INFANTS’ FLEXIBLE HEADS STRETCH BACK MILLIONS OF YEARS (com resenha)

It isn’t easy being born. Human babies have big heads, which makes their passage through the birth canal a challenge for both them and their mothers. Fortunately, an infant’s skull can change shape as it squeezes through because its cranial bones don’t entirely fuse together for at least 2 years after birth. A new study shows that this delayed fusion was also a feature of early humans who lived nearly 3 million years ago, even though their heads were much smaller than ours. One possible explanation is that walking upright created new obstetrical challenges even for small-brained human ancestors.

Looking for closure. By comparing CT scans of a 3-million-year-old hominin (center) with chimps (left) and modern humans (right), researchers found that its skull sutures fuse relatively late like today’s humans.

For chimpanzees and other primates, childbirth is relatively easy. The brain of a newborn chimp is roughly 155 cubic centimeters (cc) in volume, less than half that of a newborn human baby, although the overall size of the birth canal is about the same as in humans. Yet there is a big difference in shape between chimp and human pelvises. While the human pelvis has widened considerably over the course of evolution, the demands of upright walking have put constraints on how wide it can be. Bipedalism has also led to a marked vertical shortening of the pelvis, leading to what researchers call the “obstetric dilemma”—the difficult tradeoff between the demands of bipedalism and having babies.

Still, thanks to those unfused skull bones, the baby’s head can not only be molded to fit through the pelvic canal, but can also accommodate the explosive brain growth that takes place after birth: In the first few years of life, the human brain doubles in size from about 400 cc to 800 cc, and ultimately reaches an adult average of about 1400 cc.

To see how far back in human evolution this delayed fusion goes, a team led by anthropologist Dean Falk of the School for Advanced Research in Santa Fe, New Mexico, looked at a key marker of skull fusion in a large number of fossil early humans, modern humans, chimpanzees, and bonobos. The centerpiece of the study was a new analysis of the nearly 3-million-year-old Taung child, an australopithecine roughly 4 years old at death discovered in South Africa in 1924 by the legendary anthropologist Raymond Dart. The specimen, which Dart assigned to the species Australopithecus africanus, includes a face, lower jaw, and a natural “endocast” of the skull made up of the rocky material that filled it. The endocast preserved many of the skull’s features, including the sutures between its bones.

Falk, together with anthropologists Christoph Zollikofer and Marcia Ponce de León of the University of Zurich in Switzerland, used computerize tomography scans of the Taung endocast to closely examine the child’s metopic suture (MS), which forms the joint between the cranium’s two frontal bones. In human children, the MS begins to fuse on the end closest to the nose, closing like a zipper until it reaches the anterior fontanelle, the baby’s “soft spot” (see illustration). The team found that the Taung child’s MS was unfused, even though its brain was only about 400 cc and the brain of adult A. africanus is only about 460 cc.

The researchers compared the Taung child’s MS to that of several hundred chimps and bonobos, more than 1000 modern humans, and 62 hominins, or ancient humans, including australopithecines, Homo erectus, and Neandertals. A clear pattern emerged: The MS of chimps and bonobos fuses very shortly after birth; whereas, like the Taung child, the MS of both early and later hominins tends to fuse only after the eruption of the first molars, at 2 years of age or later. The results are reported online this week in the Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

So why do the skulls of early, small-brained hominins already show the fusion patterns of later, big-brained species? Falk and her colleagues propose three possibilities. First is the “obstetric dilemma,” which may have already been a problem for early hominins as they began to walk upright. Thus the brain of an adult A. africanus, while small by modern human standards, is still about 22% larger than that of a chimp. Second, the team suggests, the delayed fusion might have been necessary for accelerated brain growth after birth, which might already have been a feature in early hominins. Finally, changes in the organization of the australopithecine brain, such as an apparent widening of the frontal lobes, might also have made the trip through the birth canal more difficult, even if the overall size of the brain remained relatively small.

“All of these are strong possibilities,” says Owen Lovejoy, an anthropologist at Kent State University in Kent, Ohio, who edited the paper for PNAS. “There is now reasonable evidence that [australopithecine] brains were to some degree enlarged over those of living chimpanzees, and it is reasonably certain that they were reorganized.”

But Robert Martin, an anthropologist at the Field Museum in Chicago, Illinois, urges caution about interpreting the results. He says that the team has placed too much emphasis on both the Taung child endocast as its key specimen and the MS itself, whose age of closure is “notoriously variable” in modern humans. Martin thinks the team would have done better to concentrate on the closure of the anterior fontanelle “soft spot,” which he says might be a more reliable indicator of when overall skull fusion takes place.

Fonte: Science Now

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Resenha do autor

Os rebentos humanos têm a cabeça grande. Isso é um dilema para a espécie humana e sua evolução.

Por essa razão diz-se que o parto humano é um parto assistindo. Isso porque o ser humano por si só não consegue dar a luz a sua prole, ele necessita obrigatoriamente de uma parteira, salvo alguns casos.

Nascer e uma tarefa dura na espécie humana, uma mãe geralmente não consegue dar a luz sozinha, pois além das contrações para empurra o filho através do canal vaginal alguém precisa puxa o bebe que desliza pelo canal fazendo um movimento de rotação.

Essa é uma tarefa que não pode ser feita unicamente pela mãe, pois se a mãe tentar curvar seu corpo para puxar a criança pode matar o bebe entortando sua coluna.

O ser humano tem uma série de adaptações obstétricas para facilitar o parto. Isso quer dizer que o osso de sua pelve tem certa flexibilidade embora hoje, graças a tecnologia podemos fazer cesarianas.

O que torna a passagem pelo canal do parto um desafio é justamente esse dilema obstétrico, o estreitamento do osso da pelve e a cabeça grande dos bebes. Como a evolução pôde ponderar isso?

O crânio de uma criança pode mudar de forma, essa flexibilidade do crânio auxilia o parto, pois esses ossos não se fundem completamente durante os 2 primeiros anos de vida do rebento.

Um novo estudo aponta um atraso da fusão dos ossos que compõem o crânio. Isso foi uma característica dos primeiros hominídeos que viveram cerca de 3 milhões de anos atrás, apesar de suas cabeças serem muito menores que a nossa.

Uma possível explicação é justamente a adaptação da pelve em relação ao andar bípede. A posição ereta criou novos desafios obstétricos, mesmo para os ancestrais humanos de cérebro pequeno.

Para os chimpanzés e outros primatas o parto é relativamente fácil. O cérebro de um chimpanzé recém-nascido tem cerca de 155 centímetros cúbicos de volume. Isso é menos da metade do volume de um recém-nascido humano, embora a dimensão global do canal de parto é aproximadamente a mesma que nos seres humanos.

O que há de diferente é justamente o formato da pelve de chimpanzés e de humanos.

A pelve humana aumentou consideravelmente ao longo do tempo. O andar ereto impôs restrições ao tamanho dos humanos, levou ao encurtamento vertical criando esse dilema obstétrico.

Embora a cabeça do bebê não tenha sido moldada para encaixar pelo canal pélvico a solução obstétrica que a evolução tomou foi impedir a fusão das suturas do crânio. Isso permitiu não só o nascimento mas o crescimento e desenvolvimento do sistema nervoso após o nascimento.

Nos primeiros anos de vida, o cérebro humano dobra em tamanho de cerca de 400 cc para 800 cc.

Para descobrir como isso ocorreu ao longo da evolução humana uma equipe de antropólogos da Escola de Pesquisas Avançadas em Santa Fé, Novo México, usou um marcador chave da fusão crânio em um grande número de fósseis humanos primitivos, de seres humanos modernos, chimpanzés e bonobos.

A peça central do estudo foi uma nova análise da criança Taung datada em quase 3 milhões de anos. É um Australopiteco africanus de cerca de 4 anos de idade que teve preservado até mesmo seu “endocast”, ou seja, preservou na porção interna do crânio as características do sistema nervoso e das suturas entre os ossos.

Com o uso da tomografia computadorizada foi possível estudar o endocast de Taung e a medida da sutura metópica.

Essa sutura faz a articulação entre dois ossos frontais do crânio. Em crianças humanas, a sutura metópica começa a se fundir na extremidade mais próxima do nariz, fechando como um zíper até atingir a moleira.

A equipe descobriu que sutura metópica da criança de Taung se formava, ou melhor, se fundida mesmo em cabeças ainda pequenas de apenas 400 cc. São medidas pequenas já que o cérebro do adulto de A. africanus é apenas cerca de 460 cc o do ser humano que nasce com 400 cc chega a 1.400 nos adultos.

Então os pesquisadores compararam a sutura metópica da criança de Taung e cruzaram com as medidas de vários chimpanzés, bonobos, de mil seres humanos modernos, 62 hominídeos incluindo os Australopitecos, o Homo erectus, e neandertais.

A resposta foi imediata. A sutura metópica de chimpanzés e bonobos se funde logo após o nascimento e a sutura da criança de Taung, dos hominídeos primitivos tendeu a se fundir mais tarde. De fato, se fundiam exatamente após a erupção dos primeiros molares, aos 2 anos de idade ou mais tarde.

Os resultados são relatados em linha esta semana na revista Proceedings of National Academy of Sciences (PNAS).

Era de esperar que isso acontecesse. Mamíferos são extremamente sociais, primatas são ainda mais e puramente visuais. Isso quer dizer que seus sentidos são as principais características e adaptações, em especial a visão.

Os estímulos visuais e sensoriais de uma forma geral permitem constantemente uma remodelação do volume cortical, permitindo que ele aumente e favorece mudanças neuroanatomicas. Vejamos um exemplo, o lobo frontal ocupa em geral 36,3% da superfície cortical nos mamíferos. A média em primatas é de 30,5% e 21,4% no gibão.

O volume do lobo frontal no homem corresponde a cerca de 38,3% e dos chimpanzés cerca de 39%. Alguns estudos afirmam que o lobo frontal dos humanos e entre os primatas em geral é relativamente mais largo.

Em humanos, esse aumento está relacionado com sua jornada evolutiva, diversos eventos genéticos explicam isso (veja A VISÃO REDUCIONISTA DA EVOLUÇÃO HUMANA. FALANDO SOBRE A FALA).

Se olharmos em outros primatas perceberemos que o lobo frontal dos orangotangos é relativamente menor do que o dos chimpanzés, mostrando grandes diferenças no volume. Pesquisadores utilizam cálculos do tamanho do cérebro em relação a massa corpórea para ter uma idéia sobre o grau de inteligência de primatas extintos.

