Aedes aegypti – A EPIDEMIOLOGIA DA DENGUE

No Brasil, o mosquito Aedes aegypti havia sido erradicado na década de 1950; entretanto, nas décadas de 1960 e 1970 ele voltou, vindo dos países vizinhos que não conseguiram promover a sua total erradicação. Aqui descrevemos um pouco sobre a biologia básica deste mosquito, as estratégias de contenção da espécie, e dados epidemiológicos dos vírus da dengue com a finalidade de informar a população, e ao mesmo tempo desmistificar dados errados ou mal-intencionados em relação ao surto do Aedes. Para tal, buscamos o que há de concreto sobre o assunto nos artigos científicos, nas estratégias adotadas para a contenção e dos casos.

Aedes aegypti. Fonte: João P. Burini

Aedes aegypti. Fonte: João P. Burini

O Aedes aegypti é um mosquito que pode ser reconhecido por manchas brancas sobre as suas pernas e uma marcação em forma de lira na superfície superior do tórax. O Aedes é uma espécie da família Culicidae e apesar de ter se originado na África (Mousson et al, 2005), hoje é encontrado em regiões tropicais e subtropicais em todo o mundo (Womack, 1993).

A espécie foi nomeada primeiramente como Culex aegypti em 1757 por Fredric Hasselquist em seu tratado “Iter Palaestinum” (Hasselquist, 1757). Hasselquist forneceu os nomes e a descrição da espécie a seu mentor, Carl Linnaeus, grande taxonomista importante na história da biologia. Seu trabalho foi traduzido para o alemão e publicado em 1762 como “Reise nach Palästina”. O nome do mosquito passou a ser conhecido após a reprodução dessas obras e começou a ser chamado de Aedes aegypti com H.G Dyar somente em 1920. Para estabilizar a nomenclatura zoológica, uma petição à International Commission on Zoological Nomenclature foi feita pela PF Mattingly, Alan Stone, e Kenneth L. Knight, em 1962 (Mattingly et al, 1962) pediu para manter o nome Aedes aegypti que era universalmente aceito para se referir ao mosquito da febre amarela. Linnaeus tinha descrito outra espécie no mesmo gênero, chamada de Aedes (Ochlerotatus) caspius (Mattingly et al, 1962). Em 1964, a Comissão decidiu a favor da proposta, validando o nome Aedes aegypti graças a Linnaeus (International Commission on Zoological Nomenclature).

O mosquito da febre amarela pertence à tribo Aedini da família dípteros e ao gênero Aedes e subgênero Stegomyia. De acordo com uma análise recente, o subgênero Stegomyia deve ser visto como gênero (Reinert et al, 2004). A mudança de nome proposto foi ignorada pela maioria dos cientistas (Polaszek, 2006), mas o periódico científico Journal of Medical Entomology tem incentivado oficialmente autores que tratam mosquitos para continuar a usar os nomes tradicionais, a menos que tenham razões específicas para não o fazer (Journal of Medical Entomology Policy on Names of Aedine Mosquito Genera and Subgenera).

O nome Aedes aegypti deriva do grego (ἀηδής – aēdēs) referindo-se a “odioso” e ægypti, proveniente do latim referindo-se ao Egito. É uma nomenclatura taxonômica formalizada cientificamente para um mosquito que popularmente é chamado de mosquito-da-dengue ou pernilongo-rajado (Ferreira, 1986).

O A. aegypti se encontra hoje apto a sobreviver em zonas urbanas, incluindo domicílios (áreas sombreadas e no peridomicílio) onde possam encontrar uma condição favorável a sua procriação, a água parada. Ele deposita seus ovos em pequenas quantidades de água limpa (pobres em matéria orgânica, em decomposição e sais, que conferem características ácidas), embora ultimamente tenha ocorrido casos em que ele depositou seus ovos em águas relativamente sujas.

As fêmeas realizam a hematofagia (alimentação por sucção do sangue de mamíferos) e podem percorrer até 2.500 metros voando, mostrando um grande alcance, o que dificulta o seu controle caso não haja cooperação da população na luta para evitar o acumulo de água em ambientes urbanos (Neves et al, 2000). O A. aegypti é considerado vetor de doenças graves, como dengue, febre amarela, o vírus zika e chikungunya. O controle das suas populações é considerado assunto de grande urgência na saúde pública tomando proporções internacionais.

O A. aegypti é ativo durante o dia, é neste período que ele pica, diferente do Anopheles (vetor da malária), que tem atividade crepuscular. A dificuldade de seu controle como vetor se dá pela sua versatilidade em criadouros e pelo fato de seus ovos serem resistentes a variações ambientais. O ovo pode sobreviver incubado por meses até que a chegada das chuvas. Os ovos em água eclodem e liberam larvas, que dão origem às pupas, das quais, seguindo o caminho de desenvolvimento de insetos holometábolos (com ciclo de metamorfose completo) dá origem ao indivíduo adulto.

Devido sua alta capacidade adaptativa, a expansão deste mosquito a partir do seu habitat original foi rápida. O A. aegypti foi introduzido na América do Sul através de barcos provenientes de África trazendo escravos. A colonização a partir de navios negreiros no período colonial permitiu a entrada deste mosquito que pode ser considerado um animal exótico, ou seja, introduzido em um ambiente na qual ele não se originou. Na década de 50 o A. aegypti havia sido erradicado. O epidemiologista brasileiro Oswaldo Cruz comandou uma campanha intensa contra o mosquito afim de combater à febre amarela. Em 1958, a Organização Mundial da Saúde declarou o país livre do mosquito.

Nas décadas seguintes voltou a assolar o país vindo dos países vizinhos que não haviam conseguido promover a sua total erradicação. Foi erradicado novamente em 1973 e retornou mais uma vez três anos mais tarde. Atualmente não se fala mais em erradicação porque o país é muito grande e tem muitas entradas para o mosquito se reestabelecer. Há muito mais gente vivendo em cidades, e a circulação de pessoas pelo mundo com a globalização aumentou muito. Os recursos humanos e financeiros para exterminá-lo seriam enormes (G1, 2015).

Hoje, o Aedes está presente em 23 países países do continente americano (El Pais, 2016) nas regiões tropicais da África chegando à Ilha da Madeira, em Portugal, ao estado da Flórida, nos Estados Unidos. Em alguns locais, sua população é controlada devido à competição com outra espécie de mosquito do mesmo gênero, o Aedes albopictus. Apesar da competição, hoje sabe-se que a espécie A. albopictus também é capaz de atuar como vetor da dengue, bem como de vários tipos de encefalite equina. No Brasil, o único que transmite a dengue, zika e chikungunya é a espécie A. aegypti.

Mapa global da distribuição prevista de Aedes aegypti em 2015. O mapa mostra a probabilidade de ocorrência (de 0 azul para um vermelho) com uma resolução espacial de 5 km × 5 km.

Mapa global da distribuição de Aedes aegypti em 2015. O mapa mostra a probabilidade de ocorrência (de 0 azul para um vermelho) com uma resolução espacial de 5 km × 5 km.

