instalações da BSL-4 possui o mais alto nível de segurança entre os bio-laboratórios, pois trabalham com agentes potencialmente perigosos, como o Ebola, a febre de Lassa e os vírus de Marburg. Assim sendo, não é como se as pessoas dentro desses laboratórios estivessem brincando com os vírus e colocando-os nos bolsos e entrando e saindo do local espalhando a COVID-19. Para ser designado como BSL-4, o laboratório precisa ter os sistemas de ventilação, paredes reforçadas, sistemas de segurança e construção apropriados para manter as coisas perigosas dentro. Trata-se de um ambiente profundamente competente em esterilizar seus pesquisadores.

Pode ser que tenha ocorrido uma falha de biossegurança? Sim, claro! Mas recorremos aqui a fala de Carl Sagan.

Portanto, não é incomum Wuhan ter uma instalação BSL-4. De fato, existem pelo menos seis instalações BSL-4 nos EUA em Atlanta, Geórgia, Frederick, MD, Galveston, TX, Hamilton, MT e San Antonio, TX. De acordo com o site da Federação Americana de Cientistas, outros sete estão sendo projetados ou possivelmente finalizados em várias cidades, como Boston, MA e Richmond, VA. Esses laboratórios nos EUA também estudam e abrigam uma variedade de patógenos perigosos. Então, ter um laboratório que estuda patógenos ruins não significa que o laboratório tenha liberado nada.

Se a China supostamente teria criado e liberado o vírus, o fez de modo absurdamente incompetente, pois teria prejudicado seu próprio território, dizimando muitos de seus cidadãos e prejudicando a própria economia. O PIB chinês contraiu-se 6,8% no primeiro trimestre de 2020, segundo dados publicados. Trata-se do primeiro retrocesso em quase meio século, provocado pela paralisação de sua economia em consequência da crise do coronavírus.  Ainda no começo do ano a China já indicava déficit de pelo menos 13,5% em janeiro e fevereiro, em comparação com o mesmo período do ano passado, enquanto as vendas do comércio recuaram 20,5% e os investimentos, 25%. Portanto, estão acusando a China, uma das maiores, senão a maior economia mundial atualmente, de planejar um ataque biológico que prejudicou a si mesmo. Por que ela faria isto?

Por outro lado, há a alegação de que militares dos EUA lançaram o vírus na China. A questão é: onde exatamente está a evidência real de que os militares dos EUA criaram o SARS-CoV-2?

Também vale lembrar que os EUA saíram bastante prejudicados em termos econômicos e de vidas perdidas. Mas como vimos, se os EUA tivessem entrado em isolamento social apenas 2 semanas antes do momento em aderiram a quarentena, cerca de 90% das vidas estadunidense teriam salvas. Teria os EUA assassinado os próprios cidadãos em troca de um ataque biológico à China?

O diálogo alternativo do presidente Donald Trump continuou, referindo-se ao SARS-CoV2 como o “vírus chinês” defendendo a tal tese absurda, como é característico do presidente. É o mesmo Trump que defendeu injetar desinfetante para curar as pessoas do coronavírus e que causou uma onda de intoxicação nos EUA, dentre tantas outras citações absurdamente pseudocientíficas do presidente.

Não faz sentido algum chamar o vírus de chinês porque não é uma arma biológica projetada e porque pode estimular a criação de um estigma social ao país que prejudica a coleta de dados epidemiológicos. Caso contrário, poderíamos passar a chamar a Gripe Espanhola de Gripe Americana? O fato da Gripe Espanhola surgir no interior dos EUA não significa que a doença foi projetada intencionalmente para fins geopolíticos.

O que sabemos de fato até o momento é que nenhum dos teóricos da conspiração de ambos os lados forneceram quaisquer evidências convincentes de que o SARS-CoV-2 foi produzido em laboratório, seja nos EUA, na China ou na Escola de Bruxaria do Harry Potter. Apenas apresentaram crenças cômodas ao ego muitas vezes pautadas em suas ideologias. Como partimos da lógica saganista “Alegações extraordinários exigem evidências extraordinários”. Onde estão e porque não foram apresentadas?

De fato, não apenas faltam evidências que apoiam essas teorias da conspiração, mas também crescem os números de evidências científicas de uma origem biológica uma vez que se um humano quisesse criar uma arma viral, ele teria começado com a estrutura de um vírus que já é conhecido por causar doenças nas pessoas.E isto facilmente seria identificado em uma analise molecular.