Os cérebros largos não representam apenas versões grandes de cérebros pequenos, existe uma interação muito intensa entre os neurônios e o ambiente na qual se vive. O cérebro constantemente sofre mudanças. Quando deixamos de engatinhar e tomamos uma postura ereta ainda na infância destruímos diversos neurônios que são repostos por novas células após a adoção desta nova postura. É essa plasticidade que confere a sobrevivência.

Ao analisar esse padrão de sutura metópica nos hominídeos vemos que mesmo os crânios já mostram os padrões de fusão tardia em relação aquelas com dimensões maiores. Existem três hipoteses para isso.

A primeira é justamente o dilema obstétrico, que foi um problema para hominídeos primitivos quando eles adotaram a postura ereta. O cérebro de um Australopithecus africanus adulto ou de um humano moderno é cerca de 22% maior do que a de um chimpanzé. Por si só isso já evidencia um aumento do encéfalo na linhagem que culmina nos humanos.

Em segundo lugar, a equipe sugere que a fusão atrasada pode ter sido necessária para o crescimento acelerado do cérebro após o nascimento, o que já poderia ter sido uma característica em hominídeos primitivos. A supressão do fechamento imediato da moleira e o aumento da flexibilidade dos ossos da pélvis pode ter permitido o nascimento de uma prole com exacerbado desenvolvimento do sistema nervoso central. A terceira hipótese é de que as alterações na organização do cérebro dos australopitecinos (como o aumento dos lobos frontais) poderia ter dificultado a passagem da prole através do canal vaginal mesmo se o tamanho do cérebro permaneceu relativamente pequeno.

Mesmo assim, o estudo foi importante porque agora existem evidências fortes de que os Australopithecus tinham cérebros maiores que o de chimpanzés e isso desencadeou uma reorganização anatômica ao longo de toda a linhagem que culmino no homem moderno.

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Scritto da Rossetti

Palavra chave: NetNature, Rossetti, Sistema nervoso, Parto, Sutura Metópica, Chimapanzés, Bonobos, Orangotangos, Homem, Australopithecus africanus, Evolução humana.

WHENCE THE DOMESTIC HORSE? (com resenha)

Shards of pottery with traces of mare’s milk, mass gravesites for horses, and drawings of horses with plows and chariots: These are some of the signs left by ancient people hinting at the importance of horses to their lives. But putting a place and date on the domestication of horses has been a challenge for archaeologists. Now, a team of geneticists studying modern breeds of the animal has assembled an evolutionary picture of its storied past. Horses, the scientists conclude, were first domesticated 6000 years ago in the western part of the Eurasian Steppe, modern-day Ukraine and West Kazakhstan. And as the animals were domesticated, they were regularly interbred with wild horses, the researchers say.

Saddle up. To study the ancestor of domesticated horses, scientists gathered genetic data from horses around Europe that had been shaped the least by human breeding, such as this animal in Kyrgyzstan.

“This is a very good paper,” says biologist Michael Hofreiter of the University of York in the United Kingdom. “Nobody has applied this method of population modeling to horses before.”

Throughout their history, horses have been interbred, traded between populations of people, and moved across continents. All of this makes their genetic history hard to follow. Moreover, the wild ancestor of horses, Equus ferus, is extinct, complicating researchers’ efforts to compare the genetics of domestic animals with wild ones. Previous research nailed down a broad area—the Eurasian Steppe, which stretches from Hungary and Romania through Mongolia—as the region where horses originated and were domesticated. But earlier genetic studies relied mostly on mitochondrial DNA, which is inherited only from a mother, to try to understand horses’ evolutionary history.

“The problem was that there was a lot of diversity in the mitochondrial DNA,” says biologist Vera Warmuth of the University of Cambridge in the United Kingdom, the first author of the new study. And the diversity didn’t group the horses into their breed or place of origin. “Every horse breed has almost all the mitochondrial lineages represented,” she says.

Warmuth instead studied sequences of horse DNA inherited from both parents and known to be diverse between horse populations. She and her colleagues collected genetic samples from more than 300 horses at 12 different sites across the steppe. Data were collected for only working animals bred within a local area, not those bred for show or appearance, to minimize any human-guided selection that would make some genes more common. Then, the researchers used computer programs designed to model the spread of a population to simulate how different locations of horse domestication and spread throughout the steppe would influence modern genetic diversity. They compared each model with the real data they had collected to see which fit best.

The best-fit model, the team reports today in the Proceedings of the National Academy of Sciences, showed the wild ancestor of domestic horses originating in eastern Eurasia 160,000 years ago and being domesticated in the western part of the Eurasian Steppe around 6000 years ago. The model also helped explain why there had been so many female lineages when previous studies had tried to rely on mitochondrial DNA. “We think that as domestic horses spread out of the western steppe, local wild females were continuously incorporated into the spreading herds,” says Warmuth. The constant addition of new females made the genetic patterns—in particular, the female lineages—more complex than if the domestic population had been totally isolated.

Hofreiter is impressed. “They have still only narrowed down the domestication region to a fairly big area,” he says, “but they did have enough genetic data to get a signal out of the noise.”

Not all researchers are convinced, however. Archaeologist Marsha Levine of the University of Cambridge thinks using modern genetic samples to retrace horses’ evolution is a dead end. “There’s been mixing of cultures and mixing of horses in this region for many thousands of years,” she says. “And so when you’re looking at any modern horse, you just don’t know where it’s from.”

Bringing together many kinds of evidence is what will ultimately answer the whens and wheres of horse domestication, Levine says. “What we need to be doing is using material from excavations, sequencing ancient genes, and combining that with what we know from archaeological evidence about how animals were used in the past.”

Ultimately, says Hofreiter, getting to the bottom of horse domestication will reveal more than just the history of these animals. “Horse domestication has changed human cultures a lot. It has changed warfare, it has changed transportation,” he says. “Studying the past of horses can tell us a lot about our own past.”

Fonte: Science Now

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Resenha do autor

Fragmentos de cerâmica com traços de leite de égua e desenhos de cavalos com arados e são alguns dos sinais deixados pelos povos antigos que sugerem a importância de cavalos para a humanidade.

Os cavalos mudaram o mundo para o homem. Pensando nisto os cientistas concluíram através de estudos que os primeiros cavalos domesticaram surgiram a cerca de 6 mil anos na parte ocidental da Eurásia, entre a Ucrânia e o Cazaquistão.

Ao longo da sua história os cavalos atravessaram o mundo através das culturas e sociedades humanas até conquistar todos os continentes.

Tudo isso faz com que sua história seja difícil de contar sobre o ponto de vista da genética.

O ancestral selvagem dos cavalos, chamado popularmente de Tarpan (Equus ferus) foi extinto. Isso complica mais ainda a pesquisa.

O último Tarpan morreu em 1909, em um zoológico de Moscou.

O pouco modificado cavalo português chamado de Sorraia e os descendentes híbridos poloneses por vezes são usados por cientistas como meio de resgatar algumas populações mais antigas desses animais já que alguns cavalos selvagens ainda existem em alguns locais do mundo. Entretanto, nenhum deles é um legítimo Tarpan, apenas um parente próximo.

A Eurasia é o possível local onde ocorreu a domesticação dos cavalos. Entre a Ucrânia (extrema esquerda em laranja) e o Cazaquistão.

Os pesquisadores buscaram comparar a genética de animais domésticos com os selvagens. O Tarpan vivia na estepe da Eurásia, que se estende desde a Hungria, Romênia até a Mongólia.

Os estudos genéticos anteriores usaram principalmente o DNA mitocondrial (que é herdado apenas da mãe) para tentar entender a história evolutiva dos cavalos.

O problema é que não havia muita diversidade no DNA mitocondrial e cada raça de cavalo tem quase todas as linhagens mitocondriais já representada.

Então, os cientistas coletaram amostras genéticas de mais de 300 cavalos em 12 locais diferentes em todo o estepe. Os dados foram coletados apenas para animais de trabalho criados em uma área local. Não se utilizou aqueles criados para demonstrações a fim de minimizar qualquer seleção humana envolvida no processo.

Em seguida utilizaram programas de computador para modelar a propagação de uma população simulando como diferentes locais de domesticação do cavalo e como se espalhou pela estepe se esta influenciaria a diversidade genética moderna.

Eles compararam cada projeção com os dados reais que obtinham, compararam e obtiveram um modelo.

O melhor modelo foi publicado na revista Proceedings of National Academy of Sciences e mostrou um ancestral selvagem dos animais domésticos originários da Eurásia oriental datado em 160 mil anos com uma domesticação na parte ocidental da estepe Eurasiana ocorrida a cerca de 6 mil anos.

O modelo também ajudou a explicar por que houve tantas linhagens. A adição constante de fêmeas novas tornou o padrão genético mais complexo do que a se a população domesticada tivesse sido totalmente isolada.

Mesmo assim esses dados só estimaram a data, mas o local preciso da domesticação ainda é desconhecido. Sabe-se que é entre a Ucrânia e o Cazaquistão.

A Arqueóloga Marsha Levine da Universidade de Cambridge acredita que usar amostras genéticas modernas para refazer a evolução dos cavalos é um beco sem saída por que há mistura de culturas e de cavalos que ocorre a milhares de anos.

É preciso utilizar materiais de escavações, seqüenciamento de genes novos e antigos e as descobertas arqueológicas para realmente conhecer um pouco mais sobre a evolução e domesticação dos cavalos.

Isso é fundamental não só para a compreensão da evolução dos animais, mas como as culturas humanas se modificaram ao longo do tempo. O cavalo mudou a guerra, o transporte, portanto, estudar passado de cavalos pode nos dizer muito sobre nosso próprio passado.

O estudo sobre a evolução e principalmente a domesticação dos camelos revelou a importância desses animais para o império Romano e como raças foram criada na Índia devido a sua divisão social (veja aqui e aqui).

A domesticação dos bovídeos (veja aqui) também é bastante conhecida, bem como de porcos (veja aqui), gatos (veja aqui), cachorros (veja aqui) e carneiros. A dos cavalos tem oferecido maiores dificuldades.

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Scritto da Rossetti

Palavra chave: NetNature, Rossetti, Cavalos, Eurásia, Cazaquistão, Ucrânia, DNA mitocondrial, Arqueologia.