Não são todos os casos em que o Aedes aegypti tem papel negativo, pois nem todo mosquito desta espécie esta infectado com o vírus da dengue, zika ou chikungunya. Apenas as fêmeas picam, com a finalidade de amadurecer seus ovos, e se torna infectadas (ou vetores) quando sugam o sangue de alguém já infectado com um desses vírus. A partir deste momento o A. aegypti terá o vírus instalado em seu corpo, mas ainda não é capaz de transmiti-lo. Durante 10 ou 12 dias, os vírus se disseminam pelo organismo do mosquito, se multiplicam e invadem suas glândulas salivares. A fêmea se torna então infectiva e, somente a partir daí, poderá transmitir o vírus a outra pessoa. Quando a fêmea pica alguém sadio acaba liberando parte da saliva infectada com um vírus. O mosquito tem substâncias analgésicas e anticoagulantes em sua saliva que a ajuda a não ser notada durante a picada, e que ajuda a sugar o maior volume possível de sangue. Neste processo, as partículas de vírus são injetadas na corrente sanguínea da pessoa sadia e a pessoa pode contrair uma dessas enfermidades.

Um percentual muito baixo de A. aegypti está infectado com o vírus dengue, porque nem todas as fêmeas picam uma pessoa com um destes três vírus, e porque nem todos os mosquitos que picam alguém com o vírus dengue conseguem sobreviver até o momento em que se tornam infectivos. Desta forma, quanto maior a longevidade média de uma população de mosquitos, maior a chance de que ela possua indivíduos que consigam se tornar infectivos. E claro, quanto menor o esforço que as fêmeas fazem para colocar seus ovos, maior a garantia de longevidade da população. O esforço das fêmeas acontece em dois momentos principais de sua biologia: procurar uma fonte de sangue (necessária para maturação de seus ovos) e para depositar seus ovos (que precisam do ambiente aquático adequado para eclodir e se desenvolver em estágios de larva, pupa e adulto). Quanto maior a disponibilidade de locais aquáticos para que as fêmeas depositem seus ovos, maior a chance de ter uma população longeva de mosquitos e maior a chance de encontrar mosquitos infectivos capazes de transmitir qualquer um destes vírus (Instituto Oswaldo Cruz – Fio Cruz). A melhor estratégia é eliminar os criadouros potenciais do mosquito, uma vez que isto garante a diminuição dos casos de dengue, zika e chikungunya. Certamente o mosquito não desaparecerá completamente como ocorreu na década de 50 e 70, pois exigiria uma ação mais intensa, demandando verbas altas demais e devido a problemas de fronteira, mas certamente diminuirá casos de transmissão, infecção e morte.

O genoma do A. aegypti foi sequenciado e estudado por um consórcio que inclui cientistas do Instituto J. Craig Venter, Instituto Europeu de Bioinformática, do Instituto Broad e da Universidade de Notre Dame e foi publicado em 2007. O esforço de sequenciamento seu DNA foi destinado a fornecer novos caminhos para pesquisas em produção de inseticidas e alterações genéticas para impedir a propagação dos vírus levados pelo inseto (Kowalski, 2007). Os dados publicados comportam 1,38 bilhões de pares de bases contendo cerca de 15.419 genes que codificam as proteínas do mosquito. A sequência indica que a espécie divergiu da mosca-de- frutas Drosophila melanogaster há cerca de 250 milhões de anos atrás, enquanto o Anopheles gambiae (outra espécie de mosquito que também teve seu genoma sequenciada) divergiu da mosca-de-frutas há cerca de 150 milhões de anos (Nene et al, 207).

O A. aegypti foram também geneticamente modificados com a intenção de suprimir a espécie na tentativa de conter o avanço das três doenças que ele vetoriza. A ideia foi usar a esterilização do inseto como ferramenta na contenção da propagação das doenças. Os mosquitos ficaram conhecidos como OX513A e foram desenvolvidos pela empresa Oxitec, da Universidade de Oxford e da subsidiária da Intrexon (NYSE: XON). Os testes de campo nas Ilhas Cayman, Brasil e Panamá têm mostrado que os mosquitos OX513A reduziram as populações de mosquitos alvo em mais de 90% (Carvalho et al, 2015; Kelland, 2015).

O efeito de supressão da população do inseto é conseguido através um gene auto-limitador que impede que a prole sobreviva. Mosquitos geneticamente modificados do sexo masculino, que não picam ou transmitem doenças, são liberados para acasalar com as fêmeas selvagens. Sua prole então herda o gene auto-limitador (que nada mais é que um alelo letal) e morre antes de atingir a idade adulta, antes que possam se reproduzir ou espalhar doenças. Os mosquitos OX513A e seus descendentes também carregam um marcador fluorescente para monitoramento. Para produzir mais mosquitos OX513A para projetos de controle, o gene auto-limitador é desligado na produção do mosquito usando o antibiótico tetraciclina, o que permite que os mosquitos voltem a se reproduzir naturalmente. No meio ambiente, este antídoto não está disponível e assim a população da praga é suprimida (Curtis et al, 2015). Os efeitos desta técnica não são tóxicos e os espécimes geneticamente modificados cruzam com outros A. aegypti. Os insetos libertados e seus descendentes morrem e não persistem no ambiente (Gorman et al, 2015). No Brasil, os mosquitos geneticamente modificados foram aprovados pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para lançamentos em todo o país. O município de Piracicaba, no interior de São Paulo, lidera a primeira parceria do mundo para a liberação de mosquitos OX513A (Alford, 2014). Com os resultados, a Câmara dos Lordes, do Parlamento do Reino Unido, apelou para que o governo britânico apoie mais pesquisas sobre insetos geneticamente modificados (Aedes albopictus e os mosquitos Anopheles que propagam a malária) para a saúde global (Release potential of GM insects to fight disease and pests).

No dia 19 de janeiro de 2016 a empresa britânica Oxitec anunciou que seu mosquito geneticamente modificado conseguiu reduzir em 82% a quantidade de larvas do mosquito Aedes aegypti em um bairro de Piracicaba (São Paulo). A cidade passou por um intenso surto de dengue, mas no bairro de Cecap/Eldorado, em 2015, foram registrados apenas nove casos de dengue após o uso do mosquito modificado, em contrapartida ao que havia sido registrado no ano anterior, cerca de 124 notificações. Durante o período em que a tecnologia foi utilizada cerca de 25 milhões de mosquitos machos estéreis foram liberados no bairro alvo. De acordo com o prefeito da cidade, haverá uma nova unidade de produção dos insetos com capacidade de atender uma população de 300 mil pessoas, lembrando que a Oxitec tem uma unidade em Campinas. A Oxitec será contratada pelo poder público para fornecer um pacote de serviços envolvendo desde treinamento de agentes públicos ao combate de possíveis epidemias de dengue até a produção efetiva de mosquitos modificados. A empresa já tem aval da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para operar devido a metodologia segura apresentada. A Oxitec agora aguarda a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) conceder autorização para comercialização deste pacote de serviços. Se aprovada, o Brasil se tornará o primeiro país do mundo a autorizar o uso de mosquitos geneticamente modificados em caráter comercial. A prefeitura gastou R$ 150 mil para auxiliar os trabalhos com os mosquitos geneticamente modificados. E segundo a Oxitec, a extensão do projeto para testes deve ser realizada no centro de Piracicaba. Em 2014, quando Oxitec se instalou em Campinas divulgou o exemplo de uma estimativa de custo para a cidade. Para realizar o programa de contenção do mosquito em uma cidade de 50 mil habitantes foi estimado um gasto entre R$ 2 milhões e R$ 5 milhões para o primeiro ano e nos anos seguintes o custo anual cairia para R$ 1 milhão. Segundo o prefeito de Piracicaba, a implementação do mosquito geneticamente alterado em Piracicaba vai cobrir uma área de 35 mil a 60 mil habitantes, quando o centro da cidade for incluído no projeto.