O vírus não está agindo como uma arma biológica, até porque, as melhores armas biológicas matam a uma taxa muito mais alta e podem ser prontamente transportadas e liberadas.

Imagine ser informado de que uma arma biológica pode levar a vida de 1% a 3,4% das pessoas infectadas, mas você não sabe exatamente quais. A diferença entre SARS-CoV2 e patógenos como o vírus ebola ou antrax é como comparar um conjunto de sofás com uma coleção de mísseis. Certamente, atirar sofás nas pessoas pode ocasionar em alguns danos, mas não de maneira previsível e consistente como se atirássemos mísseis. Se alguém realmente decidiu desenvolver o SARS-CoV2 como uma arma biológica, essa pessoa precisa encontrar um novo emprego, pois sua incompetência é gritante (Forbes, 2020).

A premissa de que um vírus deve ser produzido pelo homem simplesmente porque faz mal é o auge da arrogância antropocêntrica.

Quando se trata de vírus criados pelo homem, esse é um campo com apenas algumas décadas de idade. Foi somente em 1898 que Friedrich Loeffler e Paul Frosch estudaram a fundo o que depois veio a ser conhecido como o agente causador da febre aftosa, partículas minúsculas. Descobriu-se assim que os pesquisadores no fundo estavam estudando partículas que afetavam os animais foram nomeadas de vírus (Rooney, 2018). A descoberta dos vírus é absolutamente recente, tem cerca de 122 anos, a biologia molecular que permite estudar a genética dos seres vivos tem quase 70 anos e sequer temos conhecimento da biodiversidade viral do mundo. Hoje, cerca de 4 mil vírus são conhecidos e a estimativa de diversidade passa dos milhões.

Os laboratórios não criam vírus de maneira tão organizada ou prática quanto à mãe natureza e seus bilhões de anos. É fácil demonstrar que um determinado vírus não é uma criação de Frankenstein costurada a partir de RNA ou DNA de outras coisas. Pois é assim que um vírus criado pelo homem se parece. A análise genética mostrou que esse vírus não é produzido pelo homem.

Além disto, há razões evidentes pelas quais as reivindicações da guerra biológica secreta não fazem sentido alguma. Podemos analisar a história, a estratégia militar e a geopolítica, bem como as ciências da vida para descartar este cenário.

As pessoas que pensam em um cenário de guerra biológica e as armas biológicas são muito mais influenciadas por uma visão romantizada da ficção científica e pouco compreendida do que a realidade. É como comparar o que os dinossauros eram realmente segundo os paleontólogos com o que o cinematográfico Jurassic Park pinta ser um dinossauro. São absolutamente distintos!

Durante a Guerra Fria, tanto o Oriente quanto o Ocidente gastaram muito dinheiro e esforços científicos não apenas na corrida espacial, mas em guerra biológica adotando uma corrida armamentista clandestina.

Na ficção científica, os agentes de guerra biológica são as armas do dia do juízo final projetadas para destruir o planeta terra. No mundo real, aqueles que desenvolveram armas biológicas nunca tiveram o objetivo de produzir pandemias. Em vez disso, gastaram tempo, dinheiro e esforço em projetos concretos e objetos compreensíveis, e não o caos pelo caos. E como a tecnologia nuclear, depois de observar o potencial das bombas nucleares no Japão descobriu-se que não é interessante para nenhum país utiliza-la. O uso de uma bomba nuclear esterilizaria o local, impedindo de ser colonizado posteriormente. Assim, sua funcionalidade é melhor em termos energéticos.

Ainda nas décadas de 1950 e 1960, quando indiscutivelmente ocorreu o apogeu da pesquisa sobre guerra biológica, os defensores entendiam e mantinham um princípio básico: você não quer que o patógeno que você criou volte e deixe seu próprio povo doente. Todas as nações, incluindo a China e os EUA sabem disto!

Quando você olha para os agentes desenvolvidos nos velhos tempos, tanto no leste quanto no oeste, vê coisas como antrax, a toxina do botulismo, tularemia, febre Q, encefalite equina venezuelana e uma variedade de doenças que afetam a agricultura. Uma porcentagem alta do programa dos EUA era anti-agrícola e não pretendia tornar as pessoas doentes. Os agentes biológicos usados como armas eram dispersados na forma de aerossóis e não eram facilmente contagiosos de pessoa para pessoa. Isso significava que eles poderiam ser direcionados. Até as melhores armas biológicas eram extremamente ineficientes e imprevisíveis, mas não de maneira que as fizessem explodir loucamente em populações inteiras.