HUMANOS JÁ INTERAGIAM COM CÃES E GATOS NA PRÉ-HISTÓRIA, DIZ ESTUDO. (com resenha)

maio 24, 2012 3 comentários

Há 10 mil anos, cães ajudavam na caça e gatos afastavam os ratos.
Escavações foram feitas na ilha de Chipre, no Mar Mediterrâneo.

Um estudo publicado nesta segunda-feira (7) encontrou os vestígios mais antigos de fixação humana no Chipre e, de quebra, descobriu que os primeiros habitantes da ilha mediterrânea criavam gatos e cachorros.

As escavações no sítio arqueológico de Klimonas mostraram objetos e restos de animais que contam muito sobre a sociedade estabelecida entre 11,1 mil e 10,6 mil anos atrás. A pesquisa feita pela equipe de Jean-Denis Vigne, do Museu Nacional de História Natural da França, e publicada pela “PNAS”, revista da Academia Americana de Ciências.

Os melhores amigos do homem não seriam apenas animais de estimação, segundo os autores. Vestígios de porcos selvagens indicam que os primeiros cipriotas dependiam da caça. Os cachorros, então, teriam sido levados até a ilha para auxiliar nesta atividade, sugere o estudo.

A utilidade dos gatos também estava ligada à alimentação. Os habitantes cultivavam trigo, e há indícios da presença de ratos no local. Os roedores são uma praga que prejudica a produção do cereal, e os gatos teriam sido a solução encontrada para proteger as plantações.

Além da presença de gatos e cachorros, a pesquisa revelou características de uma sociedade complexa, que já tinha locais para armazenamento de alimentos, encontro da população e rituais religiosos.

A existência de uma sociedade tão antiga em uma ilha, relativamente pouco tempo após a descoberta da agricultura, mostra também que o ser humano já tinha capacidades avançadas de navegação, e que o alcance geográfico dos primeiros fazendeiros do Oriente Médio foi maior do que se pensava.

Escavações no sítio arqueológico de Klimonas, no Chipre (Foto; PNAS,Divulgação)

Fonte: G1

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Resenha do autor

Ao que parece essa descoberta não esticou tanto assim a data da domesticação dos gatos, porcos e cães.

Os primeiros porcos domesticados realmente datavam cerca de 11 mil anos. Eles foram inicialmente domesticados no Oriente médio e posteriormente novamente domesticados na Europa. Os primeiros bovídeos também foram domesticados a cerca de 9 mil anos no Irã e posteriormente dos primeiros camelos. Existem registros arqueológicos e paleoantropológicos que mostram que homens e lobos e possivelmente cães já interagiam a cerca de 30 mil anos. Assim a domesticação dos cães pode se estender para cerca de 40 mil anos. (veja aqui)

Não há tanta distancia entre o Egito e a Ilha de Chipre. Até então, os egípcios tinham sido os primeiros a manter esses animais como bicho de estimação.

Essa domesticação parece ter sido fruto da convivência do homem com os gatos selvagens. É possível que a domesticação do gato ocorreu de forma independente em diversos pontos do planeta.

Em 2000 um grupo de geneticistas coletou amostras de DNA de gatos em diferentes pontos do mundo. Foram coletadas amostras de mais de 970 selvagens e domésticos do Sul da África, Azerbaijão, Cazaquistão, Mongólia, Europa e Oriente médio. Os estudos se concentraram em dois trechos de DNA que usaram como referência para diferenciar subgrupos de espécies, o DNA mitocondrial. Cada um desses gatos teve seu DNA analisado e classificado em 5 linhagens.

Quatro dessas linhagens correspondiam a subespécie de gato selvagem que habitam locais bastante específicos. O Felis silvestris silvestris na Europa, Felis silvestris bieti na China, Felis silvestris ornata na Ásia Central e o Felis silvestris cafra no sul da África.

A quinta linhagem incluiu não somente a quinta subespécie selvagem Felis silvestris lybica do Oriente médio mas também gatos domésticos de amostragem incluindo raças puras e híbridos.

A linhagem Felis silvestris lybica mostrou que a origem desses gatos remete a um ancestral comum que viveu no deserto de Israel, Emirados Árabes ou ainda na Arábia Saudita, e eram extremamente indistinguíveis da versão doméstica.

Uma estatueta de marfim encontrada em Israel de cerca de 3.700 anos indica que o animal era bastante comum em vilarejos.

As pinturas egípcias do Novo Império na cidade de Tebas (Egito) demonstram as melhores representações da domesticação total. Nessas pinturas pode ser visto gatos deitados em cadeiras, amarrados em coleiras, com focinheiras e com frequência comendo sobras de comida em tigelas.

Há mais de 2.900 anos, o gato doméstico se tornou a divindade oficial do Egito, segundo a forma da deusa Bastet. Muitos gatos domésticos eram sacrificados ou mumificados em homenagem a esta deusa.

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Scritto da Rossetti

Palavra chave: NetNature, Rossetti, Domesticação, Gatos, Chipre.

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Referências

* Stephen J. O`Brien e Warren E. Johnson. A Evolução dos Gatos. Scientific american. Agosto 2007.
* Carlos A. Driscoll, Juliet Clutton-Brock, Andrew C. Kitchener e Stephen J. O’Brien. A longa e (incompleta) domesticação do gato. Scientific american. Julho 2009.

DID A COPYING MISTAKE MAKE HUMANS SO SMART? (com resenha)

maio 24, 2012 1 comentário

Mistakes made during cell division long ago may have lead to the sophistication of the modern human brain.

DNA mutations may be responsible for the rise of modern humans.

A copyediting error appears to be responsible for critical features of the human brain that distinguish us from our closest primate kin, new research finds.

When tested out in mice, researchers found this “error” caused the rodents’ brain cells to move into place faster and enabled more connections between brain cells.

When any cell divides, it first copies its entire genome. During this process, it can make errors. The cell usually fixes errors in the DNA. But when they aren’t fixed, they become permanent changes called mutations, which are sometimes hurtful and sometimes helpful, though usually innocuous.

One type of error is duplication, when the DNA-copying machinery accidentally copies a section of the genome twice. The second copy can be changed in future copies — gaining mutations or losing parts.

The researchers scanned the human genome for these duplications, and found that many of them seem to play a role in the developing brain. (10 Fun Facts About the Brain)

“There are approximately 30 genes that were selectively duplicated in humans,” study researcher Franck Polleux, of The Scripps Research Institute in La Jolla, Calif., said in a statement. “These are some of our most recent genomic innovations.”

An extra copy of a gene gives evolution something to work with: Like modeling clay, this gene isn’t essential like the original copy, so changes can be made to it without damaging the resulting organism.

The researchers studied one specific gene, called SRGAP2, which they think has been duplicated at least twice during the course of human evolution, first about 3.5 million years ago and then again about 2.5 million years ago.

The second, more recent, duplication seems to be incomplete, with only part of the gene being duplicated. The researchers think this partially duplicated gene is able to interfere with the actions of the original, ancestral copy of SRGAP2. When the researchers added  the partially duplicated gene copy to the mouse genome (mice don’t normally have it) it seemed to speed the migration of brain cells during development, which makes brain organization more efficient.

These cells that expressed the incomplete duplication of SRGAP2 also had more “spines” — knoblike extensions on the cell surface that connect with other brain cells, which make them look more like human brain cells.

Interestingly, the incomplete copy of the gene seems to have showed up just as the extinct hominin Australopithecus made room for the genus Homo, which led to modern humans. That’s also when the brains of our ancestors began to expand and when dramatic changes in cognitive abilities are likely to have emerged.

“We may have been looking at the wrong types of mutations to explain human and great ape differences,” study researcher Evan Eichler, of the University of Washington, said in a statement. “These episodic and large duplication events could have allowed for radical — potentially Earth-shattering — changes in brain development and brain function.”

Fonte: Discovery news

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Resenha do autor

Quando uma célula se divide, ela primeiro copia seu genoma. Durante este processo, ela pode cometer erros que via de regra, são corrigidos por um conjunto enzimático de reparação. Eventualmente alguns erros podem escapar desse sistema de manutenção e se tornam mudanças permanentes no genoma. Essas são as mutações que por vezes levam os indivíduos a morte, mas em exceções podem ser por vezes útil.

Um desses erros de edição de DNA parece ser responsável por características críticas do sistema nervoso central humano. E é uma das características que nos distinguem dos demais primatas antropóides.

Quando testado em camundongos, os pesquisadores descobriram este “erro” nas células cerebrais dos roedores faz com que eles se movam de um lugar a outro mais rápido e permitiu que mais conexões entre células cerebrais fossem estabelecida.

A ciência já identificou vários desses erros genômicos ou cromossômicos (LA PULCE D’ACQUA È L’ANIMALE CON IL PIÙ VASTO PATRIMONIO GENETICO). Um tipo de erro é a duplicação, quando a máquina de duplicação de DNA cópia acidentalmente uma seção do genoma duas vezes.

De fato, parece que isso aconteceu no sistema nervoso central humano e uma segunda cópia pode ter alterado em futuras cópias, ganhando ou perdendo mutações partes.
Os pesquisadores scanearam o genoma humano para identificar essas duplicações e descobriram que muitos deles parecem desempenhar um papel no desenvolvimento do cérebro.

Essa não é a primeira vez que se identificam genes que tenham grande responsabilidade sobre a formação do sistema nervoso. É sabido que os genes ASPM, FOXP2, MCPH1, CENPJ tiveram papel importante na formação do sistema nervoso central humano. Com destaque o gene FOXP2 que esta estritamente relacionado a capacidade de falar e compreender a linguagem (áreas de Broca e Wernick). Esse gene é rastreado pelos geneticistas e comparando suas diversas versões em grupos de aves e repteis já que são fundamentais para o processo de vocalização e comunicação. (para saber mais veja A VISÃO REDUCIONISTA DA EVOLUÇÃO HUMANA. FALANDO SOBRE A FALA).

No presente caso foram identificados 30 genes que haviam sido duplicados seletivamente em humanos fazendo parte de uma das mais recentes inovações da genômica da espécie humana.

Cada cópia extra de um gene oferece um nicho para os mecanismos evolutivos trabalharem. Este gene não é essencial como a cópia original, assim, as mudanças que ele pode sofrer não poderiam danificar o organismo que as detém. Embora em alguns casos a interferência possa ocorrer.