Outros testes já haviam sido feitos em 2011 na cidade de Juazeiro, na Bahia, e mostraram redução efetiva do mosquito; acima de 80% na população selvagem. Alguns experimentos apontaram uma redução de até 93% de redução do Aedes aegypti que vive na natureza. O uso dos mosquitos da Oxitec na época foram feitos em parceria com a organização Moscamed. Em outros testes realizados antes em Piracicaba, a empresa também obteve bons números na redução do mosquito. Em Juazeiro a redução foi de 80% na população de larvas de Aedes aegypti e para a população de mosquitos adultos houve a redução de 95%. Os resultados foram descritos num estudo que passou por revisão independente e publicado na revista “PLoS Neglected Tropical Diseases” em julho de 2015. Em 2010, testes nas ilhas Cayman, no Caribe, também obtiveram sucesso, com redução de 82% na população do mosquito. Um teste realizado em Jacobina (BA) relatou redução de 79%.

Um problema que muitas vezes surge quando se trata de controle de doenças ou organismos geneticamente modificados é que pessoas mal-informadas ou mal-intencionadas divulgam dados ultrapassados ou teorias que não tem suporte algum. Por exemplo, muitas pessoas defenderam que não há dados conclusivos sobre a redução em 79% do mosquito Aedes aegypti em Jacobina, mas os dados foram constatados tanto pela Oxitec, quanto pela Moscamed (neste último apresenta até um portal para se informar sobre).

Na época em que Juazeiro passava por testes de contenção do mosquito a partir do uso das variantes geneticamente modificadas muitos agroecologistas participaram de um ato contra o uso dessas variantes. A alegação era que a mutação produzida pela tecnologia traria resultados que seriam obscuros ao futuro do mosquito.

O problema é que a dispersão do mosquito Aedes aegypti tomou proporções continentais, a limpeza de possíveis criadouros do mosquito sozinha não interrompe o surto que hoje abrange mais do que o Brasil e se estende a tantos outros países. Mesmo a presença de predadores como libélulas e outros predadores que tem o mosquito como parte integrante de sua dieta, não solucionaram o problema. Se tratando de grandes centros urbanos a dispersão das doenças causadas pelo mosquito-vetor são evidentemente rápidas. O segundo ponto é que os agroecologistas devem saber que o mosquito é um animal exótico, e que foi introduzido aqui. É necessário um controle mais efetivo a este animal exótico, especialmente por se tratar de um vetor. O uso de organismos geneticamente modificados deve ser feito somente em último caso, quando outras estratégias de contenção não funcionam ou necessitam de complementação.

Toda atividade que poderia demandar o uso de organismos geneticamente modificados precisa ser previamente estudada e avaliada cientificamente, com o rigor do método científico e a segurança para que em um caso de controle de pragas (ou mesmo na questão da agricultura) seja adotada se for necessária, e com ele a melhor estratégia. No caso do mosquito da dengue nenhuma outra medida de contenção tem dado resultados satisfatórios. O uso de mosquitos geneticamente modificados não é a solução definitiva, ele é parte de uma ação efetiva múltipla, mais ampla que demanda também processos de educação ambiental, políticas públicas descentes, mobilização coletiva de controle e conscientização para diminuir ao máximo o número de criadouros, participação do poder público na fiscalização, incentivo ao controle e principalmente, condições descentes na saúde publica para auxiliar pessoas que contraírem os vírus. Isto demanda exames médicos rápidos e pessoal capacitado para a identificação da doença. O uso de organismos geneticamente modificados é somente uma ponta (igualmente importante) de um processo e de um habito que a população das cidades grandes precisa desenvolver e aceitar.

Quando reduzimos a população de uma espécie de mosquito, outra espécie pode ocupar o lugar, como o Aedes albopictos, que sabidamente já pela ciência transmite dengue, malária e a febre amarela e para esta espécie é preciso controle, que na maioria das vezes ocorre da mesma forma que se controla o mosquito da dengue. Portanto, ações efetivas contra um mosquito também ocorrem para o outro. Não há qualquer estudo que comprove que haja risco de que uma possível mutação do vírus gere uma doença ainda mais virulenta que a dengue; ou que outras espécies de mosquitos sejam contaminadas pelo vírus da dengue; ou que o mosquito sofreram mutações são extremas que mudará completamente sua biologia. Há também aqueles que dizem que mosquitos geneticamente modificados e programados para morrer vão sobreviver e transmitir sua mutação a geração seguinte. Esta posição cogitada por grupos opositores do uso de mosquitos geneticamente modificados é especulativa e carece de artigos que o respaldem. Toda liberação de mosquitos geneticamente modificado vai induzir a prole a morte antes de chegar a idade adulta para a reprodução, e portanto, não haverá transmissão a próxima geração. Considerando que a cada período favorável ao mosquito haverá surto, haverá também a re-inserção de machos geneticamente programados para esterilizar a geração seguinte das fêmeas. Portanto, não há dados que justifiquem esta afirmativa especulativa dada por grupos opositores aos mosquitos geneticamente modificados. O uso de organismos geneticamente modificados deve ser visto como uma tecnologia favorável e não por uma paixão negacionista beirando a tecnofobia. A única necessidade é que estudos prévios sobre cada caso seja feito para que se adote a melhor postura possível e que utilizem organismos geneticamente modificados quando de fato eles forem a melhor estratégia.

Outra estratégia para contenção do mosquito vem da utilização de A. aegypti infectados pela bactéria Wolbachia. Esses mosquitos poderiam ser criados em laboratório para que sejam liberados no campo com objetivo de transmitirem seus caracteres genéticos ou patógenos adquiridos no laboratório para os mosquitos urbanos selvagens promovendo o controle populacional nas áreas liberadas. Não há ainda relatos de eficácia dessa metodologia na profilaxia da dengue, zika e chikungunya. Tampouco há relatos de testes de campo comprovando a eficácia na supressão populacional do A. aegypti com essa técnica no meio urbano brasileiro. É importante notar que esses ensaios no campo precisam também respeitar os aspectos éticos exigidos nas pesquisas envolvendo seres humanos nas resoluções do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Ministério da Saúde, como também alguns pré-requisitos éticos recomendados (Wermelinger etal, 2014).

