ENTRE LOBOS E URSOS.

Geralmente quando os cientistas se focam na biologia e na ecologia dos canídeos lembramos quase que diretamente do processo de seleção artificial que o homem produziu a aproximadamente 10 mil anos quando domesticou o lobo e deu origem aos cães. O homem domesticou também o gato (embora seja uma domesticação especial que retratarei outro dia) assim como diversas plantas inclusive gerando espécies novas. Basta olhar o mundo das orquídeas e veremos espécies e variedades delas criadas artificialmente pelo homem. Muitos criacionistas dizem que a seleção artificial não ser como exemplo de que a seleção natural existe porque a seleção artificial nunca criou espécies novas. Errado, basta olhar para a domesticação de vários tipos de plantas e animais. Eu comumente uso o exemplo do peixe beta (Betta splendens), que foi uma criação exclusivamente do homem pela seleção artificial.

Quando falamos em canídeos pensamos diretamente na domesticação do cão, mas a proposta deste texto é olhar a evolução dos canídeos sob a ótica da evolução, mas com outras perspectivas.

Para tal, devemos nos focar a 40 milhões de anos atrás quando os miacídeos, placentários carnívoros foram substituídos por três novas famílias, os Canidae, Cuonidae e Otoncinonidae representado pelos Otocyon megalotis

Otocyon megalotis

Os Canidae compreendem os cães e todos os seus parentes próximos, como o cão, lobo e raposa como o peculiar feneco Vulpes zerda). O registro fóssil mais antigo dos membros da família dos Canidae é o Hesperocyon gregarius do gênero Hesperocyon datado em aproximadamente 37 milhões de anos no Norte da America, próximo ao final do Eoceno e inicio do período Oligoceno. Na verdade não temos uma sequencia de fósseis que vem de lá do ancestral mais antigo de 40 milhões de anos até o surgimento do lobo. Essa sequencia de fosseis não é tão evidente como no caso das baleias onde claramente se vê os processos de transição de ambiente terrestre para aquático ou a série de mais de 25 fosseis de transição dos dinossauros até as aves.

O que a ciência tem fósseis que sabidamente estão ligados a evolução dos canídeos mas que ainda não se conectam formando uma arvore tão evidente quanto a que vemos nos cetáceos e no grupo dos répteis/aves.

De fato, somente a 35 milhões de anos atrás começam a aparecer os ancestrais mais próximos do cão atual e do lobo, são os animais que pertenciam ao gênero Canis. Durante o termino do Oligoceno a 23 milhões de anos atrás parece ocorrer uma pequena redução nas populações, uma afunilação da biodiversidade deste grupo. Aparentemente neste momento começam a surgir os ancestrais dos Ursídeos que parecem estar ligados a linhagem dos canídeos. De fato o ultimo grupo de mamíferos a surgir foram os Ursídeos

Vulpes zerda bem semelhante ao Otocyon megalotis

No Mioceno (entre 22 e 5 milhões de anos) ocorre o aparecimento do gênero flacion e principalmente pelo gênero Mesocion, cujo os fósseis revelam uma arcada dentária compatível com a de nosso cão atual, portanto evidencias muito forte de relações evolutivas. A radiação e diversidade desses animais grande a tal ponto de evidencias para nós gêneros como o Cynodesmus, que são semelhantes aos coiotes e os Tomarctus e Leptocyon que se aproximam morfologicamente aos lobos atuais.

No Mioceno da América do Norte há fósseis de Canis Lepophagus, cães que migraram para a Ásia e África no Plioceno e só retornaram a América no Pleistoceno á 11 mil anos atrás. O Canis etrucus, apesar de pequeno porte e datado em 1,5 milhões de anos é considerado o ancestral do lobo na Europa, o Canis Cypio deu origem aos coiotes e chacais a 8 milhões de anos atrás.

Alguns sítios arqueológicos no Norte da Europa mostram o surgimento dos grandes lobos, e alguns sítios na Índia o dos lobos pequenos. Os registros de cães datam cerca de 30 mil anos, próximo ao tempo em que o Homo sapiens Cro-magno estavam colonizando toda a Europa e posteriormente o mundo. Isto pode demonstrar uma domesticação anterior aquela que estamos acostumados a ouvir. O cão que conhecemos hoje é uma domesticação de um canídeo selvagem, no caso o lobo Canis lupus, os coiotes descendem do Canis patrans e o chacal Canis aurus.