Os pesquisadores deste estudo acabaram estudando um gene específico, chamado SRGAP2, que parece ter sido repetido pelo menos duas vezes durante o curso da evolução humana. Primeiramente a cerca de 3,5 milhões de anos atrás e novamente cerca de 2,5 milhões de anos atrás.

Outra duplicação parece ter ocorrido mais recentemente embora apenas uma parte do gene tenha sido repetida. Os pesquisadores acreditam que este gene parcialmente duplicado é capaz de interferir com as ações da cópia original, ancestral de SRGAP2. Quando os pesquisadores adicionaram uma cópia parcial do gene no genoma do camundongo isso acelerou a migração das células cerebrais durante o desenvolvimento, o que torna a organização cerebral mais eficiente e confere uma vantagem.

Estas células que expressam a duplicação incompleta do SRGAP2 tiveram mais extensões na superfície da célula que se conectam, o que as faz parecer mais com células do cérebro humano.

Uma cópia incompleta como a deste gene em hominídeos extintos como os Australopithecus pode ter aberto espaço para o florescimento do gênero Homo. De fato isso pode ser sustentado já que a datação das primeiras cópias ofereceu a data de 2,5 milhões de anos e confere com a datação dos fósseis que mostram o surgimento do gênero Homo no mesmo período.

 É também quando os cérebros de nossos ancestrais começaram a expandir-se e quando as mudanças dramáticas em habilidades cognitivas são susceptíveis de ter surgido.
Seria interessante a partir de agora realizar experimentos de acompanhamento, ou seja, acompanhar a dinâmica desse fragmento parcial de gene nas gerações de ratos seguintes. Cruzando com aqueles ratos que não tem esse fragmento e acompanhar como essa característica pode se espalhar em uma determinada população de ratos seguindo as Leis de Mendel.

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Scritto da Rossetti

Palavra chave: NetNature, Rossetti, DNA, Gene, Sistema nervoso central, Homo, Australopithecus, ASPM, FOXP2, MCPH1, CENPJ.

TIPOS DE MIMETISMO E OS PRECIOSOS EXEMPLOS DA NATUREZA.

O mimetismo é uma forma de interação interespecífica que envolve pelo menos três espécies; um modelo, uma espécie mimética, ou seja, imitadora do modelo e um operador que é que vai receber os estímulos produzidos pelo modelo e pelo imitador.

Existem diversos tipos de mimetismo. Eles podem ser classificados de acordo com os sinais utilizados pelo mimético para imitar o modelo.

Essa classificação leva em conta o valor adaptativo que beneficia a espécie imitadora. Existem quatro tipos de mimetismo; batesiano, mulleriano, peckhamiano e wasmanniano.

Então diante desses quatro modelos vamos utilizar exemplos reais para conhecer a natureza de tais mecanismos. Para tal vamos recorrer ao grupo dos aracnídeos que é um grupo que apresenta muitos exemplos. Embora haja mimetismo por toda a natureza como veremos adiante.

O mimetismo batesiano é mais comum na natureza e no grupo das aranhas. Esse tipo de mimetismo ocorre quando a espécie mimética e o modelo vivem no mesmo espaço geográfico ao mesmo tempo, mas não interagem de forma direta.

Isso ocorre porque os predadores aprendem a evitar espécies impalatáveis ou agressivas, como do modelo. Essa aversão deve ser intensa o suficiente para que seja estendida até a espécie mimética.

Uma característica importante é que o modelo deve ser mais abundante na natureza do que o ser mimetizante, de tal forma que o predador tenha maiores chances de se encontrar com a espécie impalatável e aprenda a evita-los.

Um dos modelos mais imitados por aranhas e por outros artrópodes são as formigas.

Os principais aracnídeos imitadores de formiga são aqueles pertencentes as a famílias Zodariidae, Gnaphosidae, Theridiidae, Thomosidae, Corinnidae, mas principalmente os Salticidae.

Isso porque as formigas são evitadas pela grande maioria dos grupos animais que se alimentam de aranha como lagartixas, vespas, hemípteros e até mesmo outras aranhas.

As formigas possuem várias características que as tornam pouco palatáveis.

Além disso apresentam ferrão, mandíbulas fortes, exoesqueleto duro com espinhos, substâncias irritantes como o ácido fórmico (por isso se chamam formigas) e um sistema de defesa espetacular já que vivem em colônia.

Mas é possível ver também aranhas imitando cupins (termitomorfas) e himenópteros (mutilideos) além de imitarem com menos frequência pseudoescorpiões, coleópteros e até mesmo capsulas que recobrem sementes de eucalipto e excrementos de pássaro (chamados de mimesis).

A maioria das espécies de aranhas que apresenta mimetismo morfológico se encontra na família Salticidae e em segundo lugar o Corinnidae, que são noturnas.

Quando uma espécie imita morfologicamente uma formiga chamamos isso de mirmecomorfismo. Isso inclui imitações morfológicas, da coloração, comportamento e da química.

As aranhas imitadoras acabam apresentando um corpo que parece ser dividido em três partes, como realmente ocorre nos insetos, embora as aranhas não sejam anatomicamente neste formato.

Assim, suas pernas se tornam longas e finas como a das formigas e suas quelíceras se assemelham as mandíbulas da formiga. Os olhos compostos e o ferrão são imitados pela cutícula e fiandeiras.

O seu corpo adquire uma morfologia estreita e embora isso diminua sua fecundidade, ela compensa a baixa produção de ovos produzindo mais ootecas.

O mais interessante é que a maioria das espécies que pratica o mirmecomorfismo morfológico também apresenta o comportamental. Eles elevam o primeiro ou segundo par de pernas para que simulem as antenas das formigas.

As aranhas imitam até mesmos os estágios de desenvolvimento das formigas, seguindo comportamento das castas até se transformar nos adultos. Esse mimetismo transformacional inclui espécies de todo o mundo, inclusive da Amazônia.

Na família Corinnidae as aranhas imitam os estágios iniciais da formiga Myrmecium limata que apresentam um abdome triangular. Quando adultos apresentam a forma e a coloração bastante semelhante as formigas Camponotus femoratus.

As duas formigas e a aranha compartilham os mesmo ninhos e trilhas em um fenômeno chamado de parabiose. Essa associação é vantajosa para todos os indivíduos.

Em espécies cujo dimorfismo sexual é mais expressivo cada sexo imita um modelo diferente. Na aranha Zuniga magna (Salticidae) os machos apresentam um prolongamento abdominal que permite imitar perfeitamente a região pós-peciolar da formiga Pseudomyrmex gracilis. Os palpos são bem desenvolvidos e imitam bem a cabeça das formigas apresentando suas pontas amareladas, como as mandíbulas do modelo.

Myrmarachne assimilis (Salticidae). Filipinas

As fêmeas quando adultas se assemelham com as formigas Pachycondyla villosa (Ponerinae) com a coloração escura e pelo dourados e um cefalotórax constrito em formato semelhante a estruturas gáster. Elas apresentam as mesmas colorações horizontais de pelos que criam uma aparência de segmentação.

Ás vezes esse polimorfismo ocorre entre indivíduos do mesmo sexo. Na aranha salticide Synemosina aurantiaca há um morfo que pode ser amarelado ou castanho que se assemelha ao das formigas Pseudomyrmex flavidulus e P. oculatus. Os indivíduos de morfo preto se assemelham as formigas Pseudomyrmex gracilis e P.sericeus

Casualmente acontece da espécie mimética ser abundante como o modelo e a média de encontros entre eles é excessivamente alta. O modelo predador acaba não aprendendo a reconhecer quais são as espécies palatáveis. Isso é visto até em espécies de borboletas.

Em teoria seria esperado que as espécies que melhor imitassem seus modelos sejam menos predadas e consequentemente sejam mais abundantes em relação aquelas menos semelhantes.

Recentemente um estudo mostrou que não é bem assim que as coisas funcionam e que a taxa de mimetismo varia de acordo com o valor energético que a presa tem em relação ao predador e as suas dimensões corporais.

 Espécies maiores tem de se assemelhar mais com os seus modelos do que espécies de dimensões melhores já que correspondem a valores energéticos diferentes para suas predadoras (saiba mais sobre isso em RESEARCHERS SOLVE DARWIN’S COPYCAT EVOLUTION PUZZLE).

Algumas espécies miméticas generalistas apresentam menor proteção em relação a seus predadores podem se associar com um número maior de modelos e explorar uma diversidade de habitats maior como é o caso das aranhas do gênero Zodarion.

O mimetismo peckhamiano ou mimetismo agressivo ocorre quando a espécie mimética é o predador que engana sua presa para se aproximar o suficiente a tal ponto de captura-la.

Muitas espécies acabam imitando até os sinais utilizados por suas presas na comunicação sexual ou social para traí-las. A espécie mimética é um emissor de sinal e a presa é simultaneamente o modelo que esta sendo imitado e o operador que recebe o sinal. Há exemplos de espécies mimetizantes que imitam as presas de suas vítimas. Assim o operador passa a ser a vítima e o modelo a presa deste operador.

Como as formigas são animais que constroem grandes colônias e são facilmente encontradas constituem uma forma de alimento bastante apreciada até mesmo pelas aranhas.

Algumas aranhas são especializadas em se alimentar de formigas, essa especialização surge como evento evolutivo já que há também formigas especializadas em atacara aranhas. É frequente esses ataques e encontrar aranhas faltando pernas ou sendo consumidas vivas pelas formigas.

Mas existem espécies de aranhas que vivem associadas ao nicho das formigas e outros que vivem dentro do formigueiro disfarçadas de formigas.

As formigas não apresentam boa visão e isso é uma vantagem enorme para o mimetismo das aranhas. As formigas interpretam o ambiente usando muito mais os sensores nas extremidades de suas antenas do que os próprios olhos.

Então elas interpretam muito melhor os sinais químicos, que as auxiliam na comunicação. Apenas algumas espécies de aranhas usam esse tipo de mimetismo, mas são bastante especializados.

A estratégia agressiva é simples, primeiro ela atrai ou passa despercebida frente as formigas para captura-las. Geralmente elas evitam o contato físico durante com as formigas antes, durante e depois do ataque para evitar a defesa corporativa, ou seja, uma colônia toda a atacando.

Muitas estratégias de ataque já foram descritas, aranhas atacando formigas por trás, agarrando-as pelo pecíolo, ataques frontais embora tenham chance maior de ter suas pernas amputadas.