Para encontrar um hospedeiro, os mosquitos A. aegypti são atraídos por compostos químicos emitidos pelos mamíferos, por exemplo: amoníaco, dióxido de carbono, ácido láctico e octenol. Cientistas americanos do Agricultural Research Service estudaram a estrutura química específica de octenol para entender melhor porque este produto químico atrai o mosquito para o seu hospedeiro (O’Brien, 2010). Eles descobriram que o mosquito tem preferência por moléculas octenol dextrógiras. Existem algumas formas na qual é possível afastar a ocorrência do mosquito. Muitos repelentes comerciais tem pouco tempo de duração ou nenhum efeito, ao contrário de DEET (sigla em inglês para Produtos Particularmente Concentrados) (Rodriguez, et al, 2015). A pulverização é um método que pode auxiliar na prevenção da doença.

Uma forma comum de combater o mosquito, é dispersar uma nuvem de inseticida – técnica popularmente conhecida como “fumacê” que não é muito eficiente, pois o componente químico tem de entrar em um espiráculo localizado na estrutura toráxica do animal. Assim, a maneira mais eficiente de matar o animal é quando ele esta voando, algo difícil tratando-se de uma espécie que fica na maior parte do tempo em repouso. Levamos de 20 a 30 anos para desenvolver um inseticida que seja eficaz no controle populacional do animal, mas em dois anos, ele perde sua eficácia por causa do uso abusivo (G1, 2015).

O fumacê geralmente utiliza com a substância pesticida a cipermetrina em bombas pequenas que são utilizadas pelos agentes de saúde para exterminar o mosquito infectado em locais onde foram notificados casos – quebrando a cadeia viral-, e com o larvicida (como o Pyriproxyfen) em bombas grandes acopladas em veículo, quando se detecta focos da dengue. A cipermetrina é biodegradável, mas mesmo assim, por ser da mesma classe que a deltametrina (que extermina piolhos), demanda cuidado no uso.

Outro problema recorrente é que inseticidas para controle do Aedes aegypti têm sido colocados em debate devido ao papel evolutivo que tem imposto aos mosquitos criando insetos resistentes, quando usados de modo inadequado. Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), reforçar essa ideia. Os mosquitos de populações naturais e aqueles mantidos sob pressão de seleção no laboratório foram testados quanto ao nível de resistência ao larvicida organofosforado temephós e ao adulticida piretróide deltametrina.

Piretróides são os mais utilizados. São compostos químicos sintéticos que têm origem da piretrina, um éster do ácido crisantêmico produzido pelas plantas do gênero Chrysanthemum.  Eles são decompostos pela luz do Sol na atmosfera em um a dois dias, e não tem efeito sobre a qualidade da água de subsolo. Os piretróides são venenos axônicos que trabalham por manter os canais de sódio abertos nas membranas neurais dos insetos. O canal de sódio é um pequeno orifício através do qual os íons sódio são permitidos de entrar no axônio e causam a excitação neuronal. Ao bloquear canais membranares no sistema nervoso central leva à hiperexcitabilidade neuronal e consequente morte do animal (Universidade Federal do Rio de Janeiro)

A pesquisa realizada pela Fiocruz identificou que a resistência tem um custo evolutivo para o vetor, afetando seu desenvolvimento, tempo de vida e reprodução. Foram realizados diversos testes com mosquitos de populações naturais provenientes de cinco cidades brasileiras; Fortaleza (CE), Maceió (AL), Uberaba (MG), Aparecida de Goiânia (GO) e Cuiabá (MT). Também foi feita uma experiência de “pressão de seleção” com inseticida piretróide (utilizado contra o mosquito adulto) em laboratório com vetores originários de Natal (RN). Esta pressão de seleção foi feita por nove gerações consecutivas de mosquitos, divididos em um grupo mantido com inseticida e outro sem inseticida. O estudo concluiu que o processo de resistência a inseticidas é capaz de gerar desvantagens biológicas para o próprio vetor. O uso contínuo desses compostos químicos seleciona população de Aedes resistentes, mas pode trazer de carona efeitos negativos à fisiologia normal do inseto, tornando-o menos competitivo em ambientes livres de inseticida.  Este custo evolutivo leva a sobrevivência do animal, mas passará a ter menos aptidão para acasalar, exigindo maior tempo para chegar à fase adulta e a quantidade de ovos colocados pela fêmea será menor (IOC/Fiocruz).

Uma forma simples de tentar combater o mosquito é o uso de armadilhas de mosquito. Embora o tempo de vida de um adulto de A. aegypti seja de aproximadamente duas a quatro semanas, dependendo das condições, os ovos podem ser viáveis para mais de um ano em um estado seco, o que permite que o mosquito ressurgir depois de um inverno frio ou estiagem. Então a melhor estratégia neste sentido é evitar acumulo de água em ambientes, como sugere o site do Governo Federal no Brasil. Uma vez por semana durante 15 minutos é necessário limpar o quintal e observar se há possíveis criadouros da larva deste mosquito. Aconselha-se manter bem tampados as caixas d’água, tonéis e barris nos quintais, colocar o lixo em sacos plásticos e manter a lixeira sempre bem fechada. Também é de grande ajuda não jogar lixo em terrenos baldios.

Se for guardar garrafas de vidro ou plástico, é bom manter sempre a boca para baixo. Não deixar água da chuva acumulada sobre a laje. E encher os pratinhos ou vasos de planta com areia até a borda ou colocar água sanitária, isto evita que o mosquito deposite seus ovos. Se for guardar pneus velhos em casa é necessário sempre retirar toda a água e manter os em locais cobertos, protegidos da chuva. Para aqueles que têm sistemas de captação de água dos telhados devido á crise hídrica que São Paulo (e estados do Sudeste em geral) é sempre bom conferir se há larvas e colocar um pouco de cloro ou água sanitária. É sempre aconselhável limpar as calhas com freqüência, evitando que galhos e folhas possam impedir a passagem da água. Lavar com frequência e com produtos que sejam nocivos as larvas qualquer recipientes utilizado para guardar água, pelo menos uma vez por semana pois o tempo de desenvolvimento dos mosquitos é muito curto. Os vasos de plantas aquáticas devem ser lavados com água e sabão, toda semana. É importante trocar a água desses vasos com freqüência.

O portal G1 tem dado noticias e atualizações cotidianamente sobre a problemática do mosquito A. aegypti e as respectivas doenças que ele vetoriza.

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Aspectos epidemiológicos da dengue (DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4)

A dengue é uma doença tropical infecciosa viral causada por 4 sorotipos que recebem o nome DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. A dengue é classificada como um arbovírus (vírus essencialmente transmitido por artrópodes) da família Flaviviridae (Ross, 2010)

Os seres humanos e outros mamíferos servem como hospedeiros naturais para certos grupos de vírus. Eles estão espalhados principalmente através de artrópodes vetores (principalmente carrapatos e mosquitos). A família Flaviviridae recebe o nome devido o vírus da febre amarela, onde flavus significa amarelo em latim. A febre amarela, por sua vez foi chamada assim devido sua propensão para causar icterícia em vítimas (Stanford.edu). Atualmente não existem mais do que 100 espécies nesta família viral, divididos entre quatro gêneros. As doenças associadas a esta família incluem os 4 tipos e causam; as hepacivírus que causa a hepatite; a pestivírus, que causa as síndromes hemorrágicas, aborto, doenças da mucosa fatal; e as flavivírus, que causam a febre hemorrágica e encefalite (ViralZone).

