AQUECIMENTO GLOBAL AUMENTA DESIGUALDADES ECONÔMICAS.

O aumento das temperaturas globais aumenta as desigualdades entre países ricos e pobres. Isso é demonstrado por uma nova análise que cruzou os dados sobre os efeitos do aquecimento global nas diferentes regiões da Terra com os da variação do produto interno bruto per capita

Mudança média anual na temperatura média da superfície em diferentes regiões do mundo devido às atividades humanas. (Crédito: N. Diffenbaugh e M Burke).

O aquecimento global tende a acentuar as desigualdades econômicas entre as nações. É a conclusão de um estudo publicado no Proceedings of National Academy of Sciences por Noah S. Diffenbaugh e Marshall Burke, ambos da Universidade de Stanford.

O estudo faz parte de uma corrente de pesquisa que, na última década, realizou várias análises para quantificar o impacto do aumento das temperaturas médias globais na agricultura, nos ecossistemas e na saúde humana. A avaliação do impacto econômico do aquecimento global e seus efeitos nas desigualdades entre países ricos e pobres é particularmente complexa, mas de grande importância.

Os resultados dos estudos realizados até agora confirmam o que pode ser facilmente adivinhado a partir de considerações gerais: os países mais pobres são mais propensos a sofrer os efeitos negativos do aquecimento global, em termos ambientais, e seus habitantes em termos de qualidade de vida, economia e saúde. Isto é em parte porque esses países e seus cidadãos têm poucos meios de se defender contra o fenômeno do aquecimento global e em parte porque eles tendem a viver nas áreas mais quentes da Terra, onde um aumento adicional na temperatura média pode prejudicar a produtividade do trabalho, em particular o agrícola e as condições de vida.

Além disso, os países mais ricos são os que historicamente emitiram mais gases de efeito estufa e, portanto, são os principais culpados pelo aquecimento global em andamento. A mitigação de emissões deve, portanto, também ser considerada uma questão de eqüidade social.

Diffenbaugh e Burke coletaram dados sobre crescimento econômico e flutuações de temperatura para quantificar o impacto do aquecimento global devido às atividades humanas na distribuição do produto interno bruto per capita para as várias nações. Eles então consideraram os modelos climáticos mais compartilhados pela comunidade científica para estimar qual seria a evolução climática da Terra na ausência de emissões de gases de efeito estufa.

A análise dos dois autores mostrou que entre os países mais pobres o produto interno bruto per capita diminuiu entre 17 e 31% no período 1961-2010 devido ao aquecimento global. E se dividirmos todos os países em dez grupos baseados em riqueza, veremos que entre o primeiro e o último grupo o gap econômico é 25% maior do que o que ocorreria sem a contribuição humana para o aumento das temperaturas. O efeito, segundo os pesquisadores, é duplo, porque o aquecimento global aumenta o crescimento econômico em países mais frios e diminui em outros mais quentes.

Segundo os autores, portanto, mesmo se nos últimos cinquenta anos as desigualdades entre as nações tenderem a diminuir, existe uma probabilidade de 90% de que o aquecimento global tenha retardado essa diminuição. Em outras palavras, mesmo que não esteja claro se os países mais ricos se beneficiaram do aumento das temperaturas, há uma probabilidade de mais de 90% de que os países mais pobres tenham atingido um produto interno bruto mais baixo do que teriam sem aquecimento global.

Fonte: Le Scienze

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