Para ter uma chance melhor de ataque as aranhas separam as formigas do substrato suspendendo-as no ar com um fio de teia como faz alguns membros do gênero Zodarion, Aphantochilus e Strophius. Ainda podem saltar sobre a presa pendurada em um fio de teia como ocorre na Amyciaea forticeps.

Algumas aranhas mimetizam tanto os sinais químicos das formigas quanto os táteis, usado para fazer o reconhecimento dos membros da colônia.

A aranha Amyciaea forticepts que ocorre na Índia e pertence a família Thomisidae utiliza estímulos comportamentais para atrair sua presa, a formiga tecedora Oecophylla smaragdina. A aranha levanta seu abdome, curvando o corpo em posição de alarme atraindo a formiga que então é capturada. A presença de duas manchas no opistossoma da amanha simula os olhos compostos.

Gênero Cephalotes, faz mimetismo batesiano e agressivo. Especialista em formigas.

Formigas do gênero albomaculata tem características comportamentais e morfológicas muito semelhantes a aranha Amyciaea forticepts e parece ser uma espécie mimética agressiva da formiga O. Virescens da Austrália.

Há outros exemplos, a espécie salticide denominada Cosmophasis bitaeniata utiliza sinais químicos mimetizados para aproxima de suas presas. A cutícula contém carboidratos semelhantes ás castas de formigas Oecophylla smaragdina o que faz com que essas aranhas sejam toleradas dentro dos ninhos e formigueiros.

Os carboidratos da cutícula são adquiridos com a alimentação de larvas, semelhante ao que acontecesse também com aranhas da família Cornnidae, denominadas Attacobius attarum que habita ninhos de Atta sexdens aqui no Brasil.

Aranhas também consomem ovas e larvas de formigas, e o mimetismo feito por elas é tão preciso que muitas vezes as aranhas invadem os formigueiros usando suas táticas comportamentais, fisionômicas e químicas que faz com que as formigas entreguem os ovos a ela acreditando que esteja entregando para uma parceira qualquer da colônia.

Algumas aranhas usam as formigas como escudo mantendo-a na frente do corpo como visto nos gêneros Zodarion, Aphantochilus e Strophius.

Elas fazem isso porque quando a formiga é usada como escudo e as outras formigas da colônia vão toca-la para fazer a identificação pelo tato e quimicamente acabam tocando na formiga usada como escudo confundindo as patrulheiras do formigueiro. Algumas aranhas até tocam as formigas patrulheiras com o primeiro ou segundo par de pernas para melhorar o mimetismo com o toque de antenas, utilizados pelas formigas.

Existe também um grupo de aranhas especializadas em se alimentar de mariposas. As aranhas usam o sistema químico para atrair esses animais, são os alomônios, ou substâncias produzidas por uma espécie que afeta o comportamento de outra.

Esse sistema beneficia o emissor do sinal e afeta negativamente o receptor.

As aranhas especializadas em mariposas não constroem teias orbiculares, mas sim teias reduzidas como visto nas aranhas-boleadeira (Mastophora) e por vezes teias em formato de trapézio.

A mastófora forma um glóbulo de fibra de seda coberta com substâncias adesivas de matriz viscosa.

Ela libera o alomônio que atrai uma espécie de mariposa e então lançada a boleadeira. O comportamento de ataque das mastóforas é bastante variável de acordo com as espécies distribuídas no mundo. Há sutis variações nos ataques que diferenciam uma mastófora da Austrália, África e até mesmo do Brasil.

Esse mimetismo químico é preciso e aranhas especializadas em caçar mariposas muitas vezes mimetizam mais do que um alomônio e variam sua concentração de acordo com a presa que deseja capturar naquela noite. Isso foi demonstrado na Mastophora hutchinsoni ao atrair macho da mariposa Lacinipolia renigera e Tetanolita mynesalis

Elas conseguem variar a proporção desses alômonios atraindo as duas espécies sem que a atração de uma seja afetada pela produção química de outro.

Há outros exemplos de aranhas que usam o mimetismo agressivo para predar animais. Muitas deles pertencem ao grupo das Celaenia são encontradas na África e Nova Zelândia e são parecidas com as mastóforas caçando inclusive mariposas.

No Brasil a Taczanowskia é um grupo de aranhas aparentadas da Mastophora que apresentam esse comportamento de boleadeira.

A aranha Kaira alba também mimetiza quimicamente hormônios de mariposa que caem em sua teia que é construída em forma de zigue e zague.

Assim vemos diversos tipos de mimetismo químico que ocorre nas aranhas mas também em outros animais como veremos mais adiante.

No mimetismo wasmanniano temos estratégias diferenciadas. Os estímulos utilizados dependem da forma na qual o hospedeiro reconhece co-específicos. São estímulos químicos e táteis.

Nesse mimetismo a espécie mimética não afeta negativamente a espécie imitada já que cada uma utiliza-se de presas distintas e a presença do mímico não tem efeito algum sobre o sucesso reprodutivo do modelo. Seriam basicamente comensalistas.

Dentro de ninhos de formigas as aranhas encontram recursos que não estão disponíveis no ambiente exterior e algumas espécies fazem esse mimetismo químico que não influenciam negativamente os animais modelo.

Aranhas Gamasomorpha maschwitzi apresentam também a cutícula com carboidratos que favorecem o seu reconhecimento dentro de formigueiros de Leptogenys distinguenda. Aranhas Masoncus pogonophilus são encontradas em ninhos de formigas Leptogenys badius. Elas se alimentam de colêmbolos que existem dentro de ninhos. Além disso, as formigas oferecem uma proteção extra as ootecas dessas aranhas e por isso acaba ocorrendo relações ecológicas mais consistentes de mutualismo.

Isso acaba favorecendo até o sucesso reprodutivo das aranhas. Estudos moleculares mostraram que a população de Masoncus pogonophilus se desloca a poucas distancias e a nova prole desta espécie sempre fica em ninhos mais próximos daquele onde nasceram.

Nos Andes peruanos a aranha Eilica puno vive em formigueiros de Camponotus inca dentro de grandes ninhos subterrâneos onde há um microclima com umidade e temperatura que pouco variam durante o ano. A aranha se tornou dependente do microclima criado pelas formigas que oferece proteção contra predadores e a suas ootecas.

Algumas aranhas usam um artifício ainda mais interessante, elas montam nas formigas e andam longas distâncias. Isso foi observado nas Gamasomorpha maschwitzi.

Elas foram vistas literalmente cavalgando sobre formigas Attacobius attarum. Muitas dessas formigas fazem o voo nupcial antes da reprodução e as aranhas pegam. Quando estão em grandes altitudes se soltam das formigas e praticam o balonismo ou dispersão pelo vento.

No mimetismo chamado de mulleriano a interação entre o modelo, a espécie mimética e o operador é semelhante ao visto no batesiano, mas neste exemplo tanto o modelo quanto a espécie mimética compartilham sinais defensivos, coloração, forma e odores que conferem uma vantagem adaptativa ao facilitar a memorização destes animais pelo predador.

O mimetismo mulleriano é melhor visto em grupos de borboletas, anfíbios anuros e serpentes que usam sua coloração semelhante a de animais perigosos para se esquivar de predadores. Essas cores aposemáticas indicam que certos animais são extremamente venenosos como a cobra coral verdadeira.

As corais peçonhentas  pertencem ao gênero Micrurus e as miméticas não-peçonhentas aos gêneros Erythrolamprus, Oxyrhopus e Anilius.

Há também diversas espécies de dípteros que mimetizam vespas e abelhas, se assemelhando tanto na cor como em comportamento, como as moscas-de-flores.

Dentro desse universo dos quatro tipos de mimetismo encontramos exemplos em todo o reino animal. A borboleta Caligo sp apresenta o desenho do rosto de uma coruja nas asas abertas e quando estão fechadas se assemelham a uma serpente.

A mariposa Cephanodes hylas conhecida como mariposa beija-flor ou mariposas esfingídeas visitam as Buddleias da França. São copias exatas de beija-flor tanto em comportamento quanto em sua anatomia.

O homóptero jequitiranabóia (comum no norte do Brasil) da espécie Fulgora lanternaria também mimetiza uma cobra com sua anatomia peculiar aqui no Brasil.

Jequitiranabóia

Sapos inofencivos muitas vezes mimetizam os mais perigosos através das cores e por vezes inflam seu corpo para parecerem maior e enganar seu predador.

Talvez o exemplo mais interessante venha da borboleta Maculinea rebeli. Ela vive grande parte de sua vida em ninhos de formigueiros, de fato, cerca de 2 anos de sua vida se passam por lá, pois são protegidas pelas formigas graças ao mimetismo de hormônios.

Na Europa a maioria das borboletas se reproduz em junho e julho. Seus ovos são depositados na violeta-genciana. Por duas semanas as larvas que eclodem do ovo se alimentam da genciana, mas algumas larvas caem e são carregadas por formigas até os berçários dos formigueiros.

As larvas imitam o som das formigas e recebem alimento até eclodirem, fazer a muda e alcançar o estagio adulto. Mas algo diferente acontece. As vespas Ichneumon também levam seus ovos ao formigueiro aonde tem larvas de borboleta.

A vespa invade o formigueiro e as formigas começam á ataca-las. Mas essa vespa faz algo muito especial, ela libera feromônios que faz com que as formigas ataquem umas as outras. A vespa então corre até a larva da borboleta Maculinea rebeli e inocula um ou alguns ovos onde estavam as larvas de borboletas e depois foge.

Tempos depois as larvas normais formam crisálidas e depois borboletas adultas. As larvas de borboletas que foram parasitadas liberaram uma vespa adulta que tem de sair as pressas do formigueiro antes que morra com as picadas de formiga.

Outro exemplo bastante interessante de mimetismo químico ocorre no Himalaia. As maiores colônias de abelhas do mundo se encontram lá e se estendem até o sudeste da Malásia. A mariposa Acherontia atropos passa próximo a essas grandes colônias e invade tranquilamente as colmeias para obter mel sem ser atacada já que mimetizam os feromônios da colônia.

O mimetismo e as maneiras de se camuflar (que não abordamos aqui) são uma das melhores estratégias de sobrevivência que a evolução criou e tem sido relatados cada vez mais exemplos.