O uso do DNA mitocondrial destas espécies revelou semelhança de 99,8% entre o cão e o lobo e 96% entre o cão e o coiote. A existência de mais de 45 sub-espécies de lobos ainda revelou que as elas podem estar relacionadas com as diferenças raciais dos cães, consequentemente é possível inferir que o lobo foi domesticado mais do que uma única vez, de fato, pode ter sido domesticado diferentes “raças”de lobos por diferentes grupos tradicionais “primitivos” de homens. Há sobreposição da ocupação de áreas onde o cão e do homem viviam que datam mais de 40 mil anos.

Durante a transição do Pleistoceno parar o Holoceno (últimos 10 mil anos até hoje) a megafauna começou a ser extinta, então homem e lobo começaram a concorrer por alimento. O resultado foi o desenvolvimento de armas novas e ataque em bando semelhante a uma matilha. Após a domesticação que conhecemos do crescente fértil o homem daquela região percebeu que o lobo poderia ser seu aliado e acabou domesticando-o. Não que seja a única domesticação conhecida.

Desta forma o lobo ao longo dos milhares de anos foi sendo domesticado e adquirindo novas características morfológicas, alteração de padrões comportamentais que eles adquiriam do próprio homem. O cão reconhece o homem como o macho alpha e por isso geralmente é submisso a nós. Uma das características mais evidentes da domesticação do cão é a neotenia (preservação de características juvenis em adultos), redução do tamanho e diminuição da cana nasal e a docilidade.

Mas e o que os ursos tem a ver com os cães?

Os Ursidae foram os últimos mamíferos de grande porte a surgirem, os ursos surgiram entre 6 e 8 milhões de anos e se espalhou da Eurásia para todo o planeta, exceto na África. Os ursos descendem de uma linhagem muito antiga que é representada pelo Ursus spelaeus ou urso das cavernas, um parente antigo dos cães.

Ursus spelaeus

Ao longo do tempo adotou diferentes ambientes com pressões seletivas distintas e que culminou numa grande diversidade apesar de ser um dos últimos a surgir. Muitos animais são confundidos com os ursos, como o urso panda (Ailuropoda melanoleuca) ou o panda-vermelho (Ailurus fulgens). O urso panda na realidade não é um urso e sim um ailuropode, mas e muito semelhante a um urso verdadeiro. Essencialmente uma característica que é muito usada para definir se um animal é um urso é a presença de um dente pré-molar pontiagudo. Entretanto, a presença deste pré-molar pontiagudo esta presente até nos pandas, mostrando uma convergência muito grande.

A diversidade de ursos é tal que o urso polar Tharlarctos maritimus que vive no ártico mal é considerado terrestre já que vive mais tempo dentro das águas geladas caçando. Possuem patas dianteiras mais largas que a de seus parentes terrestres, já que elas atuam como remos durante a natação. O urso preguiça Ursus ursinus tem adaptações morfológicas semelhantes ao do tamanduá que o permite capturar formigas e cupins.

Para se ter uma idéia da relação de parentesco entre esses animais veja o esquema ao lado, onde se pode ver a relação entre ursos e cães. Também pode ser vista a relação entre diferentes animais, os membros da família Mustelidae. Os mustelídeos são animais de pequeno e médio porte, englobando a doninha anã, lontra, texugo e ariranha.

Os Procyonidae são animais endêmicos das Américas. Entretanto, muito se discuti ainda, pois o panda-vermelho é muitas vezes incluso no grupo por alguns autores.

Viverridae é uma família de mamíferos carnívoros que inclui as civetas, ginetas e aliados. São animais pequenos e leves, geralmente arborícolas. O habitat mais comum é a floresta tropical, mas vivem também em savanas.

A família dos Hyaenidae compreende o grupo das hienas e do lobo da terra que vive em Savanas e na Ásia.

Scritto da Rossetti

Palavras cahve: Rossetti, Netnature, Lobos, Ursos, Cães.

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