Não se sabe exatamente a origem do nome popular “dengue”, mas acredita-se que o termo seja derivado da frase “Ka-Dinga pepo”, do idioma africano Suaíli, que descreve a doença como sendo causada por um “espírito do mal” (CDC.eid). Inicialmente, era usada para descrever a enfermidade que acometeu os ingleses durante a epidemia que afetou as Índias Ocidentais Espanholas entre 1927 e 1928 (Marta, 2001). Foi trazida para o continente americano a partir do Velho Mundo, com a colonização no final do século XVIII. Entretanto, não é possível afirmar, pelos registros históricos, se as epidemias foram causadas pelos vírus da dengue, visto que seus sintomas são similares aos de tantas outras infecções, em especial, a febre amarela (Holmes et al, 1998).

Os vírus são minúsculos agentes que podem infectar uma variedade de organismos vivos, não só humanos (ou mamíferos em geral), mas também bactérias e plantas. Tal como outros vírus, a dengue é uma estrutura microscópica que somente pode replicar dentro de um organismo hospedeiro; é uma parasita intra-celular (Nature Education, 2004).

É possível que um dos primeiros registros de dengue tenha sido publicado na China, em uma enciclopédia médica da época da dinastia Jin, entre nos anos 265-420. Os chineses se referiam à doença como “veneno da água” e sabiam que havia alguma associação dela com insetos voadores (CDC.eid & Gubler, 1998). O principal vetor, o mosquito Aedes aegypti, se espalhou para fora da África durante os séculos XV a XIX, em parte devido ao aumento do comércio de escravos (Farra et al, 2012). Houve relatos de epidemias no século XVII, mas os primeiros registros mais plausíveis de dengue datam de 1779 e 1780, quando uma epidemia varreu a Ásia, África e América do Norte. Em 1906, a transmissão por mosquitos do gênero Aedes começaram a ser mais expressivas, e dessa época até 1940, as epidemias de dengue se tornaram frequentes (Gubler, 1998).

Em 1907, já havia sido constatado que a dengue é causada por um vírus, tornando-a a segunda doença na história, depois da febre amarela, de etiologia viral confirmada. Posteriormente, pesquisas de John Burton Cleland e Joseph Franklin Siler completaram a compreensão básica da transmissão da dengue (Henchal & Putnak, 1990).

Em 1943, Ren Kimura e Susumu Hotta isolaram pela primeira vez o vírus da dengue. Estes dois cientistas estavam estudando amostras de sangue de pacientes tiradas durante a epidemia de dengue em 1943, em Nagasaki, Japão.

A alteração na distribuição dos sorotipos de dengue. A distribuição dos sorotipos de dengue, em 1970 (a) e 2004 (b). © 2014 Nature Education.

A alteração na distribuição dos sorotipos de dengue. A distribuição dos sorotipos de dengue, em 1970 (a) e 2004 (b). © 2014 Nature Education. Clique para ampliar

Um ano depois, Albert B. Sabin e Walter Schlesinger isolaram independentemente do vírus da dengue. Ambos haviam isolado o vírus que hoje é identificado como dengue 1 (DEN-1). As infecções por dengue são causadas por quatro vírus estreitamente relacionados. Estes quatro sorotipos de vírus são chamadas assim porque cada um tem diferentes interações com os anticorpos no soro do sangue humano. Os quatro sorotipos são semelhantes e compartilham semelhanças em aproximadamente 65% dos seus genomas, mas mesmo dentro de um único sorotipo há alguma variação genética. Apesar destas variações, a infecção com cada um deles resulta na mesma gama de sintomas clínicos.

Na década de 1970, tanto DEN-1 e DEN-2 foram encontrados na América Central e na África, e todos os quatro sorotipos estavam presentes no Sudeste Asiático. Em 2004, no entanto, a distribuição geográfica dos quatro sorotipos tinha se espalhado amplamente. Agora todas as quatro variedades de dengue circulam em conjunto em regiões tropicais e subtropicais em todo o mundo.

Os quatro sorotipos da dengue compartilham o mesmo nicho geográfico e ecológico. Os cientistas acreditam que os vírus da dengue evoluíram em primatas não humanos e saltaram de um desses primatas para os seres humanos na África ou no sudeste da Ásia entre 500 e 1.000 anos atrás. Algumas referências científicas datam a origem a cerca de 2 mil anos (Holmes et al, 1998). Após se recuperar de uma infecção com um sorotipo dengue, uma pessoa tem imunidade específica somente contra esse sorotipo particular, mas como o sistema imunológico fica em alerta, os indivíduos acabam de certa forma protegido de infecções com os restantes três sorotipos de dois a três meses após a primeira infecção por dengue. Infelizmente, não é uma proteção a longo prazo. Após esse curto período, uma pessoa pode ser infectada com qualquer um dos restantes três sorotipos. Os pesquisadores notaram que as infecções subsequentes podem colocar indivíduos em maior risco a dengue mais grave do que aqueles que não tenham sido previamente infectados (Nature Education, 2004). Em 2013 um quinto sorotipo foi relatada (Normile, 2013).

Geneticamente, a taxa de substituição de nucleotídeos para este vírus tem sido estimada em 6,5 × 10-4 por nucleotídeos por ano, uma taxa semelhante à de outros vírus de RNA. O genótipo Africano e Americano foi estimadu em ter surgido entre 1907 a 1949. Este período inclui a I e a II Guerra Mundial, que foram associados com o movimento considerável de populações e perturbação ambiental, fatores conhecidos que podem ter promovido á evolução de novas espécies virais (Patil, 2011).

A acentuada propagação da dengue durante e após a Segunda Guerra Mundial tem sido atribuída a perturbações ecológicas. As mesmas tendências também levaram à disseminação de diferentes sorotipos da doença para novas áreas e ao surgimento da dengue causadora da febre hemorrágica. Esta forma grave da doença foi relatada pela primeira vez em 1953, nas Filipinas. Na década de 1970, a forma grave da doença tornou-se uma das principais causas de mortalidade infantil e apareceu também na região do Pacífico e na América (Gluber, 1998). A dengue hemorrágica e a síndrome do choque da dengue (se caracteriza por uma queda ou ausência de pressão arterial) foram observadas pela primeira vez na América do Sul e Central em 1981, a DENV-2 foi contraída por pessoas que haviam sido previamente infectadas com o DENV-1 vários anos antes (Gould & Solomon, 2008).

O genoma RNA do vírus da dengue contém cerca de 11 mil bases de nucleotídeos, que codificam as três tipos diferentes de moléculas de proteínas que formam a partícula viral, além de outras sete proteínas que apenas são encontradas em células hospedeiras infectadas e são necessárias para a replicação do vírus (Rodenhuis-Zybert et al, 2010).

