A MOSTARDA É UM PRODUTO DA GUERRA EVOLUCIONÁRIA ENTRE PLANTAS E LAGARTAS.

As plantas produzem óleos de mostarda para combater as pragas em um conflito químico que vem sendo travado há milhões de anos.

Uma pequena borboleta de repolho (Pieris rapae) paira sobre uma planta de mostarda (Sisybrium officinale). Embora a borboleta possa parecer inofensiva o suficiente, suas lagartas se envolvem em uma guerra química com os parentes cultivados dessa planta de mostarda. (Tom Blackwell/Flickr CC BY-NC 2.0).

Há uma corrida armamentista acontecendo em seu jardim e ela se desenrola na mesa da cozinha. As plantas que querem permanecer vivas produzem compostos desagradáveis ​​para deter os insetos. Mas os compostos que fazem os insetos empacarem, fazem alguns humanos babar.

Os óleos de mostarda  são um exemplo. Eles fornecem a base de muitos condimentos comuns, como raiz-forte, mostarda e wasabi. Compostos dentro dos óleos chamados glucosinolatos fornecem sabores acentuados que fazem adições picantes a um cachorro-quente ou sushi. Mas, para os insetos, esses óleos podem ser tóxicos e mortais, como Roger Meissen explica em um post para o blog Decoding Science da Universidade de Missouri.

Plantas Brassicales – principalmente mostardas pretas e brancas, mas também brócolis, couve e repolho – produzem glucosinolatos para combater as pragas de insetos. Em resposta, alguns insetos como a borboleta do repolho surgiram com produtos químicos destinados a desintoxicar os glucosinolatos.

Tanto as plantas quanto os insetos desenvolveram continuamente novos compostos e mecanismos para combater uns aos outros em uma guerra química em andamento, relataram os pesquisadores navrevista Proceedings of the National Academy of Sciences. Hoje, as plantas Brassicale produzem 120 glucosinolatos diferentes. Uma história dessa corrida armamentista pode ser vista até nos genes dos organismos.

Os pesquisadores escrevem que, há cerca de 90 milhões de anos, os ancestrais das plantas de Brassicales começaram a produzir glucosinolatos. Cerca de dez milhões de anos depois, as lagartas desenvolveram seu próprio arsenal de defesa. De acordo com suas pesquisas, a guerra tem fases em que as plantas desenvolveram um novo conjunto de compostos e as borboletas desenvolveram um novo conjunto de defesas contra toxinas para combatê-las. Isso aconteceu três vezes nos últimos 90 milhões de anos. Ambos os lados conseguiram isso fazendo novas cópias de genes que acabaram neutralizando glucosinolatos, em vez de apenas ajustar os originais.

“Essas plantas duplicaram seu genoma e essas múltiplas cópias de genes desenvolveram novas características como essas defesas químicas e então as borboletas repolho responderam desenvolvendo novas maneiras de lutar contra elas”, disse Chris Pires, biólogo da Universidade de Missouri e coautor em o estudo. À medida que as plantas desenvolveram novos compostos, às vezes também se diversificaram em novas espécies.

Fonte: Smithsonian Magazine

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