Os governos trabalharam com agentes contagiosos de pessoa para pessoa, mas esse trabalho quase sempre envolvia agentes como a peste e a varíola, onde havia drogas ou vacinas que podiam proteger uma população amigável. Existe um conceito em epidemiologia chamado Número Básico de Reprodução (R0), que é um cálculo de quantas pessoas uma pessoa infectada continua infectando. Em uma população não vacinada, o R0 do sarampo é cerca de 12, ou seja, uma pessoa consegue transmitir sarampo a outros 12 indivíduos. O SARS-CoV-2 tem o R0 em torno de 2,2.

Há muitas outras opções de armas biológicas com transmissividade muito maior e R0 muito melhores para esta finalidade. Para fins de guerra biológica, você normalmente deseja um R0 de zero para evitar infectar populações amigas e a si mesmo. Ninguém e nenhum governo em sã consciência gasta tempo e dinheiro projetando uma arma que afeta tanto o alvo quanto sua população. A transmissividade alta e o efeito nocivo à vida sempre é direcionado no inimigo e não na própria população. Quando se pensa em características de um agente ideal para ser utilizado em uma guerra biológica, o coronavírus passa longe. A COVID-19 não é o tipo de coisa que alguém passaria anos desenvolvendo para ter um efeito tão fraco. Se o SARS-COV-2 fosse uma arma biológica, ele mata ou incapacita desproporcionalmente os idosos e pessoas vulneráveis, mas deixa a população economicamente produtiva viva em sua imensa maioria e imunizada. Não parece ser uma arma biológica bem planejada.

O grupo etário que mais morre com o coronavírus é o dos idosos ou de pessoas com comorbidades. Que governo colocaria velinhos como alvo do vírus?

Os dados são da China mas que representam o que ocorre no mundo. Os idosos são os mais acometidos pela COVID-19. Podemos considerar uma boa arma biológica aquela que ignora a população economicamente ativa e que mata majoritariamente idosos? Fonte: BBC

Um período de incubação longo e variável é considerado uma característica ruim para armas biológicas. Essas características ruins poderiam ser o resultado de um trabalho muito mal feito. Uma arma biológica deve matar o mais rápido possível, mantendo o R0 para evitar propagação.

Alguns poderiam então pensar que talvez se trata de um projeto de arma biológica que vazou antes de ser ajustado? Não, porque não funciona dessa maneira e por causa de suas características genéticas acima mencionadas.

Esse coronavírus é um produto final totalmente ajustado apenas pela natureza e claramente não teria utilidade com arma biológica. A única teoria do “vazamento” que é remotamente plausível é que um laboratório chinês estava estudando algo que encontrou na natureza, como logicamente se esperaria, o que fez seu caminho para o mundo inteiro por meio de alguma alteração terrivelmente forçada dos protocolos de segurança. Essa alegação, como vimos, tem pouca substância. De qualquer forma, essa explicação seria trágica e não sinistra.

Tanto a China quanto os Estados Unidos têm excelentes laboratórios defensivos adequados para descobrir se um ataque biológico deliberado aconteceu. Embora os Estados Unidos e a China tenham rivalidades econômicas, políticas e regionais, ambos sabem que uma guerra não é benéfica para eles e que liberar, mesmo que acidentalmente, um vírus produzido em laboratório levaria a um resultado ruim a ambos. A China iniciando uma guerra real, em oposição a uma guerra comercial, com os Estados Unidos não faz sentido. Além disto, os Estados Unidos, que não têm um programa de armas biológicas desde 1970 e infringir suas próprias leis para iniciar uma guerra com a China também não faz sentido algum.

Isso leva à pergunta final. Quem realmente se beneficia ao fabricar esse coronavírus e liberá-lo deliberadamente na China? Ninguém!

Atos de guerra química e biológica no passado sempre tiveram um objetivo, mesmo quando praticados por organizações estranhas como Aum Shinrikyo, no Japão, que tentava matar a gerência de nível médio e superior na Agência Nacional de Polícia. Como a China ou os Estados Unidos ou qualquer outra pessoa realmente se beneficia da pandemia da COVID-19? Esses dois países que são potencias econômicas com certeza saem economicamente prejudicados como todos aqueles que se tornaram epicentros da doença.