Além disto, o genoma ainda inclui regiões não-codificantes curtas de RNA em ambas as extremidades 5 ‘e 3’ (Rodenhuis-Zybert et al, 2010; Hanley & Weaver, 2010). A classificação de cada sorotipo em genótipos frequentemente refere-se à região onde estirpes particulares são comumente encontradas ou foram encontrados em primeiro lugar.

O genoma do vírus de dengue é formado por um RNA de sentido positivo, isto significa que ele pode ser traduzido diretamente em proteínas. O genoma viral codifica dez genes. O genoma é traduzido como um polipeptídeo único, que em seguida é cortado em dez proteínas.

Dengue vírus genoma - O genoma do vírus da dengue codifica três estruturais (capsídeo [C], membrana [M], e envelope [E]) sete proteínas não estruturais (NS1, NS2a, NS2B, NS3, NS4A, NS4B e NS5) e. © 2010 Nature Publishing Group.

Genoma do vírus da Dengue – O genoma do vírus da dengue codifica três estruturais (capsídeo [C], membrana [M], e envelope [E]) sete proteínas não estruturais (NS1, NS2a, NS2B, NS3, NS4A, NS4B e NS5) e. © 2010 Nature Publishing Group. Fonte: Guzman, M. G. et al. Dengue: A continuing global threat. Nature Reviews Microbiology 8, S7–S16 (2010). Clique para ampliar

Três são proteínas estruturais: o capsídeo (C), um envelope (E), e as proteínas da membrana (M). Sete são proteínas não-estruturais: NS1, NS2a, NS2B, NS3, NS4A, NS4B e NS5. Estas proteínas não-estruturais desempenham um papel na replicação viral. A estrutura do vírus da dengue é aproximadamente esférica, com um diâmetro de aproximadamente 50nm. O núcleo do vírus é o nucleocápsideo, uma estrutura que é feita do genoma viral, juntamente com proteínas C. O nucleocápsideo está rodeado por uma membrana, o envelope viral, uma bicamada lipídica que é feita a partir do hospedeiro. Embutido no envelope viral há 180 cópias das proteínas E e M que se estendem através da bicamada lipídica. Estas proteínas formam uma camada exterior protetora que controla a entrada do vírus nas células humanas. O processo de replicação viral da dengue começa quando o vírus se liga a uma célula da pele humana. Após esta fixação, a membrana das células da pele dobra-se em torno do vírus e forma uma bolsa em que sela a partícula viral. Esta bolsa é chamada de endossoma.

estrutura de vírus da dengue O vírus de dengue tem uma forma aproximadamente esférica. Dentro do vírus é a nucleocápside, que é feita do genoma viral e proteínas C. A nucleocápside está rodeado por uma membrana chamado de envelope viral, uma bicamada lipídica que é feita a partir do hospedeiro. Embutido no envelope viral são proteínas E e M que se estendem através da bicamada lipídica. Estas proteínas formam uma camada exterior protectora que controla a entrada do vírus nas células humanas. © 2011 Nature Education

Estrutura de vírus da dengue – O vírus de dengue tem uma forma aproximadamente esférica. Dentro do vírus há um nucleocapsídeo, que é feita do genoma viral e das proteínas C. O nucleocapsídeo está rodeado por uma membrana chamada de envelope viral, uma bicamada lipídica que é feita a partir do hospedeiro. Embutido no envelope viral estão as proteínas E e M que se estendem através da bicamada lipídica. Estas proteínas formam uma camada exterior protetora que controla a entrada do vírus nas células humanas. © 2011 Nature Education

Uma célula normalmente usa endossomas para pegar as moléculas e partículas de fora. Sequestrando esta estrutura, o vírus da dengue é capaz de entrar na célula hospedeira. Uma vez adentrado no hospedeiro, o vírus penetra ainda mais profundamente o endossoma. Os pesquisadores descobriram que são necessárias duas condições para que o vírus da dengue possa sair do endossoma: o endossoma deve ser profundo no interior da célula onde o ambiente é ácido, e a membrana endossomal deve ter uma carga negativa. Estas duas condições permitem o envelope do vírus se fundir com a membrana endossomal e liberta o nucleocápsideo da dengue no citoplasma da célula (Nature Education, 2004).

Uma vez que é liberado para o citoplasma da célula, o nucleocapsídeo abre-se para liberar o genoma viral. Este processo liberta o RNA viral para o citoplasma que então sequestra a maquinaria da célula hospedeira para se replicar. O vírus usa os ribossomos no retículo endoplasmático rugoso do hospedeiro para traduzir o RNA viral e produzir os polipeptídeos virais. Estes, então são cortados para formar as dez proteínas da dengue. O RNA viral recém-sintetizado é colocado entre as proteínas C, formando um nucleocapidsídeo. O nucleocapsídeo entra no retículo endoplasmático e é rodeado pelas proteínas H e E. Este passo adiciona o envelope viral e a camada exterior de proteção. Os vírus imaturos viajam através do complexo de Golgi, onde amadurecem e convertem-se em sua forma infecciosa. Os vírus da dengue maduros são então liberados da célula e podem infectar outras células (Nature Education, 2004).

a replicação do vírus Dengue - O vírus da dengue atribui à superfície de uma célula hospedeira e entra na célula por um processo chamado endocitose. Uma vez profundamente no interior da célula, o vírus funde-se com a membrana endossomal e é libertado para o citoplasma. A partícula de vírus vem à parte, libertando o genoma viral. O ARN viral (ARNm) é traduzido num único polipéptido que é cortada em dez proteínas, e o genoma viral é replicado. montagem vírus ocorre na superfície do retículo endoplasmático (ER) quando as proteínas estruturais e ARN recém-sintetizado a partir do broto para ER. As partículas virais imaturas são transportados através da rede trans-Golgi (TGN), onde amadurecem e converter a sua forma infecciosa. Os vírus maduros são então liberados da célula e pode ir para infectar outras células.

A replicação do vírus Dengue – O vírus da dengue se liga à superfície de uma célula hospedeira e entra na célula por um processo chamado endocitose. Uma vez profundamente no interior da célula, o vírus funde-se com a membrana endossomal e é libertado para o citoplasma. A partícula de vírus vem à parte, libertando o genoma viral. O RNA viral (RNAm) é traduzido num único polipéptido que é cortado em dez proteínas, e o genoma viral é replicado. A montagem vírus ocorre na superfície do retículo endoplasmático (ER) quando as proteínas estruturais e o RNA recém-sintetizado brotam a partir do ER. As partículas virais imaturas são transportados através da rede trans-Golgi (TGN), onde amadurecem e convertem a sua forma infecciosa. Os vírus maduros são então liberados da célula e podem ir infectar outras células.  Fonte: © 2005 Nature Publishing Group Mukhopadhyay, S., Kuhn, R. J., & Rossmann M. G. A structural perspective of the flavivirus life cycle. Nature Reviews Microbiology 3, 13–22 (2005).