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Scritto da Rossetti

Palavra chave: NetNature, Rossetti, Mimetismo Batesiano, Mimetismo mulleriano, Mimetismo agressivo, Peckhamiano, Mimetismo wasmanniano, Aranhas, formigas, Borboletas, Mariposas, Anfíbios, Serpentes, Boleadeiras.

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Referências

* Marcelo O. Gonzaga, Adalberto J. Santos e Hilton F. Japyassu. Ecologia e Comportamento de Aranhas. Editora interciência. Rio de Janeiro 2007.
* BBC. Pequenos Monstros.

O DESIGN INTELIGENTE E A VOLTA À CAUSA CERTA (com resenha)

maio 22, 2012 1 comentário
Marcos N. Eberlin

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post “O Design Inteligente e a volta à causa final”, publicado neste blog em 7 de maio pelo jornalista Maurício Tuffani, diretor de redação da revista Unesp Ciência, é muito didático e melhor ainda, fomentador de um debate inteligente, científico, filosófico e teológico que há muito perdemos no tempo, e na teoria. Ele distinguiu o cerne da questão da relação entre a teoria do Design Inteligente (TDI) e a ciência, e nos remeteu à reflexão de aspectos fundamentais de como se dá o conhecimento científico. Todavia, em detrimento à posição cética sui generis, sua análise foi prejudicada pela influência da visão estereotipada e pré-conceituosa que o materialismo filosófico tem a respeito da TDI.

Quanto à causa final, Tuffani confunde implicações com fundamentos, e opiniões com postulados. Não é correto, sabemos, usar colocações filosóficas e teológicas sobre as implicações indiretas da TDI, feitas por qualquer de seus adeptos (que além de cientistas são também gente), sobre suas convicções pessoais a respeito da natureza da inteligência no Design e suas implicações indiretas sobre o funcionamento e alcance da ciência, tentando transformar, por força da retórica, essas avaliações legítimas, mas subjetivas, em fundamento da teoria que eles defendem. Não cola!

A TDI incita, sim, a discussão sobre as possíveis implicações filosóficas e teológicas de seu postulado, mas não se baseia em nenhuma delas. Não assume a priori qualquer causa, primeira ou final, natural ou sobrenatural. Terrestre ou extra-terrestre. Pré ou pós-Aristóteles! Que vá ou não alterar toda a ordem do Universo, até a lei da gravidade, como se inferiu.

TDI tem apenas um postulado, uma única regra de prática, sem fé: Vamos seguir os dados onde quer que nos levem! E vamos interpretá-los, livres de qualquer amarra, pré-conceito ou predefinição; por exemplo, livres daquele “pacto” pós-medieval iluminista que fizeram com o materialismo filosófico e que nos constrange quanto ao que devemos e o que não podemos concluir. Livres de qualquer demarcação chique e perfumada, que nos força a procurar explicações até mesmo onde elas simplesmente não existem.

E assim, nessa análise sem pré-conceitos ou paixões, a TDI faz também uma única conclusão, revolucionária sabemos: há sinais claros da ação de uma mente inteligente e consciente na Vida e no Universo! Só isto e nada mais! Somos livres, como cientistas e gente, para especular sobre as implicações metafísicas desta grande descoberta, a maior de todos os tempos em Ciência, mas proibidos pela regra única de prática sem fé da TDI de transformar nossas especulações filosóficas e/ou teológicas em pré-conceitos inibidores da TDI em sua busca de fazer Ciência plena e sem pré-conceitos.

A TDI resgata, sim, uma causa. Mas não a causa final efêmera pré-coperniana. Resgata uma causa legítima, conhecida e invocada amplamente pela ciência, em várias áreas não diretamente “regidas” pelo “pacto”. Uma causa suficiente e necessária, a única causa que sabemos hoje em ciência ser capaz de gerar informação aperiódica funcional e gerenciá-la através de códigos múltiplos e interligados, códigos dentro de códigos, informação zipada, criptografada, com estrutura “topdown hard-disk like”.

Tuffani se equivoca também quando diz que, em relação a evolução química, confundi em minha palestra improbabilidade com impossibilidade. Confundi não! Assistam à minha palestra (disponível no site do III Simpósio Internacional Darwinismo Hoje, do Mackenzie) e vocês verão e ouvirão que conclui, não pela improbabilidade da evolução química, mas pela sua total impossibilidade, e por conseqüência pela morte da evolução biológica pela raiz. É porque sei que a evolução química é impossível que eu a refuto. É porque sei que as forças naturais são contra a Vida, e não a seu favor, que concluí, à luz do conhecimento, e pela força dos dados, sobre a impossibilidade absoluta de toda a cadeia da evolução.

Tuffani se engana também quando afirma que “…tachamos de ignorantes os que discordam dessa inferência.” Nunca fiz nem faria tal adjetivação, mesmo que indiretamente. Sei que os evolucionistas são pessoas inteligentes e muito bem informadas, e principalmente muito criativas. Eles não são ignorantes, não! São pré-conceituosos. Assumem que tudo é “matéria e energia” e, assim, guiados por este pré-conceito, necessariamente concluem o inevitável: a evolução ocorreu! Posso não saber como foi, mas um dia vou descobrir. Posso não ter explicação alguma agora, mas como Mauricio mesmo me sugeriu no simpósio, o máximo que farei é admitir total ignorância, jamais rever meu pré-conceito.

Mas é esse pré-conceito chique e perfumado, iluminado, pós-medieval, que está impedindo a ciência hoje de ver o óbvio. De escutar o que as moléculas da Vida falam com tanta clareza, com tanta veemência, e em voz alta! Ecos de nossa existência que soam cada vez mais forte! A teimosia fica evidente, porém, quando persistimos em procurar explicações filtradas pelo materialismo filosófico. E de classificar de obscurantista pré-medieval Aristoteliano qualquer um que ouse encontrar outra causa! Mesmo que esta causa seja uma causa cientificamente legítima, conhecida, suficiente e necessária.

Quanto ao critério de demarcação entre ciência e pseudociência de Karl Popper, não há dúvida que a TDI se enguadra nele. Palestras no III Simpósio abordaram esse aspecto. Mas a ironia maior se observaria se constatássemos que a TDI, segundo Popper, é mesmo uma pseudociência. Que deveríamos fazer, então? Às favas com Popper e sua demarcação! Pois o que queremos não é demarcar a ciência, ou obedecer a Popper ou qualquer outro “pai da ciência”! Queremos encontrar a resposta certa, não a “cientificamente aceitável”. Remova-se então a demarcação de Popper, pois ela estaria prestando um grande desserviço justamente a quem deveria servir. Estaria deixando de fora o que ela deveria estar acolhendo: a resposta certa! Aquela resposta que segue os dados e os interpreta livre de pré-conceitos que nos dizem a priorio que podemos e devemos concluir!

Tuffani se engana também quando classifica a TDI de “um fracasso científico”, no que se refere ao ideal de fazer a ciência avançar no conhecimento. Mas a TDI é mesmo um fracasso, só porque inibe as pesquisas em evolução? Em ciência, tão bom quanto descobrir uma rota certa é descobrir uma rota errada. Pois ao descobrirmos que uma rota é impossível, nunca mais a utilizaremos. Não consigo mesmo transformar ferro em ouro, alquimicamente, e ponto final! E isto vai nos poupar tempo e muito dinheiro. Vai evitar que eu repita meu erro, persista nele. Um dos grandes sucessos da TDI é exatamente esse – o de mostrar que a rota para a Vida a partir de matéria inamimada e processos naturais não guiados é inviável, impossível, probabilidade zero mesmo! É querer, pedalando, chegar à Lua. Livres da persistência nesse erro, de transformar ferro (matéria inanimada) em ouro (Vida), poderemos então nos concentrar em questões ainda mais relevantes. Podemos fazer agora as perguntas certas! Não perguntaremos mais como esse código evoluiu, pois códigos são, por princípio (e por constatação), imutáveis, mas sim: qual a lógica e a inter-relação dos diversos códigos da Vida, e onde e como estão armazenados? Podemos aprender com eles, com sua inteligência? E usar este conhecimento em benefício da Vida? Ou seja, a TDI quer soltar a perna da ciência, que jaz presa no materialismo filosófico, e permitir a ela passos livres e bem mais largos!

Tuffani acerta em cheio, porém, quando diz que o maior mérito da TDI é “…de forçar os evolucionistas a rever seus pressupostos e serem um pouco mais autocríticos”. Perfeito! Isso nós queremos, sim. Que nossos amigos evolucionistas, gente boa e bem informada, inteligentes e cultos, conhecedores de toda a complexidade irredútivel, a informação aperiódica funcional, e a antevidência genial que superlota a Vida, e a cada dia mais, não fiquem à espera de explicações materialistas que teimam em não vir. Mas que, deixando de lado o seu pré-conceito materialista filosófico, sigam os dados aonde eles nos levam! Que sejam autocríticos a ponto de perceber que sua subjetividade materialista os impede de ver o que os dados mostram hoje com tanta clareza: uma mente inteligente e consciente orquestrou a Vida e o Universo, não resta dúvida!

Finalizando, recomendo, para os que quiserem saber mais sobre a TDI, a entrevista “Professor da Unicamp defende Design Inteligente”.

 

Marcos N. Eberlin é membro da Academia Brasileira de Ciências, Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico, presidente da Sociedade Internacional de Espectrometria de Massas e coordenador do Laboratório ThoMSon de Espectrometria de Massas do Instituto de Química da Unicamp. É também membro do Núcleo Brasileiro do Design Inteligente, presidente do Comitê Organizador do 1º. Congresso Brasileiro do Design Inteligente (DIBrasil 2010) e faz parte do corpo de editores do periódico Bio-Complexity.

Fonte: UNESPCiência

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Resenha do autor

Tuffani está simplesmente correto, e aqui vamos discutir o porque.

O criacionismo não só é um fracasso como é também um retrocesso na produção científica. Se para Eberlin o materialismo filosófico pós-medieval iluminista é insatisfatória do ponto de vista da busca das respostas, porque então implantar o criacionismo? O pensamento ligado ao materialismo científico foi quem deu a ciência a independência das garras da escolástica, a vigília sanguinária em nome de Deus.

Ele é justamente um retrocesso porque põem a ciência novamente de baixo das interpretações místicas.

Marcos N. Eberlin

Apesar de Eberlin se justificar de forma bastante técnica, ele rebate o “pré-conceito chique e perfumado” com outro.