Este é um evento natural fruto de nossa relação desastrosa com a natureza e não fruto de nossa desastrosa maneira de fazer tecnologia. Algo certamente saiu do controle, e não adianta acusar a outra nação. O que saiu dos trilhos foi nossa relação com ao ambiente que está absolutamente prejudicada.

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Conclusão

É verdade que as autoridades do governo chinês tentaram encobrir evidências sobre o surto e silenciar os cientistas, mas nada até agora sugere que as origens do vírus começaram em um laboratório. Não há evidências de que o SARS-CoV-2, o novo coronavírus responsável pela pandemia de Covid-19, seja de origem artificial, disseram especialistas da Organização Mundial da Saúde e o Dr. Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia dos EUA e doenças infecciosas.

As alegações de que o vírus foi criado em laboratório foram propostas sem nenhuma evidência. Donald Trump e o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, ambos alegaram ter evidências. “Há uma enorme evidência de que foi aí que isso começou”, disse Pompeo à ABC’s This Week.  Mais tarde, ele acrescentou: “Posso dizer que há uma quantidade significativa de evidências de que isso veio daquele laboratório em Wuhan”. No entanto, ele voltou atrás nessas alegações quando lhe disseram que a inteligência dos EUA havia feito um anúncio formal alegando que não haviam encontrado evidências para sugerir isso. A Organização Mundial da Saúde pediu para ver as evidências extraordinárias dessas alegações extraordinárias.

Algumas pessoas sugeriram que o foco do governo nessa falácia é mais uma tentativa de desviar a atenção da lenta resposta a pandemia dos EUA, após sua decisão de cortar o financiamento para a Organização Mundial da Saúde. Pompeo afirmou na mesma  entrevista de rádio: “Não sabemos se veio do Instituto Wuhan de Virologia. Não sabemos se emanou do mercado úmido ou de algum outro lugar. Nós não sabemos essas respostas”.

No momento em que mais precisamos usar a razão e a ciência algumas parcelas da população e de líderes políticos se voltaram a suas crenças pessoais e convicções fixadas no senso-comum.

Momentos como este deveriam suscitar pesquisa e entendimento racional e não pseudociência, irracionalidade e notícias falsas. Ao menos aqui no Brasil a pandemia desencadeou uma enxurrada de notícias falsas, não apenas referente à origem do vírus como arma biológica, mas até a ideia de que a tecnologia 5G interferiria na imunidade.

Em Birmingham e no condado de Merseyside na Inglaterra antenas de telefonia móvel 5G foram incendiadas devido essas crenças conspiracionistas. O pior é que a tecnologia 5G ainda nem estava em operação, ainda esta sendo instalada. Em países como Irã e o Brasil, que tem casos de coronavírus ainda nem implantaram a tecnologia.

A ideia por trás dessa afirmação é que o sistema imunológico seria enfraquecido pelas ondas da tecnologia 5G, tornando as pessoas mais suscetíveis a pegar o vírus. Uma variação bizarra dessa conspiração é que o vírus pode, de alguma forma, ser transmitido através do uso da tecnologia 5G.

Nosso sistema imunológico pode ser afetado por diversos fatores (dieta, estress, mudanças no clima, consumo de drogas líticas e ilícitas, radiação, doenças, sono, sedentarismo) e afetar nossa saúde, mas as oscilações que supostamente o 5G provocaria não ocorrem. As ondas emitidas pela tecnologia 5G não são suficientemente potentes para causar algum efeito prejudicial ao sistema imune. Sequer são ondas de radiação ionizantes.

Ondas de rádio poderiam atrapalhar a fisiologia e o sistema imune à medida que o aquecem, o que significa que seu sistema imunológico pode não funcionar. Mas os níveis de energia das ondas de rádio 5G são minúsculos e não estão nem perto o suficiente para afetar o sistema imunológico. Existem muitos estudos sobre isso. As ondas de rádio envolvidas no 5G ou em outras tecnologias de telefonia móvel ficam na extremidade de baixa frequência do espectro eletromagnético. Menos poderosos que a luz visível, eles não são fortes o suficiente para danificar células, ao contrário da radiação na extremidade de maior frequência do espectro, que inclui os raios solares e os raios-X usados na medicina (BBC, 2020).