A proteína E do envelope é encontrada na superfície do vírus, é importante na ligação inicial da partícula viral para a célula hospedeira. Durante esta ligação várias moléculas que interagem com a proteína E viral (ICAM3-grabbing non-integrin, CD209, Rab 5, GRP 78 e a Mannose receptor) foram mostrados ter papel importante atuando como fatores mediadores de anexo e entrada viral (Navarro-Sanchez  et al, 2003; Tassaneetrithep et al, 2003; Krishnan et al, 2007; Jindadamrongwech  et al, 2004; Miller et al, 2008; Perera & Kuhn, 2008).

A proteína M (ás vezes chamada de prM) faz parte da estrutura da membrana que é importante na formação e de maturação da partícula viral e consiste em sete cadeias β-antiparalelas estabilizadas por três ligações dissulfureto (Perera & Kuhn, 2008).

O invólucro da glicoproteína do DENV maduro consiste em 180 cópias de cada um da proteína E e proteína M. O vírus ainda imaturo começa com as proteínas E e M formando 90 heterodímeros que dão um exterior espetado à partícula viral. Os botões imaturos de partículas virais viajam para o aparelho de Golgi. À medida que passa através da rede trans-Golgi (exposta a pH baixo) o meio ácido faz com que uma mudança conformacional na proteína E, levando a dissocia-lo a partir da proteína M e faz com que ele forme homodímeros E. Estes homodímeros repousam em um plano contra a superfície viral amadurecendo o vírus. A proteína M, em seguida, atua como uma proteína trans-membranar sob o escudo de proteína E do vírus maduro (Perera & Kuhn, 2008).

A proteína NS3 é uma protease de serina, bem como uma helicase de RNA e RTPase/NTPase. O domínio de protease consiste de seis cadeias-β dispostas em cilindros-β formados pelos resíduos 1-180 da proteína. A tríade catalítica (His-51, Asp-75 e Ser-135), encontra-se entre estes dois cilindros-β e a atividade é dependente da presença de um co-fator chamado NS2B. Este envolve o domínio de protease NS3 e torna-se parte do sítio ativo. Os resíduos restantes de NS3 formam os três subdomínios da helicase do vírus DENV (Perera & Kuhn, 2008).

A proteína NS5 é um peptídeo de 900 resíduos com um domínio metil-transferase na sua extremidade N-terminal e uma polimerase de RNA na sua extremidade C-terminal (Perera & Kuhn, 2008).

Como se nota, a descrição molecular do vírus da dengue é bem caracterizada pela ciência. De fato, se aplicarmos o método para estimar taxas de substituição de nucleotídeos para calcular o tempo de divergência de populações, a partir de dados conhecidos atualmente, notamos que os quatro sorotipos do vírus da dengue surgiram por volta de 2000 anos e que rapidamente aumentou sua a população viral, culminando em uma explosão da diversidade genética há aproximadamente 200 anos. Isto coincide com o aumento dos casos de dengue em registros históricos mais recentes.

De fato, a história do vírus pode ser rastreada. Em um primeiro momento, houve a origem do vírus em relação aos demais Flavivírus, há cerca de 2 mil anos. Em um segundo momento, o vírus tornou-se sustentável na espécie humana, sendo inicialmente silvestre, circulando em primatas do velho mundo e mudando para doença humana com transmissão em ambiente urbano, no fim do século XVIII como ressaltado anteriormente. Em um terceiro momento, em meados da década iniciada em 1950 ocorreram os primeiros casos notificados da dengue hemorrágica (Holmes et al, 1998).

O impacto dessa doença sobre a população há anos é claro, e claro, junto com os prejuízos econômicos expressos em gastos com tratamento, hospitalização, controle dos vetores, absentismo no trabalho e perdas com turismo (Holmes et al, 1998; World Health Organization, 1997). O ressurgimento da dengue, em escala global, é atribuído a diversos fatores, ainda não completamente compreendidos, mas o crescimento da população humana com grandes mudanças demográficas associado a expansão e alteração desordenadas de áreas verdes em ambiente urbano e alterações deste último, a infraestrutura sanitária deficiente (como a do Brasil) maximiza a densidade populacional do mosquito vetor e tende a agravar no intercâmbio comercial entre países acompanhando o número de viagens aéreas, marítimas e fluviais favorecendo a dispersão dos vetores e dos agentes infecciosos (Holmes et al, 1998).

Qualquer que seja a causa, o aumento da variabilidade genética do vírus da dengue é uma característica que reflete como populações humanas estão sendo expostas e protagonizando o favoritismo de diversas cepas virais, onde algumas podem escapar da proteção imunológica obtida com a exposição prévia ao sorotipo. Vale lembrar que é possível que cepas com patogenicidade e infectividade aumentadas surjam e que populações silvestres do vírus da dengue, geneticamente diferentes, quando introduzidas em populações de hospedeiros possam desencadear epidemias. Embora as populações de vírus com sequências de nucleotídeos conhecidas sejam esparsas, especialmente das populações africanas, encontraram-se quatro genótipos para o sorotipo DEN-2 e DEN-3 e dois para o DEN-1 e DEN-4, com diversidade máxima de aminoácidos de aproximadamente 10% para o gene E. Mesmo não haja amostras históricas para se avaliarem as possíveis alterações genéticas através do tempo, as observações mostram que a variabilidade genética destes vírus está aumentando (Holmes et al, 1998).

O elemento mais preocupante é que a diversidade genética dos quatro sorotipos da dengue está provavelmente ligada ao crescimento da população humana, podendo aumentar futuramente. A alta variabilidade genética do vírus pode estar relacionada com o surgimento de casos graves da doença, causados, possivelmente, pelo efeito anticorpo-dependente em resposta a populações virais geneticamente diferentes (Holmes et al, 1998).

Epidemias da forma hemorrágica da doença têm ocorrido na Ásia, a partir da década de 1950, e no sul do Pacífico nos 80. Alguns autores consideram que a doença não seja tão recente, podendo ter ocorrido nos Estados Unidos, África do Sul e Ásia, no fim do século XIX e início do XX (Medronho, 1995). Durante a epidemia de 1981, em Cuba, foi relatado o primeiro de caso de dengue hemorrágica, fora do sudeste da Ásia e Pacífico. Este evento foi considerado importante em relação à doença nas Américas (Ministério da Saúde, 1996) porque foram notificados mais de 344 mil casos clínicos de dengue (World Health Organization, 1997), sendo 34 mil deles hemorrágicos (Holmes et al, 1998) mais de 10 mil delas foram extremamente severas levando a 158 óbitos (sendo 101 em crianças). O custo estimado da epidemia foi de 103 milhões de dólares (World Health Organization, 1997). Entre 1995 e o início de 2001, foram notificados à Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), mais de 2.471.505 casos de dengue, sendo que 48 mil foram hemorrágicos e custaram 563 vidas. O Brasil, o México, a Colômbia, a Venezuela, a Nicarágua e Honduras apresentaram um número elevado de notificações, com pequena variação ao longo do período, seguidos por Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Panamá, Porto Rico, Guiana Francesa, Suriname, Jamaica e Trinidad & Tobago. Quase não houve notificações de casos nos Estados Unidos, que notificaram somente sete, em 1995. A Argentina apresentou dados somente a partir de 1998 e o Paraguai, a partir de 1999. No Brasil, os sorotipos registrados foram o 1 e o 2. Somente no ano de 2000 registrou-se o sorotipo 3. A Guatemala notificou a circulação dos quatro sorotipos com baixo número de casos graves e óbitos (Pan American Health Organization, 2001).