Se não é correto usar colocações filosóficas e teológicas sobre as implicações da concepção de design inteligente porque ele está cheio de convicções pessoais e pastorais?

A ciência não apresenta um pré-conceito. Ela simplesmente não mistura laranjas com maças. O que o criacionismo faz é justamente apresenta uma máscara “chique e perfumada” para Deus. Não há distinção alguma entre criacionismo e Design inteligente por mais que criacionista algum não aceite isto. Afinal, todo criacionista defende o tal designer. Ora, Eberlim exprime exatamente o mesmo quando manifestou sua defesa no texto acima exemplificando uma de suas palestras sua na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Há algo mais teológico do que defender designer inteligente em uma universidade Presbiteriana que desfaz da biologia evolutiva como grade curricular?

Grande parte dos criacionistas defensores do Design inteligente são membros e teólogos da igreja Adventista como o arqueólogo e pastor Rodrigo Silva, o geólogo Nahor Neves, Adalto Lorenço e até mesmo especuladores baratos como Michelson Borges que é teólogo e “pauperrimamente” tenta discutir criacionismo e biologia evolutiva.

O próprio Eberlin que é tão prestigiado nas Universidades de Londres somente é porque apresenta seus resultados sem interpretações teológicas. Dawkins entrou na justiça e este ano conseguiu retirar o ensino do criacionismo em colégios públicos uma vez que este fere o principio da laicidade (RICHARD DAWKINS CELEBRATES A VICTORY OVER CREATIONISTS). Londres tem pouco apreço ao criacionismo!

Entretanto, afirmar que as moléculas levógenas ou dextrógenas carregam assinaturas divinas é uma especulação puramente pessoal quando seus caracteres espectométricos poderiam ser explicados parcialmente por fenômenos naturais como luz polarizada ou magnetismo. É sempre mais fácil explicar usando o sobrenaturalismo teológico.

A ciência faz exatamente o que Eberlin disse acima, as conclusões foram tiradas de acordo com os resultados e evidências, se livrando das garras da escolástica medieval e tomando caminhos que não dependiam mais do direcionamento opressivo da igreja. E se as evidencias apontam para um mundo sem um designer?

Ao que parece o mundo não é ajustado para sustentar a vida nem a humanidade, e as forças naturais contra a vida não a torna impossível e sim improvável, pelo simples fato de que se fossem impossíveis não estaríamos aqui, seja a vida uma criação divina ou não. Contudo, o fato das forças naturais impactarem a vida é o a faz  persistir das maneiras mais diversas possíveis, sob a perspectiva evolutiva.

Ao que parece não há justificativa alguma para crer que a vida deva nos suportar, que a justiça seja o padrão ou que a felicidade seja obrigatória. Nada leva a crer que tudo foi ajustado e planejado para nos sustentar. De fato, até os filósofos mais antigos questionavam tais premissas que vieram a tornar mais efetivas quando a ciência começou a perceber que o mundo poderia ser explicado segundo a luz da experimentação e de dados. (UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA SOBRE A FINALIDADE, OU SUA FALTA NA COMPOSIÇÃO DO UNIVERSO).

Não que se deva sustentar uma visão puramente cientificista, justamente para não cair no positivismo de Sheldon (The Big Bang Theory). Os resultados devem ser debatidos nos campos acadêmicos ou populares.

A partir de Popper, Kant, Hume a ciência começou a desmistificar o mundo com muito maior intensidade aquelas vistas por filósofos como Teofrasto ou Lucrécio.

A ciência não torna o mundo feio por desmistificar os fenômenos naturais. Após Newton ter desmistificado, explicado cientificamente os fenômenos prismáticos por trás do arco-íris o poeta John Keats em 1802 caiu em desgraça dizendo:

Todos os encantos não se dissipam
Ao mero toque da triste filosofia?
Existia um maravilhoso arco-íris no céu:
Conhecemos agora sua trama, sua textura
No frio catálogo das coisas triviais.
A filosofia decepará as asas de um Anjo,
Decifrará os mistérios item por item,
Eliminará o encanto do ar e o tesouro escondido.

                                                           (Desvendando o arco-iris)

Não há razão alguma para o mundo perder o encanto quando seus fenômenos são desmistificados. Só abre mais perspectivas poéticas e abrilhantam o conhecimento da humanidade.

O que o criacionismo propõem é voltar a inserir Deus nas interpretações científicas, e o designer inteligente com sua mente criadora da margem para isto, pois é essencialmente isto.

Ora, se vamos seguir os dados onde quer que nos levem como diz Eberlin, devemos aceitar se ele nos levou a pressupor a impossibilidade de que o suposto designer não exista, considerando que grande parte dos ajustes do universo não fazem sentido algum terem sido criados para suportar a vida. A visualização da evolução em seus mais evidentes campos inclusive moleculares mostra exatamente o contrário e por isso é atacada radicalmente. Do contrário seria como afirmar que a deusa Bali colocou um vulcão do Monte Gunung Agung na Indonésia especificamente para lhe façam sacrifícios. Ora, nós atribuímos esse valor em nossas culturas, tradições, mitos e lendas, não significam que são reais ou leis.

Não há ajuste algum, querendo ou não as evidencias apontam que energia e matéria são primordialmente os elementos que fazem do universo um imenso laboratório natural em perplexa e incondicional evolução por expansão.

A suposição de que a evolução existe não é dada graças ao materialismo filosófico. Se por um lado parece evidente uma assinatura divina na visualização das moléculas fica evidente que essa interpretação é recheada de conceitos teológicos pessoais. Ao mesmo tempo, a ciência deixa estampada na cara do mundo que a evolução biológica também acontece, sem precedente teológico algum, unicamente material a partir de fósseis, DNA, comportamento, compartilhamento de caracteres anatômicos e morfológicos.

Anaxágoras, Lineu, Lamarck e Darwin que o digam, pois o conceito de que espécies compartilham suas histórias por ancestrais ultrapassam os limites históricos de Darwin. O sistema de classificação de Lineu já exprimia esse relacionamento evolutivo que foi sendo refinado por seus sucessores como Lamarck.

Como querer fazer ciência se o que é proposto não segue os preceitos de ciência?

Não se faz um bolo de laranja seguindo uma metodologia que descreve como fazer uma torta de maça americana. Portanto, a questão não é obedecer a Popper ou qualquer outro, é dar respostas cientificas fazendo ciência. Se queremos encontrar a resposta certa não precisamos nos restringir a ciência, mas não significa que a resposta cientificamente correta seja aquela que propõem uma mente externa ao universo e cobra nosso sábado como dia do Senhor. Isso é teologia.

O que a proposta criacionista oferece e uma inversão de valores. Durante séculos a igreja controlou e interferiu na produção de conhecimento, oprimindo-o de acordo com os dogmas religiosos e interesses próprios. A filosofia foi reduzida a um mero ponto de vista e quem fosse julgado (ou não) subversivo a este modelo tedeísta deveria acompanhar Giordano Bruno.

Com a libertação científica das garras da doutrina medieval a ciência passou a caminhar por si só até que se desvencilhou dos conceitos teológicos a cerca de 200 anos. Essa chamada foi de grande peso ao poder de persuasão religioso em administrar e recrutar novos fiéis. Nada do que a ciência produziu do iluminismo em diante corroborou a existência do Deus cristão. Tudo que foi adotado no iluminismo hoje sofre pressão religiosa. A premissa de abolição da relação entre religião e estado é foco de grupos fundamentalistas. A melhoria do ensino geral e científico é taxada de doutrinária por grupos religiosos. Note a inversão de valores.

Os iluministas foram ridicularizados, pela pressão religiosa, Adam Weishaupt iluminista da Baviera fundador da ordem secreta illuminati lutava por um mundo com um único governo sem propriedades privadas e abolição da relação estado/religião. Foi reduzido a um disseminador do anticristianismo pelos religiosos e por “conspiracionistas” como Nesta Webster (1900) e suas medíocres teorias que perpetuam até hoje.

O conceito de design inteligente surgiu em 1989 com o livro Of Pandas and people. Uma tentativa americanizada e puritana de mascarar o criacionismo como ciência. Como podemos discutir Design inteligente quando o berço deste conceito é claramente teológico? Esse discurso de Eberlin (conscientemente ou não) trás uma concepção falsa de libertação com a re-introdução do discurso escolástico. Como ter um livre pensamento científico com uma doutrina fundamentalista que surgiu na Idade Média?

Mas há de se concordar com Eberlin quando afirma que o criacionismo e o designer inteligente leva o evolucionista a se manifestar, refletir e auto-criticar.

Isto diretamente tem dado resultados excelentes, especialmente sob o ponto de vista da biologia evolutiva como já demonstrado em (CRIACIONISTA, DIZ-ME COM QUEM ANDAS).

Ao que parece, o materialismo científico tem produzido muito mais conhecimento agora que está dissociado de conceitos teológicos.

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Scritto da Rossetti

Palavra chave: NetNature, Rossetti, Eberlin, Ciência, Criacionismo, Evolução, Escolástica, Design Inteligente, Filosofia, Teologia.
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COMPETIÇÃO POR ALIMENTOS (com resenha)

maio 21, 2012 2 comentários

Ascensão de humanos há 2 milhões de anos condenou grandes carnívoros.

O impacto do Homo sapiens sobre o meio ambiente nos últimos séculos foi tão profundo que alguns cientistas chamam esse capítulo da história da Terra de Antropoceno. Mas a destruição ecológica feita pelos humanos pode ter começado muito, muito antes disso. Uma nova teoria sugere que mudanças nos hábitos e na dieta de nossos antepassados, há cerca de 2 milhões de anos, dizimou várias espécies de grandes carnívoros na Ásia Oriental, o que pode ter causado um efeito cascata de destruição.

Os leões são um dos apenas seis carnívoros que restam na África Oriental atualmente.