Portanto, são várias as especulações e absurdos que passaram a rodear o caso do coronavírus. No caso de sua origem, a conclusão é clara: a análise do SARS-CoV-2 por cientistas do Instituto Wuhan de Virologia e por outros pesquisadores constatou que o genoma do vírus é 96% semelhante ao coronavírus encontrado em morcegos de Yunnan. Mas há uma diferença crucial, as proteínas spike dos coronavírus têm uma unidade chamada domínio de ligação ao receptor (RBD), que é essencial para o sucesso na entrada de células humanas. O domínio de ligação ao SARS-CoV-2 é particularmente eficiente e difere de maneiras importantes do vírus do morcego de Yunnan. A descoberta de que pangolins tem um domínio de ligação ao receptor quase idêntico à versão humana deixa ainda mais claro uma origem natural. Como o genoma do coronavírus encontrado em pangolins era apenas 90% semelhante ao SARS-CoV-2, em comparação com os 96% de semelhança do morcego faz com os pesquisadores sugiram que o pangolim não era o intermediário – ou uma possível recombinação genética entre o coronavírus de morcegos e pangolins, algo que é comum ocorrer nesse grupo viral.

Não há evidências de que o coronavírus tenha sido geneticamente modificado. Mesmo que o novo coronavírus tenha algumas diferenças genéticas em relação a outros vírus conhecidos devido a mutações, não há evidências de que esse seja o resultado de um experimento humano. Se o vírus fosse manipulado, os cientistas esperariam ver material genético adicional em seu genoma. O fato de o vírus acumular variações ao circular pelo mundo e gerar 3 cepas ligeiramente distintas reforça ainda mais a origem natural do patógeno.

Também é historicamente documentado que a relação humana com o ambiente tem engatilhado e disparado epidemias, o que por si só nos faz suspeitar que este é mais um caso do desastroso modo de operação humano.

Outro sinal muito claro de que uma epidemia ou pandemia desencadeada por algum coronavírus vinha dos surtos que tivemos com a SARS e com a MERS.  Essa sinalização já vinha sendo dada há muito tempo. Um artigo publicado em 2007, nomeado “Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus as an Agent of Emerging and Reemerging Infection” traça um panorama dos avanços científicos desde a descoberta do SARS. No final o artigo os autores apontam para a alta possibilidade de reemergência da SARS dizendo:

“A comunidade médica e científica demonstrou maravilhosos esforços no entendimento e controle da SARS em um curto período de tempo, como é evidente por mais de 4.000 publicações disponíveis on-line. Apesar dessas conquistas, ainda existem lacunas em termos da base molecular da estabilidade física e da transmissibilidade desse vírus, da base molecular e imunológica da patogênese da doença em humanos, testes de triagem para casos SARS precoces ou enigmáticos, procedimentos de controle de infecção infalíveis para atendimento ao paciente, antivirais eficazes ou combinações antivirais, a utilidade de agentes imunomoduladores para casos tardios, uma vacina eficaz sem aprimoramento imunológico e o hospedeiro animal imediato que transmitiu o vírus as civetas enjauladas no mercado no início da epidemia. Sabe-se que os coronavírus sofrem recombinação genética, o que pode levar a novos genótipos e surtos. A presença de um grande reservatório de vírus do tipo SARS-CoV em morcegos-ferradura, juntamente com a cultura de comer mamíferos exóticos no sul da China, é uma bomba-relógio. A possibilidade de reemergência da SARS e outros vírus novos de animais ou laboratórios e, portanto, a necessidade de preparação não deve ser ignorada”.

Em poucas palavras, as chances são estrondosamente favoráveis ​​à teoria de que o coronavírus saltou dos animais para os seres humanos. O fato de o SARS-CoV-2 se assemelhar a SARS-CoV e MERS-CoV é um forte indicativo. Todos os três vírus parecem ter se originado em morcegos.

Em resumo, as características do novo coronavírus estão alinhadas com o entendimento atual de que os coronavírus fazem o salto de animais para pessoas. Se foi sintetizado artificialmente pelo homem para atuar como arma biológica, evidências extraordinárias disto precisam ser apresentadas, caso contrário, segue na ilusão de conspiração e longe dos fatos.

Victor Rossetti

Palavras chave: NetNature, Rossetti, Coronavírus, SARS-CoV, SARS-CoV-2, MERS, Arma biológica, Geopolítica, Conspiracionismo.

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Referências

Diamond, J. Armas, germes e aço. Editadora Record. 1998.
Rooney, A. A história da biologia. Edtiroa Mbooks. 2018

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