Aqui, vale lembrar os detalhes e a sintomatologia que se apresenta no portador da dengue: febre alta; dor atrás dos olhos; eritemas (ou seja, manchas vermelhas); dores de cabeça; dor muscular e nas articulações; falta de apetite; sensação de cansaço; fotofobia (aversão à luz); lacrimação; inflamação na garganta e pequenos sangramentos (nariz e boca).

A dengue hemorrágica tem os mesmos sintomas, a diferença ocorre quando a febre termina, e começam a aparecer outros sintomas como: dores abdominais; vômitos persistentes;

pele pálida, fria e úmida; sangramento pelo nariz, boca e gengiva; dificuldade respiratória; sede excessiva e boca seca; agitação e confusão mental; perda de consciência; mãos e pés pálidos ou arroxeados.

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O mosquito e a Dengue no Brasil

No Brasil, existem registros de epidemias de dengue no estado de São Paulo desde á década de 1850, e em 1916 no Rio de Janeiro. O primeiro surto epidêmico forte de dengue ocorreu em 1923. Entre essa data e a década de 1980 a doença ficou extremamente acentuada em virtude do combate ao vetor Aedes aegypti, especialmente durante campanhas de conscientização e erradicação da febre amarela. Ainda sim, houve uma infestação desse vetor em 1967 originada a partir dos países vizinhos, que não obtiveram êxito em suas estratégias de erradicação (Fraiha, 1968). A partir da década de 80 registros de novos casos de dengue começaram a aumentar. Em 1981 e 1982 em Boa Vista (RR); em 1986 e 1987 no Rio de Janeiro (RJ); em 1986 em Alagoas e Ceará; em 1987 em Pernambuco, Bahia, Minas Gerais e São Paulo; em 1990 no Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro; em 1991 em Tocantins e, em 1992, no estado de Mato Grosso (Pontes & Ruffino-Netto, 1994).

Entre 1986 e 1999 o Brasil diagnosticou 1.104.996 casos de dengue em 19 dos 27 estados. Embora tenha havido uma flutuação nos casos notificados entre 1986 e 1993 houve um aumento acentuado no número no período de 1994 a 1998, com queda em 1999 (Marta, 2001). Resumindo, agrupando por regiões, a Sudeste foi a que registrou o maior número de casos, sendo também a de maior população e disponibilidades de recursos para diagnóstico e notificação; seguido das regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Norte (Marta, 2001).

No estado de São Paulo, a dengue foi incluída no grupo das doenças de notificação compulsória. A epidemia de 2008 superou, em número de vítimas fatais uma epidemia que ocorreu em 2002, onde 91 pessoas morreram. Entre janeiro e fevereiro de 2010, foram notificados 108.640 pacientes com a doença, um aumento de 109% em relação ao mesmo período tempo do ano anterior. Os estados do Mato Grosso do Sul, Acre, Rondônia, Goiás e Mato Grosso respondem por 71% desses casos. As altas temperaturas, grande volume de chuvas e o retorno do tipo 1 do vírus explicam parte da epidemia (Formenti, 2010).

Embora a doença tenha sido reconhecida somente há aproximadamente 200 anos, tem apresentado caráter epidêmico e endêmico variado. As mudanças na dinâmica de transmissão da dengue podem ser explicadas pela baixa prevalência do vírus até recentemente, quando houve maior disponibilidade de hospedeiros humanos. O aumento da concentração humana em ambiente urbano propiciou crescimento substancial da população viral. As linhagens, que surgiram antes das aglomerações e movimentações humanas terem início, tinham poucas chances de causar grandes epidemias e terminavam por falta de hospedeiros susceptíveis (Holmes et al, 1998). Entretanto, as alterações ambientais de natureza causadas pela ação do homem tem potencializado o deslocamento e dano à fauna e flora, bem como o acúmulo de lixos criando ambientes favoráveis a proliferação do vetor e dissipação do vírus (Marta, 2001).

Os dados mais recentes sobre a dengue são de 2015 e início de 2016. O Brasil terminou o ano de 2015 com 1.649.008 casos prováveis de dengue, número 178% maior que o de 2014. Os dados são do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde de 2015, publicado dia 15 de janeiro de 2016. O documento também indica que foram confirmadas 843 mortes pela doença; em 2014, foram 473 mortes. Um aumento expressivo.

São Paulo é o estado com maior número de casos, o salto foi de 226.866 (2014) para 733.490 (2015). Goiás foi o estado com a maior proporção de pessoas com dengue: 2,5 mil casos por 100 mil habitantes. Em seguida, São Paulo, com 1.665, e Pernambuco, com 1.107.

Em 2015, foram confirmados 1.569 casos de dengue grave e 20.329 casos de dengue com sinais alarmantes. No mesmo período de 2014, foram 764 casos de dengue grave e 8.436 casos de dengue com sinais de alarme. Em 2015, o pico de incidência de infecções por dengue ocorreu em abril (Agencia Brasil, 2016a).

Entre os dias 3 a 23 de janeiro de 2016 foram registrados 73.872 casos prováveis de dengue em todo o país. No mesmo período do ano anterior, foram registrados 49.857 casos prováveis. Os números, divulgados pelo Ministério da Saúde, mostram um avanço de 48% nas infecções por dengue pelo Brasil. Segundo o boletim epidemiológico, o Sudeste registrou o maior número de casos notificados, com 45.315 casos (61,3% do total), seguido pelas regiões Centro-Oeste com 10.372 casos (14%), Nordeste com 7.862 (10,6%), Sul com 6.889 casos (9,3%) e o Norte com 3.434 casos representando 4,6% do total. Ao todo, 5.777 casos suspeitos de dengue foram descartados.

A análise da incidência de casos prováveis de dengue (referente ao número de casos por 100 mil habitantes), demonstra que o Centro-Oeste e o Sudeste são locais onde há maiores incidências, mantendo a tendência de 2015. Nas primeiras semanas de 2016, foram confirmados nove casos de dengue grave e 137 casos de dengue ‘com sinais de alarme’ que, conforme classificação do Ministério da Saúde, são casos que exigem mais cuidados pois podem evoluir para um quadro clínico mais grave, levando a morte. No mesmo período do ano de 2015 foram confirmados 80 casos de dengue grave e 542 casos de dengue com sinais de alarme. A região com maior número de registros de casos de dengue grave ou com sinais de alarme é o Centro-Oeste (Agência Brasil, 2016b).

Victor Rossetti

Palavras chave: NetNature, Rossetti, Dengue, Aedes aegypti, Sorotipos, Epidemiologia, Diagnostico, Brasil.

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