Atualmente, a África Oriental tem seis carnívoros (membros da ordem Carnívora) que pesam mais de 21,5kg e, portanto, são considerados grandes: leão, leopardo, guepardo, hiena-pintada, hiena-listrada e cão-selvagem-africano – todos com uma dieta composta de mais de 70% de carne. Mas, há muito tempo, pelo menos 18 espécies de grandes carnívoros com dietas muito mais diversificadas ocupavam a planície da África Oriental. Entre esses animais estavam ursos e civetas onívoros, tigres-dente-de-sabre que se especializaram em presas grandes e lontras do tamanho de ursos, que eram mais terrestres que as modernas. Observando o registro fóssil de 78 espécies carnívoras da África Oriental, com 3,5 milhões de anos, Lars Werdelin, do Museu Sueco de História Natural, em Estocolmo, descobriu que a diversidade de espécies grandes começou a cair há cerca de 2 milhões de anos. Em abril, em um simpósio sobre evolução humana e mudança climática no Observatório Terrestre Lamont-Doherty da Columbia University, Werdelin fez um esboço de sua explicação para o declínio.

Se a mudança climática fosse a responsável por isso, deduziu Werdelin, os carnívoros menores, geralmente mais sensíveis a mudanças, também teriam sido atingidos. O exame do registro fóssil desses pequenos animais, no entanto, não mostrou qualquer semelhança com o padrão de perdas relacionadas ao clima que os carnívoros modernos apresentam. Com base nessas duas linhas de evidência o pesquisador argumenta que a aparente redução de grandes carnívoros, começando há cerca de 2 milhões de anos, é “uma diferença dramática sem relação com o clima”.

Se a queda não foi resultado direto da mudança climática, então os responsáveis provavelmente são os primeiros hominíneos (membros do grupo que inclui os humanos e seus parentes extintos), propõe Werdelin. O momento coincide com a transição dos primeiros membros do gênero Homo com o uso de ferramentas de pedra e a utilizar uma dieta onívora que incluía significativamente mais carne do que a de seus predecessores. Mas é improvável que esses hominíneos tenham matado os grandes carnívoros diretamente. Em vez disso, segundo Werdelin, eles os afastavam de suas presas enquanto se alimentavam delas.

Os detalhes do declínio dos grandes carnívoros que aparecem no registro fóssil apoiam a teoria de Werdelin: os grupos extintos eram especificamente aqueles que estavam em competição direta com os hominíneos, ou que representavam ameaças a eles: onívoros com dietas similares e “hipercarnívoros” com poucas opções de presas. Os hominíneos teriam sido grandes competidores em relação aos grandes carnívoros não apenas por estarem armados com ferramentas de pedra, mas porque tinham acesso a uma variedade maior de alimentos de baixa energia dos quais podiam se alimentar em tempos difíceis, ao contrário dos grandes carnívoros.

No cenário mais simples, o desaparecimento de um predador permite que as populações de presas cresçam, o que impacta na população de plantas que essas espécies comem. Os biólogos chamam essa cadeia de eventos de cascata trófica. A reintrodução de lobos no Parque Nacional Yellowstone na metade da década de 90, quase um século após terem sido exterminados daquele local, fornece um exemplo marcante da importância dos maiores predadores: a população de alces não apenas foi reduzida a um tamanho mais controlável, como choupos e álamos começaram a se recuperar, assim como os salgueiros, que trouxeram de volta os castores, que com seus diques criam lagos. Como os ecossistemas da África Oriental foram afetados pela perda de grandes carnívoros há 2 milhões de anos, porém, ainda não foi determinado.

A apresentação de Werdelin impressionou outros cientistas no simpósio. O padrão de extinção dos carnívoros que ele descreve “é muito forte e não parece ser produzido simplesmente pelo tamanho das amostras, mas por mudanças reais de diversidade”, comenta René Bobe, da George Washington University, especialista em ecologia de mamíferos da África Oriental daquela época. No entanto, ele adverte que as causas da redução são menos certas, observando que “há apenas uma correlação muito vasta entre ela e a emergência do gênero Homo”. Responsabilizar um evento específico é difícil porque o momento não ajuda. “Se o Homo e as primeiras ferramentas de pedra têm cerca de 2,5 ou 2,6 [milhões de anos], então a redução no número de carnívoros aconteceu cerca de meio milhão de anos depois”, explica Bobe. “Se o Homo erectus/ergaster (originado há cerca de 1,9 milhões de anos) for o responsável, então a redução no número de carnívoros começou muito cedo. O Homo pode realmente ter desempenhado seu papel, mas as causas precisam estar bem documentadas”. 

Outras informações podem surgir a partir de mais dados fósseis. Para esse estudo, Werdelin usou espaços de tempo de 500 mil anos. “Esperamos capturar mais detalhes conforme conseguirmos uma resolução melhor”, explica. Enquanto isso, sua teoria faz várias previsões sobre a relativa abundância e escassez de algumas classes específicas de mamíferos que os paleontólogos talvez encontrem no registro fóssil – caso Werdelin tenha razão sobre o declínio dos grandes carnívoros. 

Assim, mesmo que os humanos tenham sido responsáveis pela destruição desses animais, ainda podemos culpar a mudança climática: as alterações entre 3 e 2 milhões de anos atrás abasteceram a disseminação de campinas na África, forçando nossos primeiros ancestrais a descer das árvores para a savana aberta, um dos motivos de eles terem sido obrigados a enfrentar os grandes carnívoros.

Fonte: Scientific American Brasil 

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Resenha do autor

Esse estudo nos permite por três linhas de pensamento em questão.

A primeira é justamente pensar na validade do experimento que afirma que os ancestrais dos homens indiretamente afetaram a população de grandes carnívoros a 2 milhões de anos quando estabeleceram uma dieta onívora mais acentuada.

Isso não quer dizer que realmente tenha acontecido, mas que é uma hipótese e como tantas outras, pode explicar a extinção desses carnívoros. De fato, como dito acima, ele aguarda descobertas de fósseis deste período de tempo para aprimorar seus modelos.

Discutir e questionar a base desses modelos é fundamental para que a construção de conhecimento não fique restrita a concepção cientificista.

A segunda questão é que ainda é cedo e improvável afirmar que estamos entrando em uma nova era do tempo geológico que se insiste em chamar de Antropoceno (veja mais aqui).

Os aquecimentistas (vertente ambientalista que defende a veracidade do aquecimento global) e “cientistas” chapa branca estudantes do clima buscam apressar a adoção desse conceito unicamente por motivos pessoais, quando o cenário catastrofista do aquecimento global recebe cada vez mais críticas de céticos e climatologistas.

A terceira questão é justamente a validade deste experimento que a principio é brilhante, mas que é pouco provável pelo fato de que a espécie humana esta se tornando o “bode expiatório” de todos os problemas climáticos.

Atribuir a extinção desses grandes felinos a espécie humana não parece ser a resposta mais coerente para esse dilema por diversos motivos.

Primeiramente porque extinguir grande parte dessas 18 espécies de felino necessitaria de uma população ancestral humana (Homo ergaster/erectus) relativamente densa na África.

O Homo sapiens que sobreviveu por sua aptidão só atingiu o seu primeiro bilhão de habitantes em 1802. Em uma situação em que os hominídeos viviam na áfrica a 2 milhões de anos a população mundial dessa espécie poderia ser inferior a um milhão de indivíduos. Algumas estimativas apontaram para talvez 10 mil habitantes.Parece improvável que essa população tenha sido um peso competitivo na questão alimentar para tantas espécies extintas de felinos.

Outra questão é que muitas dessas extinções podem ser associadas a outros motivos.

Apesar de ser ainda um mistério, a extinção dos neaderthais parece ter sido provocada não unicamente pelas disputas com o Homo sapiens, mas o seu declínio já ocorria devido a mudanças climáticas severas, como já apontado em matérias da própria revista Scientific american.

Além disso, é sabido hoje que muitas das extinções podem ter iniciado antes e se consolidado com a contribuição do homem.

O lobo tilacino da Tazmânia realmente foi extinto pelo homem, mas sua diversidade genética já havia sido extremamente afetada por um gargalo genético evolutivo que essa espécie passou a 10 mil anos atrás quando a ilha de Tazmânia e a Austrália perderam sua conexão por terra e o fluxo gênico limitou-se.

A extinção da megafauna aqui no Brasil parece não ter contado com a participação humana, afinal, jamais foram encontrados quaisquer vestígios arqueológicos dos ossos desses animais sendo usado como ferramentas. É de se esperar que se o ser humano algum dia usou esta megafauna para se alimentar então certamente usariam seus ossos como ferramentas. Jamais foi encontrado um osso de qualquer animal da megafauna que tenha sido usado como ferramenta.

Animais como o alce-irlandês (Megaloceros) que faziam parte da megafauna ao redor do mundo não extinguiram-se por razões antrópicas mas sim climatológicas.

O Alce-Irlandês que não era um alce, mas sim um veado, e não ocorria somente na Irlanda provavelmente entrou em extinção na última era do gelo e talvez os fatores da seleção sexual tenham sido um agravante.

O alce-irlandês teve a maior galhada já encontrada na Natureza, de uma ponta a outra seus galhos tinham cerca de 3 metros e 65 centímetros de distancia.

Outros casos ainda permanecem obscuros. O leão-das-cavernas (Panthera leo spelaea) que parece ter sido caçado por seres humanos embora sua extinção esteja mais ligada as mudanças climáticas do fim do Pleistoceno.

A hiena-das-cavernas (Crocuta crocuta spealaea) extinguiu-se exatamente por razões climáticas e o homem não teve relação alguma.

As hienas-das-cavernas  ocasionalmente roubavam humanos dos assentamentos. Elas atacavam, arrastavam os membros mais jovens e os devoravam. Algo parecido com as modernas hienas pintadas na África, porém, com filhotes de leões.

De fato, os mais antigos restos humanos encontrados no Alaska evidenciam um ataque dessas hienas. Ao que os dados indicam, esses ataques eram constantes e talvez tenham impedido que grupos humanos tivessem cruzado o estreito de Bering antes.

É preciso ter cuidado ao afirmar que o homem tem sido o principal causador das principais mudanças climáticas.

Isso porque as mudanças climáticas no nível global não são corroboradas pelos climatologistas. As únicas mudanças climáticas que são realmente comprovadas cientificamente são regionais, ou seja, restritas a microclimas como ambientes densamente urbanizados que sofre com a falta de áreas verdes internas e/ou nas proximidades.

O Homem não parece ser a razão da extinção desses animais, alias, nem mesmo o estudo realizado acima corrobora tal premissa já que próprio autor afirma “há apenas uma correlação muito vasta entre ela e a emergência do gênero Homo”.

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Scritto da Rossetti

Palavra chave: NetNature, Rossetti, Extinção, Megafauna, Leões, Hienas, Alce-Irlândes.
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